O Imperialismo e a Grande Guerra: uma análise sobre como a Primeira Guerra poderia ser evitada

Gabriel Monteiro – acadêmico do 4° semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

Para diversos teóricos, cientistas políticos, historiadores e analistas, a primeira guerra mundial era inevitável, pois se tratava de um contexto onde a balança de poder estava desequilibrada e tal contexto era visto como uma luta ideológica entre bem e mal, certo e errado. Entretanto, A grande guerra – como também é conhecida – mostrou o impacto do imperialismo no mundo moderno. Para Hobson (1938), o imperialismo é a transformação histórica do nacionalismo, que perdurou predominante no sistema internacional durante anos. Sendo assim, seguindo o raciocínio do autor, o imperialismo é uma tendência geral dos Estados para se expandir além de seu território.

A Europa, nos tempos antecedentes a guerra, encontrava-se em estabilidade, tanto na área política, quanto na econômica e na militar. Vista como o máximo de desenvolvimento alcançado pela humanidade, o apogée de la société, um conflito em grande escala, como tido nas guerras napoleônicas, era inviável aos europeus que viam a guerra como algo que assolava os povos “atrasados e inferiores”.

Por outro lado, havia uma disputa imperialista acontecendo: a disputa pela África e pela Ásia, a qual, gerava tensão entre os Estados da região europeia, pois, o crescimento do poderio bélico levou a uma disputa armamentista que tensionou ainda mais os países europeus, gerando rivalidades econômicas e nacionalistas.

A partilha da África falsamente cessou as disputas imperialistas e os territórios menores eram cada vez mais cobiçados, visto que, o crescimento industrial alemão trouxe grandes preocupações a grande hegemonia inglesa que perdurava a sua Pax Brittanica. Além disso, o pan-eslavismo Russo, assim como o pangermanismo e o revanchismo francês também foram grandes intensificadores nacionalistas que fomentaram na erupção do conflito.

Em 1914 eclodiu então, após o assassinato do herdeiro ao trono Austro-Húngaro, Franz Ferdinand, a primeira grande guerra mundial. Em suma, a causa da guerra foram as questões nacionalistas e imperialistas que se desenvolveram na Europa. Na época, a África e a Ásia estavam ocupadas e a disputa entre os países só aumentava. Por isso, a questão balcânica (1912-1913) foi um marco que provou como se tinha em mente a importância da anexação e controle de territórios naquele período, um conflito entre império Austro-Húngaro e Sérvia que trouxe todos os países europeus para o campo de batalha.

A grande guerra foi um conflito que durou 5 anos (1914-1918) e milhares de vidas foram perdidas em uma batalha que poderia ter sido evitada. Já no fim do século XVIII, uma política dita imperialista provocava a imagem de um internacionalismo imperialista, que embora hierárquico, serviria para manter a ordem entre as nações. Porém, Hobson, em seu estudo tentou desmentir essa ideia que, segundo ele:

(…) nas condições históricas de um mundo governado pelo nacionalismo, a projeção de um Estado para além de suas fronteiras nacionais, mesmo inspirados por ideais de um imperialismo internacionalista, poderia apenas significar anarquia nas relações interestatais, tendendo a uma guerra universal (HOBSON, 1938).

Dessa maneira, a primeira grande guerra mundial pode ser considerada como “a filha do imperialismo”. Pois, o resultado das disputas territoriais e as discrepâncias na balança de poder levaram as desconfianças, aos conflitos e consequentemente a guerra.

Com isso, esse grande conflito poderia ter sido evitado através da diplomacia e de acordos entre os estados para que assim, o avanço imperialista fosse limitado, as disputas territoriais e os conflitos ideológicos fossem cessados ou controlados. Para Angell (1919), a guerra é uma grande ilusão, pois o custo dela é muito alto e é pouco benéfico para os Estados e para o comércio internacional. No fim, a hegemonia britânica perdendo o controle e o medo instaurado pela ascensão de diferentes nacionalismos e expansionismos imperialistas, deixou a Europa frágil e propícia a esse conflito que ela mesmo cultivou.

REFERÊNCIAS:

ANGELL, Norman. A Grande Ilusão, Editora UNB, Brasília, 2002.

ARRIGHI, Giovanni. The Geometry of Imperialism: The Limits of Hobson´s Paradigm, NBL, Londres, 1978.

COGGIOLA, Osvaldo. Depressão Econômica, Imperialismo Capitalista e Guerra Mundial (1870-1918) [PDF], Dezembro, 2015

HOBSON, J. A. Imperialism: A Study. Londres, 1938.

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