Ana Carolina Gomes – Acadêmica do 2º semestre de Relações Internacionais da Unama

Sob a influência da Primavera Árabe, surgiram protestos de opositores ao ditador Bashar Al-Assad, os quais de início visavam obter uma liderança democrática no país (FURTADO, RODER, AGUILAR, 2014). Entretanto, com o surgimento de grupos rebeldes, também opositores de Al-Assad, o conflito tornou-se mais violento.
Os rebeldes eram formados por diversos radicais, como: Frente Al-Nursa (braço da Al Qaeda), militares desertores, grupos islamitas, irmandade Mulçumana do Egito, Comando Militar do Exército Sírio Livre e Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Fato que deixou em segundo plano o objetivo inicial de derrubar Al-Assad, uma vez que, esses rebeldes agora estavam interessados principalmente em ficar no poder.
Assim, o reduto de Idlib tornou-se o mais novo capítulo dessa guerra civil. Ele é uma das últimas regiões totalmente dominadas por rebeldes jihadistas chamados Hay’at Tahrir al-Sham (HTS) opositores de Al-Assad e também abriga cerca de 3 milhões de sírios deslocados de outras regiões os quais em sua maioria sobrevivem por ajuda humanitária (EL PAÍS, 2021). A região apresenta grande importância devido sua localização estratégica com a Turquia (aliada dos rebeldes) e província costeira de Latakia (província sob comando de Al-Assad).
Essas características de Idlib fizeram o reduto ganhar atenção por sua similaridade com a faixa de gaza, uma faixa de terra que faz fronteira com Israel e o Egito, com a população é de aproximadamente 2 milhões de pessoas a maioria palestinos. Em 1967, a região era controlada por israelenses após a Guerra dos seis Dias, mas, atualmente é controlada pelo grupo islâmico Hamas (considerado grupo terrorista) desde 2007. Devido as diversas sanções feitas por Israel, a população de gaza depende quase exclusivamente do apoio de ajuda humanitária. Além disso, Israel e Hamas estão em guerra o que faz a faixa de gaza é vítima de inúmeros bombardeios (DAILY SABAH, 2021).
Dessa forma podemos entender questões geopolíticas através da ótica da cratologia, a qual é responsável pelo estudo científico do poder. Segundo Thales Castro (2012), adquirir poder é essencial para uma nação uma vez que perdê-lo caracteriza fraqueza estatal.
O autor aponta dois conceitos de poder o primeiro de Morgenthau, que consiste em um na dominação dos indivíduos seja por meios violentos ou não e o segundo de Aron, que está na capacidade dos indivíduos imporem suas ideias aos demais, esse afirma que as potências conseguem exercer sua dominação por meio do “ativo de poder” o qual consiste em algo material ou imaterial que serve como “moeda de troca” para uma potência (CASTRO, 2012) , ou seja essa mantem certa vantagem ou crédito com as outras partes, em contraposição existe o “passivo poder” o qual representa submissão de um Estado devido a um endividamento material ou imaterial.
Portanto, a luz do pensamento cratológico é possível entender por que esses lugares são tão importantes e tão conflituosos. As guerras dos governos de Al-Assad e Israel buscam derrotar os rebeldes uma vez que Idilib e a faixa de gaza representam hoje a fraqueza desses Estados e resistência dos opositores. Também, as regiões são o “ativo de poder” dos inimigos desses Estados, a exemplo está a Turquia, país aliado tanto ao Hamas quanto dos Hay’at Tahrir al-Sham (HTS). Dessa forma, ela consegue exercer certo poder na região, enquanto para Israel e Síria representa seu “passivo de poder” pois o território destaca certa fragilidade dessas potencias se imporem nesses locais.

REFERÊNCIAS:


CASTRO, Thales. Cratologia E Relações Internacionais: Breves Notas Sobre Os Fundamentos E A Contabilidade Do Poder Na Política Entre As Nações. Caderno de Relações Internacionais, v. 3, n. 4, 2012.


FURTADO, Gabriela; RODER, Henrique; AGUILAR, Sérgio LC. A guerra civil síria, o oriente médio e o sistema internacional. Série Conflitos Internacionais, v. 1, n. 6, p. 1-6, 2014. Disponível em https://www.marilia.unesp.br/Home/Extensao/observatoriodeconflitosinternacionais/a-guerra-civil-siria-final.pdf


RUSSIAN attack on Syria’s Idlib injures 3 children. Daily Sabah,2021. Disponível em https://www.dailysabah.com/world/syrian-crisis/russian-attack-on-syrias-idlib-injures-3-children


SANZ, Carlos. O inferno de ser criança em Gaza. El País, 2021. Internacional. Disponível em https://brasil.elpais.com/internacional/2021-05-23/o-inferno-de-ser-crianca-em-gaza.html