Leonidas & Peter – 4º e Matheus – 6º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Dos diversos conflitos que ocorrem no mundo, o do Marrocos e Argélia se destacam devido ao seu potencial de culminar numa guerra. São diversos os motivos que estão inseridos nessas desavenças, como a exploração e o domínio de territórios, entre outros interesses, que abre espaço para diversas discussões, tais como se esse conflito poderia culminar em uma guerra maior e os diversos interesses e atores inseridos.

O conflito entre essas partes é longo e vai desde a breve guerra em 1962, após a independência da Argélia. Com isso, essa relação se constitui num clima de desconfianças, principalmente para o lado da monarquia do Marrocos que sempre viu de forma negativa o apoio da Argélia a diversos movimentos revolucionários, assim como as acusações vindas da Argélia, de que Marrocos estaria envolvida num ataque de drone no norte do país que resultou na morte de três caminhoneiros argelinos em novembro de 2021 (ECONOMIST, 2021).

No choque entre Marrocos e Argélia, a presença da Frente Polisário contribui ainda mais para agravar esse conflito. A Frente Polisário nada mais é que um movimento nacionalista que tem o intuito de buscar a independência para o Saara Ocidental e é responsável por mais de 1000 “incidentes” de disparos para o lado marroquino. Por fim, a Frente Polisário e Marrocos batalham entre si desde a retirada da Espanha do Saara Ocidental em 1975, tendo chegado ao consenso de cessar fogo das partes em 1991, junto com a falha tentativa da ONU em um processo de paz sobre a independência do território (ECONOMIST, 2021).

O conflito se estende entre três atores, Marrocos, Argélia e a Frente Polisário, com o incentivo da Argélia aos movimentos desta contra o Marrocos.  Isso acontece pois seria vantajoso para a Argélia o controle sobre o Saara Ocidental, já que assim o lado argelino teria acesso ao Atlântico e rotas mais fáceis para o oeste da África.

A disputa entre Argélia e Marrocos, mais do que apenas uma rivalidade entre nações, toma uma perspectiva geopolítica, provinda em especial do dilema de segurança. No dilema de segurança como apresentado por Mearscheimer (2007),os Estados, nunca tendo certeza absoluta da intenção de outros Estados, buscam sempre estar em uma posição de superioridade ou, de preferência, de hegemonia no sistema anárquico internacional, com o objetivo de garantir sua posição em relação a outros Estados

O principal objetivo Argeliano é de garantir acesso ao oceano Atlântico, podendo adicionar mais uma frente de operações além de seus territórios no mar Mediterrâneo Além disso, a região do Saara ocidental historicamente foi o ponto de entrada para o “Sahel”, a faixa de território que liga a África do norte com a subsaariana. Do ponto de vista do Marrocos o objetivo é garantir a sua reinvindicação de soberania sobre o Saara Ocidental e assim garantir suas vantagens geopolíticas em relação a seus rivais. Em contexto mais amplo a disputa entre os dois países pode também ser considerado uma competição por hegemonia regional no norte da África.

Em 2021 vemos que as tensões entre Marrocos e Argélia cresceram de forma alarmante, à medida que ataques de drones na fronteira durante decorrer desse ano, com o primeiro caso sendo o de abril e novembro desse ano, os quais resultaram em grupos clamando por um chamado à guerra. O caso mais recente podendo se citar o ataque de um drone marroquino em cima de um comboio de caminhoneiros, como citado anteriormente e o posicionamento permanentes de drones na fronteira de Argélia e Marrocos. Ações como as citadas anteriormente resultaram na Argélia anunciando que as mortes dos seus cidadãos seriam vingadas (Goff,2021). Portanto, fica claro que a desconfiança e o almejo de se manter a superioridade resultam num cenário pré-guerra caracterizado por uma inevitabilidade de conflito direto entre os dois países.

Referencias:

THINGS are heating up in Western Sahara. 2021. Disponível em: https://www.economist.com/middle-east-and-africa/2021/11/06/things-are-heating-up-in-western-sahara. Acesso em: 7 nov. 2021.

MEARSHEUMER John. A TRAGÉDIA DAS GRANDES POTÊNCIAS. Gradiva, 2007.

OXFORD. CONCISE DICTIONARY OF POLITICS AND INTERNATIONAL RELATIONS. Oxford University Press, 2018. Goff, S. (2021, November). Morocco Does not want War despite Algerian attacks,accusations. https://www.moroccoworldnews.com/. https://www.moroccoworldnews.com/2021/11/345336/morocco-does-not-want-war-despite-algerian-attacks-accusations