Ana Luíza Cavalcanti Dória*

Carlos Eduardo Rodrigues Maciel*

Eva da Costa de Oliveira*

*Acadêmicos do 3º semestre de Relações Internacionais da Unama

De acordo com o cientista político estadunidense Kenneth Waltz, um dos principais pensadores realistas, o poder de um Estado está relacionado diretamente ao seu investimento em armamento e defesa. Além disso, para ele, a guerra se torna inevitável por conta da falta de uma autoridade sobre os Estados, que possa intermediar conflitos gerados por vontades particulares dos mesmos.

Para Waltz, o conceito de balança de poder é quando um Estado se torna muito poderoso nos âmbitos bélico, militar, tecnológico e econômico. A partir disso, ele se torna um hegemon, ou seja, passa a ser considerado superior aos outros, ocasionando assim a formação de alianças entre os Estados “subordinados”, que tem como objetivo neutralizar o poder deste Estado dominante.

Ademais, a condição anárquica do Sistema Internacional produz mecanismos explanatórios para o equilíbrio de poder entre seus membros, o qual, segundo Waltz, se manifesta de maneira regular entre os atores desse sistema. Com isso, o comportamento dos Estados no ambiente anárquico do sistema internacional é determinado pela distribuição assimétrica do poder, o que gera essa espécie de corrida armamentista entre seus componentes.

O início do Exército Brasileiro se deu no período da independência do Brasil, quando províncias se rebelaram e resistiram contra a separação do país de sua metrópole. Logo, foi necessária a intervenção do exército resultando na conquista da independência do Brasil. Após essa conquista, ele atuou na Guerra Cisplatina, a qual resultou na independência do Uruguai. Ainda no século XIX, soldados brasileiros participaram da Guerra do Paraguai, quando paraguaios foram derrotados pela tríplice aliança, grupo em que o Brasil pertencia. Mais além, em 1942, o exército participou da Segunda Guerra Mundial, e ficou ao lado dos países aliados.

Na guerra, os militares brasileiros ajudaram os EUA na libertação da Itália, que estava sob posse alemã. Para esse conflito, o Brasil enviou aproximadamente 25 mil homens da Força Expedicionária Brasileira (FEB), 42 pilotos e 400 homens de apoio da Força Aérea Brasileira (FAB). Ademais, cabe citar a participação do exército brasileiro no território haitiano (Minustah) para contribuir com a estabilização e reorganização do país, operação na qual o Brasil enviou 37 mil militares e destinou toneladas de alimentos e medicamentos para a assistência humanitária de emergência.

Atualmente, o Exército conta com cinco tipos de contingentes de tropas aptos a participar das diversas missões de paz da ONU. Tais ações em missões de paz são importantes para o país, pois é uma maneira de ampliar seu peso e se tornar um ator importante no cenário internacional contribuindo com a política externa brasileira. Vale ressaltar também que as Forças Armadas brasileiras participaram dos dois conflitos mundiais e mais recentemente passaram a se oferecer para ações de paz da ONU no Canal de Suez (1956–1967), em Moçambique (1992–1994), em Angola (1995–1997), em Timor-Leste (1997–1999) e, por fim, no Haiti (2004–2017). Em ações territoriais, o exército possui 25.000 militares servindo na região Amazônica, dando prioridade a ela por ser um dos mais visados campos de prováveis invasões externas. Com isso, possuem diversas operações, entre elas destacam-se a operação Amazônia, que é o maior exercício de defesa externa já realizado pelo comando militar.

No âmbito da aeronáutica, a Embraer, desafiada pela Força Aérea Brasileira a criar um avião de ataque com capacidade de sobrevoar a Amazônia, foi além e decidiu levar a aeronave criada para participar de concorrências no exterior. Assim, o projeto começou a disparar. Lançado em 2004, o Super Tucano, que é um avião anti-insurgência especialmente bem-sucedido. Analogamente, o avião em questão foi exportado para um número considerável de países, vendo assim, combates em diversos cenários mundiais. Foi aprovado com louvor.

Dessa maneira, o Brasil tem tido um bom desenvolvimento aeronáutico e sua presença no exterior o tornou um dos maiores produtores mundiais de aviões. Além disso, já ocupou a posição de 5º maior exportador de material militar. Nas décadas de 1970 e 1980, o país era um dos maiores produtores de tanques blindados do planeta e tornou-se um dos únicos países a fabricar equipamentos simultaneamente.

Com isso, o Brasil é considerado o décimo primeiro país que mais destina dinheiro para as Forças Armadas. Atualmente, possui 437 tanques, 706 aeronaves, 110 navios e 5 submarinos. Além disso o país se destaca no ranking mundial de potências militares pelo número de pessoas à disposição das forças armadas, possuindo 1,67 milhão de pessoas que podem servir o país em uma eventual guerra. Ademais, em rankings atuais, o poderio do Exército se destaca como a melhor posição da América Latina. Em suma, as forças armadas possuem projetos que visam a ampliação progressiva de equipamentos para o futuro, apesar de serem suficientes para preservar o território nacional e garantir a soberania do país.

Logo, tais dados possibilitam ver a grande evolução militar do país desde sua criação até os dias atuais, sendo considerado um dos principais atores militares do Sistema Internacional, tendo em vista que suas participações em ações de paz e auxílio em guerras vizinhas lhe proporcionaram ascensão no quesito poder força de Waltz, além de promover maior facilidade na formação de alianças com outros Estados, um dos pontos situados em teorias realistas. Com isso, nota-se a grande participação do país no âmbito internacional e seu grande investimento em alianças e poderio militar, que segundo o autor, favorece sua posição no Sistema Internacional.

REFERÊNCIAS:

DADOS GOV EXERCITO BRASILEIRO EB Disponivel https://dados.gov.br/organization/about/exercito-brasileiro-eb. Acesso em 11abr. 2019

EXÉRCITO BRASILEIRO. As origens do exercito brasileiro  Disponivel em.http://www.eb.mil.br/exercito-brasileiro?

RESENDE, Carlos Augusto. O Homem, o Estado e a Guerra: uma análise teórica.2008. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-73292004000100009 >. Acesso em 05 de Abril de 2022

WALTZ, Kenneth. Teoria das Relações Internacionais. Lisboa: Gradiva, 2002.

WALTZ, Kenneth N. O Homem, o Estado e a Guerra: uma análise teórica. São Paulo: Martins Fontes, 2004, 331p. ISBN: 85-336Internac