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Alana Andrade e Ana Beatriz Cruz – acadêmicas do 5° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

O surgimento de pandemias se torna um desafio para a Comunidade Global, e o controle da situação depende do posicionamento dos governos a respeitos dos aspectos afetados, desta forma, o Coronavírus, que foi descoberto em 2019, possui uma alta transmissibilidade, tendo como epicentros a China, Europa e Estados Unidos, que enfrentam altos índices de mortalidade, inchaço do sistema de saúde e problemas econômicos como a desaceleração das trocas globais e a baixa de bolsas.

De acordo com Bloom e Canning (2006), os impactos de epidemias em países com populações mais pobres, podem ser muito alarmantes tendo em vista que as condições irão propiciar o contágio e terão problemas de contenção da doença. A perduração do contágio também prejudica a economia desses países periféricos que possuem foco na exportação de commodities que estão sendo pouco demandadas por causa da crise atual, deste modo, países da África Subsaariana sofrem sério risco diante de tal cenário.

Atualmente, de acordo com o relatório de maio de 2019 do FMI sobre a economia da África Subsaariana, a China se tornou um dos maiores investidores de capital estrangeiro nos países do continente africano, de modo que a partir de dezembro de 2019, quando medidas mais duras de contenção do vírus foram implementadas na China, a qual suspendeu suas as atividades industriais em razão da quarentena que proibiu a circulação de pessoas em algumas cidades, o impacto mais categórico deu-se na própria produção industrial, que segundo a Agência Nacional de Estatística chinesa, caiu em 13,5%, reverberando diretamente nas exportações que diminuíram 17,2%, e nas importações, a qual visualizou um decrescimento de 4% apenas nos dois primeiros meses de 2020 (FORBES BRASIL, 2020).

Portanto, considerando-se que a China representa o maior parceiro comercial da maioria dos países subsaarianos, a exemplo, Angola (61%), Congo (40%), República Democrática do Congo (45%) e África do Sul (16%), tais países enfrentarão certos desafios econômicos futuramente, por isso, em razão da Pandemia do Coronavírus, os governos africanos estão implementando algumas medidas econômicas emergenciais visando estabilizar seu mercado. Para esse fim, aplica-se aqui a teoria neotecnológica visando mostrar a curto prazo, que investimentos na área tecnológica das empresas exportadoras podem garantir a estabilização do mercado que os países almejam e a longo prazo garantir uma melhora na produção e maior valor agregado, aumentado assim o valor das exportações.

A teoria neotecnológica, segundo Reinaldo Gonçalves (2005), mostra que técnicas mais eficazes implicam em maior produtividade e menor custo de produção, ou seja, ao diminuir o valor o produto, ele se torna mais competitivo no mercado internacional gerando uma vantagem comparativa em relação aos outros países, dessa forma o volume de exportações eleva-se resultando no saldo positivo da balança comercial. Por conseguinte, é aconselhado que entre as medidas econômicas emergenciais haja o investimento por parte do governo nas empresas exportadoras e que estas por sua vez invistam em tecnologia.

Isto posto, apesar do cenário desfavorável para a economia internacional que é a pandemia do Coronavírus, e adicionando as calamidades preexistentes no continente africano, o presente estudo baseado nos fundamentos da teoria neotecnológica, sugere que as medidas econômicas implantadas pelo Estado sejam direcionadas à empresas exportadoras onde por sua vez, investirão em tecnologia, que a longo prazo acarretarão em vantagem comparativa, melhorando portanto o comércio exterior da África Subsaariana. 

REFERÊNCIAS

BLOOM, David E., D. CANNING (2006).  Epidemics and Economics.  Working Paper Harvard School of Public Health, May, www.hsph.harvard.edu/pgda/.

ECONOMIA da China tomba após Coronavírus imobilizar fábricas e consumo. Forbes Brasil, 17 mar. 2020. Disponível em: https://forbes.com.br/negocios/2020/03/economia-da-china-tomba-apos-coronavirus-imobilizar-fabricas-e-consumo/. Acesso em: 31 mar. 2020.

FERNANDES, Lito. As Consequências da Crise Financeira Internacional nas Economias da África Subsaariana. Qualitas, p. 1-20, 2012.

GONÇALVES, Reinaldo. Relações Econômicas Internacionais. In: GONÇALVES, Reinaldo. Economia Política Internacional: fundamentos teóricos e as relações internacionais do Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. cap. 4, p. 95-120.

GONZATTO, Marcelo; CORSO, Mário; SENHORAS, Elói Martins; SEGATA, Jean; MENEGHETTI NETO, Alfredo; VERONESE, Marília Veríssimo. Mudanças de comportamento, na economia e no trabalho: como as epidemias transformam o mundo. GaúchaZH, 20 de março, 2020.

MITANO, Fernando; VENTURA, Carla; PALHA, Pedro. Subsaariana: uma reflexão com enfoque em Moçambique. Saúde e desenvolvimento na África, [s. l.], 2016.

SCHÜTZER, Herbert; ANTUNES, Duarte. África Subsaariana: Arena Internacional. História da África e de Estudos da Diáspora Africana, Sankofa, 2019.