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Maria Bethânia – Acadêmica do 2° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

A série American Horror Story possui a sua 7º temporada intitulada como “Cult”, baseada em um cenário mais filosófico-político e psicanalítico. A começar, as acirradas disputas eleitorais entre Hillary e Trump, marcaram a polêmica polarização política nos EUA, no ano de 2016, seguida de um engajamento virtual pelas redes sociais e fóruns. Tal fenômeno, contou com as intensas Fake News, que promoviam a desinformação e provocavam uma situação de alarde. Consequentemente, as mentiras que eram compartilhadas com tanta intensidade, passavam a sensação de serem verídicas, e por isso, Trump vence as eleições por meio de propagandas políticas enganosas e intensas Fake News contra a sua oponente. Todos esses fatores estão presentes na série, a qual, possui um enredo que é fundamental para a continuação da história que vem a seguir.

O personagem principal é Kai Anderson, um jovem que não possuía ambição de vida até que Trump se torna vitorioso, e como apoiador, ele se sente encorajado a discriminar grupos “minoritários” – imigrantes, mulheres e homossexuais. A partir daí, Trump constrói uma carreira política baseada em manipulação através do medo dos seus simpatizantes e Kai ascende como uma personalidade carismática que oferece aquilo que as pessoas querem ouvir. Assim como a ideologia de seu apoiador, a campanha política do Kai é baseada em valores radicais conservadores de supremacia branca, além de apropriar-se da mídia, para manipular as pessoas e conquistar adeptos.

As personagens principais são Ally e Ivy, um casal homossexual que são vizinhas de Kai Anderson. Elas se sentem profundamente ofendidas com o resultado das eleições, pois, sentem medo da discriminação. Ally possui problemas de fobia muito graves, tendo muitas crises ao decorrer dos episódios e sua esposa Ivy tenta ajudá-la, mas, se sente sobrecarregada. Nesse contexto, o conflito entre o casal, o medo e a vulnerabilidade serão os motivos pelos quais Kai se sentirá tentado a abordá-las.

Em paralelo a esses fatos, há uma onda de assassinatos que começa a assolar a região, onde vivem os personagens. Semanalmente, os massacres são noticiados na TV por um grupo de assassinos vestidos de palhaços – em referência às ondas de pessoas vestidas de palhaço amedrontando adultos e crianças nos EUA, em 2016, causando pânico entre a população local, e Kai, ele se aproveita desse acontecimento para se autopromover durante a sua campanha. Contudo, o que as pessoas não imaginam é que ele está envolvido nos assassinatos, pois, não passa de um plano para fortalecê-lo.

Em referência às relações internacionais, a série é interessante, pois, o seu enredo explícita o cenário político estadunidense, o qual, influenciou o trâmite das eleições de outros países, como o Brasil.

Portanto, a série oferece uma visão crítica acerca da formação história da política dos EUA e apresenta a questão do medo, que pode ser utilizada como propaganda eleitoral, ficando evidente pelas cenas grotescas de horror que o diretor utiliza para chamar a atenção do telespectador. Por isso, a série é mais que uma obra de ficção, porque, a AHS CULT expõe problemáticas pertinentes da realidade pós-modernidade.