Ana Mel Grimath – Acadêmica do 4° semestre de Relações Internacionais da Unama.

Recentemente, mais precisamente no dia 02 de agosto de 2022, a Presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, esteve em Taiwan (Folha de São Paulo, 2022). Pelosi já planejava fazer visitas a alguns países asiáticos e Taiwan estava em sua lista. Tal visita repercutiu fortemente no cenário internacional, uma vez que foi considerada uma ameaça à República Popular chinesa, trouxe novamente à tona a insegurança daquela região e destacou a disputa das duas grandes potências mundiais: China e Estados Unidos.

Para entender o porquê da tensão que a ação de Pelosi causou no sistema internacional é preciso fazer uma breve contextualização. Em 1912, a República da China passou por uma polarização política, tendo a esquerda e a direita política em constante disputa pelo governo. Tal situação foi amenizada em vista dos conflitos enfrentados contra o Japão na Segunda Guerra Mundial, mas logo após o término da Guerra, em 1949, houve então a Revolução Chinesa, dividindo a China em República Popular da China e República da China (Taiwan) a partir da fuga do Kuomintang (Partido Nacionalista Chinês) para a ilha, após sua derrota ao partido Comunista Chinês. É importante ressaltar que o kuomintang mantinha uma relação direta com os EUA, em virtude da similaridade política e do objetivo de conter o comunismo, e que foi sustentada até a Guerra Fria. Com o arrefecimento desta, os EUA diminuíram suas relações com Taiwan, mas mantiveram contato através do acordo “Taiwan Relations Act” que garantia, com certa ambiguidade, ajuda na defesa de Taiwan se houvesse ataques à ilha. 

O território luta pela sua liberdade e verdadeira independência, porém a China continua declarando o discurso de uma só China e não esconde principalmente sua potência militar frente ao mundo e especialmente aos EUA quando se trata da província chinesa.

Na teoria Neorrealista das Relações Internacionais, John Mearsheimer (2007) explica que os Estados têm a necessidade de sobreviver e para isso lutam pela maximização do seu poder. Pela incerteza do sistema internacional, a Balança de Poder faz com que os Estados procurem se autoproteger e criar uma imagem de hegemonia no mundo. Keneth Waltz, também teórico neorrealista, destaca em sua tese “Theory of International Politics” (1979) sobre o bandwagon – agrupamento de Estados que detém um poder menor sob a liderança de um Estado com maior força. Tal ação pode ser caracterizada com a situação de Taiwan, já que por deter um menor poder de influência no mundo se alinha aos países mais poderosos (seja aos EUA por acordos de ajuda, seja a China por dependência regional). 

A ilha tem uma posição estratégica e desde o início das relações entre EUA e Taiwan os norte-americanos apresentam interesse em ajudar para tentar de alguma forma aproximação com o Estado Chinês, que se caracteriza como uma grande ameaça à hegemonia norte-americana. Contudo, a China deixa claro seu poderio militar frente aos Estados Unidos. No dia 04 de agosto de 2022 a China disparou mísseis à ilha em resposta à visita de Pelosi (G1, 2022). A República Popular Chinesa luta para manter Taiwan sob seu domínio, objetivando potencializar seu poder. Infelizmente, em toda essa situação, a província chinesa é a mais desfavorecida, e com esse último acontecimento chegou até ser comparada com a Ucrânia na guerra que ainda enfrenta. Referências:

REFERÊNCIAS

China prolonga exercícios militares em Taiwan. G1, 08/08/2022. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/08/08/china-prolonga-exercicios-militares-em-taiwan.ghtml

GIELOW, Igor. China promete reação militar à visita da deputada dos EUA a Taiwan. Folha de São Paulo. 01/ 08/ 2022. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/08/china-promete-reacao-militar-a-visita-americana-a-taiwan.shtml

GONZAGA, Luiz. SANTANA, Bruno. A importância simbólica e estratégica de Taiwan na geopolítica do leste da Ásia. Revista Eletrônica, 2019. Disponível em: <file:///C:/Users/POSITIVO/Downloads/345-851-1-PB.pdf>

MEARSHEIMER, J. John. A Tragédia da Política das Grandes Potências. Editora: Gradiva, 2007.

WALTZ, Keneth. Theory of International Politics. Long Grove, III., Waveland Press, 1979.