Jade Germano de Brito Machado – Acadêmica do 6º semestre de Relações Internacionais da Unama

A escola de Frankfurt é representada por diversos pensadores inspirados nas ideias de Karl Marx e responsáveis pela elaboração de teorias voltadas à emancipação social através do desenvolvimento do pensamento crítico em relação ao sistema capitalista. A expressão “indústria cultural” dos pensadores Adorno e Horkheimer (1985), ficou muito conhecida, pois aborda a ideia de que a classe dominante do sistema capitalista padroniza comportamentos, pensamentos e atitudes de indivíduos ao redor do mundo a partir de meios tecnológicos de comunicação. No entanto, os meios tecnológicos de comunicação não são necessariamente vilões, mas passam a ser instrumentos eficazes utilizados para alienar uma sociedade. Estes meios são uma ótima ferramenta para que os grupos sociais dominantes manipulem e alienem indivíduos, mas acima de tudo para que o consumo desenfreado sem reflexão seja cada vez mais frequente e alimente a chamada indústria cultural (DUARTE, 2003).
A indústria cultural, segundo os autores, tende a padronizar, à sua maneira, qualquer diversificação cultural relacionada ao consumismo. Para Adorno e Horkheimer (1985), a manifestação da cultura atual é altamente uniformizada e quase sem diferenciações devido aos veículos de comunicação em massa, como cinema, rádio e revista (veículos mais relevantes na época em que essa teoria foi formulada), os quais passam de arte a negócio. (ADORNO; HORKHEIMER, 1985). Desta forma, um dos principais mecanismos que levam a fácil alienação é a maneira como a indústria cultural realiza todos os esforços a fim de que as pessoas não tenham que exercitar nenhum tipo de atividade intelectual enquanto recebem a mensagem da propaganda (PEDROSO, 2001).
Diante disso, em relação à indústria cultural atrelada ao natal, é importante contextualizar o surgimento de um dos símbolos mais conhecidos ao redor do mundo: o Papai Noel. Acredita-se que sua criação ocorreu na Turquia com um velhinho chamado São Nicolau, um bispo católico do século IV retratado como um homem bondoso que presenteava crianças em seu próprio aniversário no mês de dezembro. Estrategicamente, as vestimentas vermelhas do Papai Noel partiram de uma criação publicitária da Coca-Cola. A imagem do “bom velhinho” com barba branca vestido com roupas de inverno vermelhas apareceu pela primeira vez em 1931, tempos depois o desenhista Haddon Sundblom utilizou a imagem em um comercial da Coca-Cola e acrescentou um saco de presentes e um gorro. Já o nome Papai Noel é assim em português porque tem suas raízes na língua francesa, em que Noël significa Natal. No inglês, chamado de Santa Claus, vem de uma adaptação de Sinter Klass, como São Nicolau era chamado em holandês (FERNANDES, 2016).
Neste contexto, as festas de final de ano, especialmente o natal, é um momento muito aguardado e promissor para empresas que aproveitam para investir em publicidade. A comemoração do natal é considerada uma das datas mais importantes para venda de produtos e serviços no ano, por isso muitas marcas apostam nas propagandas e mensagens fortes para atrair clientes até seus pontos de venda, seja físico ou online. Devido a tradição da época natalina de reunir amigos e familiares para uma celebração religiosa, o período é muito propício para que os vendedores, empresas e marcas criem conexão com seus clientes através de mensagens de amor, otimismo e união (SACCHITIELLO, 2018).
Podemos concluir que o conceito de indústria cultural usado na teoria crítica da escola de Frankfurt se relaciona muito bem com a universalização do marketing no natal. Grandes corporações e empresas, com enormes faturamentos e destaques globais se aproveitam a certa vulnerabilidade dos clientes devido aos votos de amor e união da data para criarem propagandas convincentes referentes a esses sentimentos.
As publicidades no natal, assim como as descritas por Adorno e Horkheimer referentes à indústria cultural, costumam persuadir de maneira generalizada consumidores de todo o mundo através dos meios tecnológicos de comunicação. Em especial, com mensagens que os alienam a ponto de os incentivarem a correr para adquirir o produto o quanto antes. Indiscutivelmente, a indústria cultural criticada pelos autores se faz cada vez mais presente nas celebrações de natal, uma vez que os grupos dominantes do sistema capitalista usam de ferramentas de marketing aliadas a redes de comunicação para persuadirem seu público alvo, e de fato costuma funcionar.

REFERÊNCIAS:


ADORNO, T. W.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento. Tradução de Guido Antonio de Almeida . Rio de Janeiro: Zahar, 1985.


DUARTE, R. Teoria Crítica da Indústria Cultural. Belo Horizonte: UFMG, 2003.


FERNANDES, Vivian. Fatos Curiosos da História | De onde surgiu Papai Noel?. Brasil de fato, 22 de dezembro de 2016. Disponível em https://www.brasildefato.com.br/2016/12/22/fatos-curiosos-da-historia-or-de-onde-surgiu-papai-noel Acesso em: 15 de dezembro de 2021.


PEDROSO, L.A. Indústria Cultural: Algumas Determinações Políticas, Culturais E Sociais Na Educação. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ccedes/a/HMHHdk7WQFBkbdBCtzfV3cm/?lang=pt Acesso em: 15 de dezembro de 2021.


SACCHITIELLO, Bárbara. A magia do natal pelo olhar das campanhas publicitárias. Meio&mensagem, 17 de dezembro de 2018. Disponível em https://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/2018/12/17/a-magia-do-natal-pelo-olhar-das-campanhas-publicitarias.html Acesso em: 15 de dezembro de 2021.