Nivia Iani Silva Imbiriba

Acadêmica do 2º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Personalidade importantíssima no mundo dos direitos e reconhecimento da comunidade LGBTQIAP+, Marsha P. Johnson nasceu em 24 de agosto de 1945 em Elizabeth, estado de Nova Jersey. Inicialmente, identificando-se desde criança como mulher, já teve de conhecer o preconceito presente na sociedade mesmo sendo muito nova, por conta do uso de vestido, sofria assédio, perturbações da grande maioria das crianças e adultos de sua vizinhança, por consequência, foi vítima de abuso sexual e deixou de usar essa vestimenta buscando que o assédio a seu respeito cessasse.

Desse modo, ao longo de sua adolescência e início da vida adulta, Johnson passou a determinar-se como assexual, porém, ao se mudar para Nova York, após a conclusão de seu ensino escolar, pôde ser quem realmente era, Marsha poderia, finalmente, ser chamada pelos pronomes que a identificavam – ela e dela – assumiu-se como uma mulher preta travesti, gay e drag queen atuando incisivamente no ativismo LGBTQIAP+.

Além disso, no bairro de Greenwich Village, havia um bar chamado de Stonewall Inn, era um dos poucos locais em que pessoas de todos os gêneros e orientações sexuais podiam se encontrar livremente, devido às incontáveis políticas anti-homossexuais nos Estados Unidos, principalmente, das décadas de 50 e 60.

Seguidamente, neste bar, na noite de 28 de junho de 1969, batidas policiais com muita violência e distribuição de ameaças de prisão ocorreram no estabelecimento, revoltando a todos que lá estavam, as pessoas decidiram iniciar uma série de protestos para se posicionarem contra toda a repressão e homofobia dos oficiais, Marsha esteve na linha de frente do movimento histórico que ficou conhecido como a Revolta de Stonewall, tornando-a símbolo de resistência e figura primordial na luta de todas as pessoas da comunidade LGBTQIA+ e dando início ao seu ativismo.

Ademais, a realidade ultrapassada da época ainda era extremamente vigente, segundo Gorisch (2014), como consta na lei Masquerade, de 1875, a qual recriminava e perseguia pessoas transexuais e travestis por se vestirem com roupas distintas do seu gênero, tal determinação causava mais ódio, violência e exclusão social, impossibilitando que pessoas trans trabalhassem e pudessem ter a sua própria moradia.

Pensando nessas problemáticas, a ativista fundou a Gay Liberation Front (Frente de Libertação Gay, em português), grupo pioneiro no enfrentamento contra às diversas violências à comunidade, também, criou junto a sua amiga, Sylvia Rivera, também uma mulher trans, a Street Travestite Action Revolutionaries (Revolucionários da Ação de Travestis nas Ruas, em português), a qual acudia e oferecia abrigo às pessoas trans desabrigadas, refletindo-se na mesma necessidade vivida por Marsha, carência de moradia, contudo, para manter a fundação funcionando, ambas viveram em situação de prostituição, a fim de que pudessem obter os recursos financeiros necessários para o pagamento do aluguel da organização.

Conforme à exposição, é importante salientar a importância da Revolta de Stonewall, “[…] é tido como um marco para a comunidade LGBT ocidental, principalmente no que diz respeito à resistência e luta pelos direitos dessas pessoas” (APOLINÁRIO et al, 2019), a rebelião foi imensamente revolucionária, possibilitou que toda uma geração pudesse ter o reconhecimento de seus direitos enquanto seres humanos, e apesar das conquistas obtidas ao redor do mundo, luta-se até hoje para que todas as pessoas da comunidade LGBTQIAP+ estejam inteiramente inseridas na sociedade, o preconceito persiste e a luta continua – sempre continuará.

Outrossim, Johnson descobriu, em 1990, que era portadora do vírus HIV e se tornou ativista ao combate e conscientização da AIDS. Tristemente, em 6 de julho de 1992, Marsha foi encontrada morta no rio Hudson. A princípio, a causa de sua morte foi anunciada como suicídio, entretanto, sua família e todos que a conheciam afirmam ser impossível, asseguram que houve assassinato, são muitas injustiças, irresponsabilidades policial e investigativa que contribuem para que a causa real do falecimento jamais tenha sido descoberto.

Logo, dialogar sobre a comunidade LGBTQIAP+, é reconhecer o quanto crucial foi a liderança de Marsha P. Johnson para que hoje possa se festejar o Dia do Orgulho por todo o mundo, comemorado no dia 28 de junho, data em que se celebra com todo a garra como a pessoa é e se identifica verdadeiramente, também, para que os atos, as ações e as causas pelas quais a ativista lutou, nunca sejam esquecidas, Marsha é uma personalidade que é patrimônio histórico à humanidade.

REFERÊNCIAS

SAKAI, Marina. Negra, drag queen, prostituta e ativista: Marsha P. Johnson, um símbolo da luta LGBTQ+, RollingStone. 28 jun. 2021. Disponível em: https://www.google.com/amp/s/rollingstone.uol.com.br/amp/noticia/negra-drag-queen-prostituta-e-ativista-marsha-p-johnson-um-simbolo-da-luta-lgbtq/. Acesso em: 05 de setembro de 2022.

AIDAR, Laura. Biografia de Marsha P. Johnson, eBiografia. 13 mai. 2022. Disponível em: https://www.ebiografia.com/marsha_p_johnson/. Acesso em: 05 de setembro de 2022.

APOLINÁRIO, Eleonora et al. As representações do movimento de Stonewall nos Estados Unidos (1969) –“Stonewall -A Luta Pelo Direito de Amar” (1995) e “Stonewall: Onde o Orgulho Começou” (2015). Epígrafe, São Paulo, v. 7, n. 7, pp. 97-108, 2019. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/epigrafe/article/view/154048/155550. Acesso em 05 de setembro de 2022.

GORISCH, P. O Reconhecimento dos Direitos Humanos LGBT. De Stonewall à ONU. 1. ed. Curitiba: Appris, 2014, 143 p.