A crise política-humanitária no Haiti

Mayara Rodrigues de Lima – Acadêmica do 4º semestre de Relações Internacionais da Unama

O Haiti, considerado um dos países mais pobres do mundo, tem um longo histórico de dificuldades internas marcado pela pobreza, autoritarismo e instabilidades políticas. Atualmente, estes problemas passaram a ser tópico internacional por conta do governo que foi apoiado por um país influente como os Estados Unidos.
Em 2010, quando um terremoto de alta magnitude devastou o país, um fluxo de ajuda estrangeira e forças de manutenção da paz pareceu apenas acentuar a instabilidade do país (THE IRISH TIMES, 2021). O auxílio tem apoiado o Estado e seus líderes, fornecendo serviços e suprimentos vitais, o que consequentemente também alimentou a corrupção e violência no país.
Uma década depois, a situação do país piora quando o governo de Jovenel Moïse se recusa a encerrar seu mandato, terminado no dia 07 de fevereiro de 2021. Sendo considerado um golpe de Estado pelos opositores, diversos protestos ocorreram em todo território. No início do ano, o então presidente, mandou prender pessoas influentes, civis e atuantes da Suprema Corte do Haiti que estavam contra o seu governo.
O Estado haitiano enfrenta também com este governo, a corrupção ligada às conexões do presidente com empréstimos a venezuelanos com a operação Petrocaribe – nações caribenhas compram petróleo com pagamentos “preferenciais (IHU, 2021). Somado a isso, também enfrenta uma epidemia de violência criminal e sequestros ordenados, que não são interferidos pelas forças de segurança.
O Haiti pode ser visto como um país que atualmente combate o aumento do preço de combustíveis, forte desvalorização da moeda haitiana, uma taxa de desemprego de 75%, falta de políticas públicas, busca de refúgio em países vizinhos, gerando um cenário de crise político-humanitária. Recentemente, notícias sobre massacres e violências, além da atuação de gangues criminosas como o G9 (grupo de 9 gangues, lideradas por apoiadores de Moïse), circulam pelo mundo todo (IHU, 2021).
O presidente Moïse, tomado pelo apoio dessas gangues e com o consentimento dado a milícia para responder com violência aos protestos, autoproclamou-se governante por decreto, sem precisar do apoio do Parlamento.
Quando surge um escândalo político ou de direitos humanos, o governo dos Estados Unidos emite condenações de tigre de papel. Em vez de abraçar o longo caminho para reformas e criar um sistema que funcione, afirmam os líderes da sociedade civil haitiana, os Estados Unidos apoiaram homens fortes e amarraram o destino da nação a eles. Muitos haitianos denunciaram repetidamente o apoio dos EUA a Moïse, mas disseram que tinham pouco poder para impedi-lo (THE IRISH TIMES, 2021). Em relação ao país vizinho, República Dominicana, as fronteiras permanecem fechadas e as relações entre os dois estão tensas por conta de projetos governamentais e práticas racistas (BRASIL DE FATO, 2021).
Já com os demais países, como o Haiti vem de grande carga histórica política corrupta e autoritária, os antigos governos passaram a limitar suas relações externas apenas com a exportação de seus produtos, sem aprofundar os contatos. E até hoje esse tipo de política externa se mantém.
Quando se pensa que a situação não pode piorar, poucos meses antes da iniciação das novas eleições, o presidente Jovenel Moïse foi assassinado no dia 07 de setembro deste ano. O país, atualmente, continua com um vazio político, pois o vice-presidente faleceu meses atrás por conta do COVID-19, permanecendo apenas o Ariel Henry – eleito primeiro-ministro alguns dias antes da morte do antigo presidente.
Contudo, as eleições que estavam previstas para ocorrer em novembro foram adiadas pelo ministro, que demitiu todas as pessoas que trabalhavam no órgão responsável pelas eleições no país.
Apesar do país está sem um governante autoritário como Moïse, a situação não mudou. A população passa fome e morre todo dia lutando pelos seus direitos como humanos e cidadãos. É preciso que as instituições internacionais passem a atuar mais internamente com ajudas médicas e humanitárias e que países amigos pressionem e ajudem na reforma institucional e política do país.

REFERÊNCIAS:


Haiti. Uma interminável crise política e humanitária. IHU, 2021. Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/606837-haiti-uma-interminavel-crise-politica-e-humanitaria


Os fracassos do Haiti agravados pela ajuda internacional e apoio dos EUA a homens fortes. Tha Irish Times, 2021. Disponível em: https://www-irishtimes-com.translate.goog/news/world/haiti-s-failures-worsened-by-international-aid-and-us-propping-up-of-strongmen-1.4616046?


O muro entre República Dominicana e Haiti: fronteiras fechadas no Caribe?. Brasil de Fato, 2021. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br HYPERLINK “https://www.brasildefato.com.br/2021/03/12/o-muro-entre-republica-dominicana-e-haiti-fronteiras-fechadas-no-caribe”/2021/03/12/o-muro-entre-republica-dominicana-e-haiti-fronteiras-fechadas-no-caribe

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