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 Os paraísos fiscais são uma pauta presente no mercado financeiro global, no qual refere a áreas comerciais, cidades, estados ou países, com taxas de transação e de impostos baixas ou quase nulas e os usuários são assistidos pela jurisdição dos bancos dentro dessa região com a ocultação e anonimato daqueles para cometer evasão fiscal e possuir maiores ganhos líquidos em seus bens. Entretanto, em 2016 Panama Papers foram divulgados 11 milhões de documentos, de acordo com BBC News (2016, online), sobre o escritório de advocacia do panamenho Mossak Fonseca o qual esquematizava para seus clientes fuga dos cumprimentos de taxas fiscais, de sanções e lavagem de dinheiro de grandes influenciadores, marcas e chefes de Estados. 

 Portanto, além desse vazamento, possuímos outras notícias sobre essa problemática global que prejudica os desenvolvimentos dos Estados nas áreas mais pobres, devido à privação da arrecadação diante os lucros de empresas ou milionários em seu próprio território, assim, desviando os ganhos de capital especulativos na região para paraísos fiscais e enfraquecendo o domínio sobre tal capital. Porém, somente há conhecimento superficial apenas de uma parcela de um sistema mais complexo envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro e entre outros capitais de origem ilegais, utilizados pelas celebridades, chefes de Estados e traficantes, sendo eles, detentores de poder econômico com influência no âmbito global. 

 Neste sentido, é importante destacar que a economia internacional passa por um processo de financeirização onde, segundo a economista Mariana Mazzucato (2020), cada vez mais, o valor produzido têm sido capturado pela especulação financeira. Além disso, o grande crescimento do setor financeiro “expandiu-se muito além dos limites das finanças tradicionais, em especial do setor bancário, para cobrir uma gama imensa de instrumentos financeiros, criando uma nova força no capitalismo moderno: a gestão de ativos” (MAZZUCATO, 2020, p.177). 

 Sendo assim, a utilização de paraísos fiscais representa uma estratégia de especuladores que visam aumentar os rendimentos de suas aplicações financeiras, tirando proveito de locais com legislações mais brandas. 

 Conforme o paradigma da teoria neoliberal de Relações Internacionais, o mundo passa por um processo de difusão do poder. Potencializado pelos avanços tecnológicos que facilitaram o fluxo de informações, extrapolando limites territoriais e conectando usuários ao redor do globo – o cenário internacional encontra-se cada vez mais povoado por atores transnacionais, que possuem interesses próprios, fora do controle dos Estado (NYE, 2012). Dessa forma, a problemática da dificuldade crescente dos países em combater o fluxo de capitais para paraísos fiscais mostra-se um produto da conjuntura internacional contemporânea, onde Estados nacionais carecem de meios para controlar a atividade de atores transnacionais em um mundo cada vez mais interconectado. 

Desse modo, percebe-se as intercorrências nas relações de controle do capital financeiro e os paraísos fiscais e o de forma sucinta, o seu funcionamento. A expansão desse tipo de capital e de controle financeiro, impacta em várias áreas e se torna a porta de entrada para debates aprofundados sobre o funcionamento dos mercados e de como isso impacta desde a economia real à economia política internacional, até o papel do Estado na regulamentação e regulação dessa forma de capital e regiões de paraísos fiscais. 

Referências: 

BBC. PANAMA Papers: vazamento de milhões de documentos revela paraísos fiscais de ricos e poderosos. BBC, 3 abr 2016. Disponível em: 

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160402_documentos_panama_rb. Acesso em: 19 abr. 2023. 

MAZZUCATO, Mariana. O valor de tudo: Produção e apropriação na economia global. São Paulo: Portfolio Penguin, 2020 

NYE, Joseph. O Futuro do Poder. São Paulo: Benvirá, 2012