Statue in the center of Stalingrad after Nazi air strikes 1942 -

Peter Barauna, Leonidas Barbosa – 4º e Matheus Virgulino – 6º

O período da Segunda Guerra Mundial foi fortemente marcado por vários conflitos, invasões e embates vindos da Alemanha nazista. A invasão ocorrida em Stalingrado foi considerada o momento em que o avanço alemão foi detido e mudou os rumos da Guerra, sendo a primeira derrota da Alemanha e o início da queda das forças de Hitler.

A batalha de Stalingrado ocorreu entre 1942 e 1943, na cidade que carrega o nome do antigo líder da União Soviética, Stalin, com a invasão das tropas nazistas na região, o que levou a seis meses de conflito. Como resultado disso, foram, em média, 1.130.000 baixas, com 480 mil mortos e prisioneiros e 650 mil feridos para o lado soviético, o que equivalia a uma média de 40 mil civis soviéticos mortos em Stalingrado numa única semana de bombardeio aéreo (VASCONCELOS, 2012).

Os motivos que levaram a cobiça da cidade pelo líder nazista são diversos, já que Stalingrado tinha o prestígio de ser uma enorme e nova cidade industrial, com forte centro de produção de armamentos em massa e, com isso, carregava o peso de ser uma das maiores conquistas do sistema soviético. Assim também, a cidade carregava o nome do líder da União Soviética na época e era símbolo do comunismo; caso houvesse a tomada da região, o lado soviético sofreria uma grande queda do seu status de soberania (SILVEIRA, 2018).

A derrota do lado nazista começa a tomar forma com a piora da situação para os alemães, pois fatores como frio rigoroso e escassez de munições e abastecimento alimentício agravaram a situação para o lado alemão. A partir disso, a escassez de suprimentos levava os soldados a buscarem alimentos em cachorros, gatos, ratos e água vinda da neve em meio as ruinas da cidade afetada pelo bombardeio, levando alguns combatentes a cometerem suicídio (SILVEIRA, 2018).

O conflito terminou em janeiro de 1943, com o posto de comando de Paulus, marechal de campo escolhido por Hitler, sendo invadido e ele capturado. Por fim, a batalha termina com a derrota do Sexto Exército, orgulho de Hitler pela sua grande força destruidora, na região de Stalingrado pelo Exército Vermelho, que lutou bravamente para impedir o avanço nazista na região.  Com isso, as forças do Partido Nazista começaram a se deteriorar no mundo e a União Soviética começou a emergir  como mais uma superpotência mundial (SILVEIRA, 2018).

A batalha de Stalingrado certamente ganhou sua infame reputação como a batalha mais sangrenta da Segunda Guerra e uma que mudou o rumo do conflito mundial, como consequência ela acaba sendo altamente glorificada nos meios midiáticos e nacionais (principalmente os russos). Entretanto, ao analisarmos o porquê de tal evento da guerra ser tão custoso para ambas partes, vemos que as razões para tal derramamento de sangue incomum são ligadas aos seus líderes políticos da época, Adolf Hitler e Stalin.

No livro “Psychological Operations” escrito pelos coronéis Frank L. Goldstein e Benjam F. Findley, um convidado entre eles chamado Michael A. Moms comenta sobre a criação e definição de Objetivos Políticos Nacionais (O.P.N) pelas entidades estatais. A ideia pode ser resumida em duas partes resumidamente, a primeira seria sobre as características de um objetivo político criados pelos líderes políticos, podendo este ser vago ou claramente definidos (FINDLEY & GOLDSTEIN,1996), a forma como se é estabelecido tais objetivos influencia diretamente nas ações militares para se atingir, tendo a possibilidade de serem ações de grande ou pequena escala.

O segundo fator de extrema importância a ser discutido também é sobre a flexibilidade estabelecida em cima do O.P (Objetivo Político), se algum objetivo é flexível demais, corre o risco de ser mudado seu trajeto e ficar muito confuso ao que se quer jogar, mas, uma inflexibilidade gera também meios inconclusivos para se chegar ao resultado almejado (FINDLEY & GOLDSTEIN,1996). Juntando as duas ideias principais discutidas acima, podemos concluir que na pior das hipóteses, um objetivo vago e inflexível poderia se tornar algo muito custoso e inconclusivo para um país que cria o mesmo.

Portanto, ao analisarmos os autores originais que definiram Stalingrado como objetivos políticos, vemos que estes planos acabaram sendo custosos demais para ambos os países, já que não houve um certo tipo de clareza ou definição concreta dos líderes do porquê e como deveria ser feito a defesa do território, para a União Soviética e a Alemanha a cidade era mais uma disputa simbólica do que um o desfecho para a guerra (já que Alemanha já tinha controle de grande parte dos combustíveis da URSS) (BRITANNICA,2021). A crítica principal vai a Hitler, que além de criar um objetivo muito vago, tornou-o inflexível também, resultando assim em perdas catastróficas que provariam ser pesadas demais na balança da Guerra, eventualmente dando início ao rolo compressor soviético que chegaria em Berlin.

Referências:

Frank L. Goldstein, Col, USAF & Benjamin F. Findley, Jr., Col, USAFR. (1996). Psychological operations: Principle and Cases Studies. Air University.

Limbach, Raymond. “Battle of Stalingrad”. Encyclopedia Britannica, 15 Aug. 2021, https://www.britannica.com/event/Battle-of-Stalingrad. Accessed 20 December 2021.

SILVEIRA, José Renato Ferraz da. STALINGRADO: A BATALHA DECISIVA DE DUAS GUERRAS. In: ANAIS DO 10O ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTUDOS DE DEFESA, n.  10º. 2018. 1ª ed. Anais eletrônicos […] São Paulo, 2018. Disponível em: https://www.enabed2018.abedef.org/resources/anais/8/1534274456_ARQUIVO_Stalingrado.pdf. Acesso em: 4 dez. 2021.

Vasconcelos, André Luiz de. “BATALHA DE STALINGRADO: O DOCUMENTÁRIO COMO AGENTE DA HISTÓRIA.” Revista Eletrônica História Em Reflexão, n.12º. vol.6. Dourados, 2012.