A intolerância atual da Europa com os imigrantes sírios

Jade Germano – acadêmica do 4° semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

O Construtivismo é uma das abordagens teóricas das Relações Internacionais, a qual, diz que o mundo material é formado pela ação e pela interação humana, ou seja, ele depende de interações normativas e epistêmicas dinâmicas. Por isso, a teoria construtivista se interessa em entender como os mundos material, subjetivo e intersubjetivo, interagem na construção social da realidade. Ademais, também objetiva explicar como os agentes individuais constroem socialmente as estruturas que constituem as identidades e os interesses deles, pois, para os construtivistas, o objetivo principal da investigação é a emancipação de discursos opressores, estruturas de poder e ideologias (WENDT, 2014). Neste sentido, cabe analisar a falta de tolerância com os imigrantes, em suma, a xenofobia.

Para averiguar de maneira mais específica a situação da imigração dos sírios para os países europeus, é necessário ter-se, antes de tudo, em mente, que o grupo fundamentalista mais conhecido como Estado Islâmico (EI) busca incansavelmente pelo seu califado, e consequentemente, promove a expropriação territorial dos sírios. Pode-se dizer que o Estado Islâmico foi resultante das intervenções imperialista das potências britânicas, francesas e norte-americanas localizadas no chamado Oriente Médio com intuito de derrubar o governo de Saddam Hussein (COSTA, 2015).

O supracitado movimento de expansão do Estado Islâmico praticamente obrigou as pessoas mais afetadas a buscarem a segurança que lhes foi tirada em outro lugar, ou seja, no exterior, normalmente. Dentre os mais atingidos, os sírios buscam melhores condições e oportunidades de vida na Europa, fazendo a travessia pelo caminho continental ou pelo Mar Mediterrâneo. O caso do Mar Mediterrâneo merece uma atenção especial devido aos milhares de mortes causadas pelo mesmo e intensificadas devido à falta de ajuda dos países europeus em realocar os refugiados (COSTA, 2015).

Nos últimos anos, a Europa tem se fechado para imigrantes e adentrar, nos países do continente, ficou cada vez mais difícil. Além das leis rigorosas dos governos em relação aos imigrantes, os países não se preocupam em alocar este povo e dar-lhes plenas e dignas condições de reconstrução de vida, pois, os governos de ideologia política de direita que estão no poder reforçam os discursos xenofóbicos contribuindo para uma Europa mais nacionalista e inspirando para que a população pense da mesma forma.

Além da constante resistência dos países em receber os refugiados mostradas por meio do protecionismo em suas políticas estatais, a intolerância da própria população aos estrangeiros (xenofobia), ou seja, parte da discriminação de alguém pelas suas origens, também é presente. Normalmente, há uma forte influência de ideologias do governo aliadas à ideia de etnocentrismo, à superioridade e à violência cultural. Em outras palavras, a população age de forma discriminatória por acreditar ser superior aos povos imigrantes, pois, temem ter os seus cargos ocupados pelos mesmos e pensam que os povos enfraquecerão alguns traços culturais no país em questão (COSTA, 2015).

Desta forma, à luz da teoria construtivista, Alexander Wendt (1992) afirma que a partir da construção particular de sua própria identidade, cada Estado determina o nível de anarquia e de segurança que prevalecerá nas relações (WENDT, 1992). O autor defende a ideia de que a autoajuda nas relações internacionais não está inerente ao sistema anárquico, pois, a postura dos atores em relação a alguma situação ou ao ator se baseará firmemente no significado particular de um para o outro (WENDT, 2014).

Percebe-se que os imigrantes sírios que fogem das guerras em seu país de origem (na maioria das vezes incentivadas indiretamente pela Europa), se deparam com barreiras extremas pelos governos reacionários. De fato, os Estados europeus poderiam resgatar políticas antigas de alguns que antes disponibilizavam condições de melhorias de vida para os imigrantes. Portanto, a tolerância mundial não vem sendo colocada em prática atualmente, e levando em consideração a grande onda de imigrações para a Europa, em busca de oportunidade de uma vida digna e segura, deve-se pensar em maneiras para melhorar a sua consolidação.

REFERÊNCIAS:

WENDT, Alexander. Teoria Social da Política Internacional. Rio de Janeiro, PUC- Rio, 2014.

WENDT, Alexander. Identity and Structural Change International Politics. IN: LAPID, Yosef; KRATOCHWIL, Friedrich. The Return of Culture and Identity in IR Theory. Colorado, Lynne Rienner Publishers, Inc., 1996.

COSTA, Rachel. Mediterrâneo consolida-se como a rota de migração mais mortífera do mundo. Opera Mundi, 31, janeiro, 2015. Disponível em: https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/39353/mediterraneo-consolida-se-como-a-rota-de-migracao-mais-mortifera-do-globo.

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