As Eleições Argentinas

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Ísis Mayra – Acadêmica do 6° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

A Argentina, atualmente, está passando por um processo eleitoral federal para os cargos na presidência e vice-presidência, além dos cargos parlamentares no Senado, para os deputados federais e do Mercosul. Podemos analisar, então, que se trata de um cenário delicado, complexo e extremamente importante para o futuro político-econômico do país, tendo em vista que a economia está vivendo um momento de crise e instabilidade financeira, que está se intensificando nesse processo eleitoral, iniciado pelas Primárias, ocorridas no dia 11 de agosto de 2019.

Sendo assim, tem-se disputando o cargo presidencial, dois polos opositores da política argentina, o presidente vigente, Mauricio Macri, que está se candidatando a reeleição, sofreu uma derrota nas eleições primárias consideravelmente desfavorável para a sua continuidade na presidência. Por outro lado, o peronista Alberto Fernández, que conta com uma forte aliada política como vice, a ex-presidenta Cristina Kirchner, uma personagem famosa e extremamente polêmica na política, tornando possível um provável retorno da Centro-esquerda ao país, criando uma certa divergência de opinião nacional e no meio internacional.

Quando os resultados foram divulgados, Fernández venceu com 47% dos votos, enquanto Macri ficou com 32%, isso mostrou uma grande insatisfação as medidas tomadas pelo presidente ao longo do seu governo. Como consequência ao resultado das urnas, no dia seguinte (segunda-feira), Bolsa de Valores despencou 72%, o peso em relação ao dólar caiu 38%, além do valor da dívida em títulos que diminuiu 55% e a inflação ficou bastante instável(El país). A repercussão negativa dos indicadores financeiros, aponta uma grande insegurança mercado internacional com o país, que por consequência trouxe um mês de agosto nada agradável para os cidadãos argentinos.

Podemos analisar a situação pelo viés Decolonial de Aníbal Quijano, que faz diversas críticas, especialmente voltado ao ConeSul que, historicamente, tenta implementar sistemas políticos de matriz europeia, dos quais possuem um contexto completamente diferente dos países latinos e que se tornaram desenvolvidos por explorar as suas colônias. Em vista disso, para que a América Latina possa se desenvolver, é necessário reformular as políticas voltadas para os problemas internos, com especificidades locais, que sejam produzidas por especialistas, cientistas políticos, pesquisadores e pelas academias, que pensem sobre a lente intrínseca da América Latina.

Vivemos em um mundo extremamente complexo e cheio de particularidades, portanto pensar enfaticamente em fórmulas prontas para os diversos problemas que enfrentamos se tornou impreciso. O nosso sistema possui várias falhas, não obstante a isso, é imprescindível entender que dentro do capitalismo sempre ocorreram oscilações e que os Estados e governos influenciam e são influenciados pelo sistema. Por isso precisamos sempre nos manter informados, analisando, estudando e resistindo para que a nossa sociedade seja mais igualitária e democrática e o voto é uma das formas de poder que temos para aprimorar, transformar e procurar melhorar a vida de todos em sociedade.

Referências bibliográficas:

Teoria das Relações Internacionais / Daniel Jatobá, Antônio Carlos Lessa, Henrique Altemani de Oliveira (Coord.). – São Paulo: Saraiva, 2013

http://www.dialogosinternacionais.com.br/2014/11/do-pos-colonial-decolonialidade.ht

ml

QUIJANO, Aníbal. Dom Quixote e os moinhos de vento na América Latina. Estudos

Avançados, São Paulo, set./dez. 2005.

Referente ao artigo acima de Aníbal Quijano:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142005000300002

Artigos do jornal El país:

https://brasil.elpais.com/tag/elecciones_argentina

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