Leonidas Barbosa e Peter Barauna – 4º; Mateus Virgulino – 6º semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

A cabanagem foi uma revolta que ocorreu durante o período regencial desde 1835 a 1840 com a prisão de seu líder e a retomada da cidade pelos poderes do império. A tomada de poder ocorreu em 1835, quando um movimento social composto por mestiços, indígenas, negros e brancos liderados por uma elite da região, almejava tomar o poder da província do Grão-Pará. A presença de inúmeros grupos sociais também se encontrava no meio dos revoltosos como os grupos indígenas Murazi, Maues e com adendos de Quilombolas, habitantes de mocambos, escravos e entre outros, todos estes sendo liderados por um senhor de engenho chamado Felix Malcher e Francisco Vinagre, esse o qual futuramente assumiria o controle das tropas cabanas.

As investidas da revolta resultaram na prisão e morte de Bernardo Lobo de Sousa (governador da região) e o general da região (RICCI, 2007). Logo após a derrubada do governo, Félix Malcher e Francisco Vinagre tiveram desentendimentos e acabaram sendo protagonistas da primeira disputa interna do novo governo, a qual resultou na morte de Malcher e deixou Francisco no poder.

Ao mesmo tempo que havia uma briga interna por poder, havia um indivíduo que se tornava mais popular e renomado, tratando-se de Eduardo Angelim, que recentemente havia conseguido repelir as tropas inglesas e imperiais do almirante britânico John Taylor. Eduardo assume o poder depois de um breve tempo, entretanto um general do império brasileiro foi capaz de expulsar os cabanos da capital, fazendo com que estes se refugiassem no interior do Pará, mas também se espalharam para províncias nordestinas.

A cabanagem se deu por derrotada em 1840, e a sua história só seria contada e revisada em 1860 por um autor imperialista, com futuras intepretações apenas com Caio Prado por volta de 1930.  A cabanagem trouxe repercussões para a província da época, além de deixar 30 mil mortos no mínimo (RICCI, 2007), sendo responsável pela difusão de novas ideias, chegando até a alcançar a América Caribenha.

A teoria pós-colonialista de Relações Internacionais oferece um framework para a análise de Estados e sociedades no sul global. Dentre os postulados, está a que existe uma subserviência econômica e política por parte do ocidente para com os países em desenvolvimento, isto sendo um legado do colonialismo Europeu e Norte-Americano, estas respectivas regiões sendo a “metrópole” e o resto do mundo a “periferia” (MCGLINSHEY, WALTERS et al, 2017).

Além de uma perspectiva geopolítica, o pós-colonialismo oferece uma visão de relações de poder que permeiam a sociedade em si. Nesse sentido, levando em consideração o contexto de formação e independência nacional na região amazônica, é visível os elementos cratológicos e identitários presentes na Cabanagem. O fato de boa parte dos revoltosos serem de origem indígena ou negra demonstra a relação de dominação existente entre as elites, esta no caso representada pelo governo, e a população das classes mais baixas que eram usadas como mão de obra barata ou escrava. Ademais, as intervenções por parte dos britânicos e franceses mostra que mesmo após o período de independência a América Latina encontrava-se sobre o jugo de potências estrangeiras na busca de seus interesses.

Por fim, é notável que o movimento da Cabanagem foi a insurgência e tomada de poder da província do Grão-Pará por parte dos cabanos, marcando uma forte consequência do colonialismo. A marginalização e sujeição do povo culminou na tomada da província pelo movimento cabano, que por sua vez foi fortemente reprimida pelo aparelho estatal gerando muitas perdas.

A cabanagem acaba por marcar a história por sua tentativa de libertação, mesmo com as suas diversas interpretações, e não perde sua relevância e importância na história tanto para as discussões pós-coloniais, quanto para a memória da população paraense. Com isso, o movimento cabano se torna exemplo de um duro período da história brasileira e como toda sua discussão é fundamental para se estudar.

Referencias:

MCGLINSHEY Stephen, WALTERS Rose, SCHEINPFLUG Christian. International Relations Theory. E-International Relations Publishing, 2017.

RICCI, Magda. Cabanagem, cidadania e identidade revolucionária: o problema do patriotismo na Amazônia entre 1835 e 1840. Tempo, Niterói, v. 11, n. 22, p. 5-30, 2007. Disponível em: <http://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/10370&gt;. Acesso em: 05/12/2021.