Brasil das desigualdades

Sérgio A. Sales M. Filho – Acadêmico do 6° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Não é de hoje que o povo brasileiro sofre com as incertezas de políticas públicas mal organizadas, e governos que não conseguem resolver o problema da desigualdade no país. Diariamente, os noticiários reúnem provas e demonstram casos que são exemplos perfeitos de como a desigualdade social vem se tornado um obstáculo cada vez maior, impedindo que a população consiga atingir uma melhora na sua qualidade de vida. Fatores como saneamento básico, educação e saúde são amostras imprescindíveis da disparidade na qualidade de vida entre ricos e pobres no Brasil.

Pode-se afirmar que a desigualdade social é uma adversidade de cunho histórico e de base estrutural, uma vez que todas as disparidades supracitadas são oriundas do nosso espólio colonial que vem se difundindo ao longo da nossa trajetória. Em outras palavras, no Brasil, existem famílias que possuem uma quantidade extrema de vantagens econômicas em cima de outras, acumulando riquezas ao longo dos séculos. Não é à toa que o país se encontra em sétimo lugar no ranking de países mais desiguais do mundo, segundo o relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em 2019. O levantamento tem como base o coeficiente Gini, que mede desigualdade e distribuição de renda. (PNUD, 2021)

Mas a pergunta de ouro é a seguinte: quais são os fatores que contribuem para o aumento da desigualdade no Brasil? Uma simples resposta para tal, seria a criação e difusão do capitalismo no mundo (MARX, 1848)

Segundo os entendimentos que Karl Marx (1848) faz sobre o capitalismo, toda e qualquer sociedade é estruturada com base no modo como a população se ordena para a produção social dos seus bens e produtos. Essa ordenação classifica homens que detém os meios de produção, ou seja, a burguesia e os capitalistas, sobre homens que possuem somente sua força de trabalho, o proletariado. Em questão de sobrevivência, a classe trabalhadora tem que vender sua força de trabalho a classe capitalista. Em resumo, a relação entre proletariado e burguesia sempre foi de esforço muito maior em relação à remuneração, existindo uma ininterrupta relação de exploração na sociedade civil mundial. (MARX, 1848)

Aldaíza Sposati, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e coordenadora do núcleo de Seguridade e Assistência Social (PUC), explica a persistência da desigualdade social no Brasil e no mundo, estudando como a inclusão e exclusão fazem um reforço sobre a permanência da desigualdade sem acabar com ela de forma efetiva, e sobre como o brasileiro sofre com as diversas formas de exclusão social e com a disparidade na qualidade de vida entre as classes sociais do país. (SPOSATI, 2006)

Assim como os pontos abordados pelos autores supracitados, a importância de uma análise acerca dos atores internacionais e, principalmente, sobre a influência que eles possuem na sociedade, torna-se imprescindível. Fatos simples como a divulgação de produtos por parte das empresas, ou propagação da “normalidade” de um meio de vida inalcançável, intensifica a disparidade entre as vivências de uma sociedade. Em momentos pandêmicos como o que o mundo enfrenta atualmente, notícias sobre como a falta de saneamento básico dificulta o combate ao novo coronavírus, e outras doenças, se tornam corriqueiras no dia a dia do brasileiro. Mesmo assim, reportagens sobre as tentativas de melhora no saneamento básico da população do país, mostram-se persistentes no cenário midiático nacional. (O DOCUMENTO, 2021)

Para além disso, a maneira que os veículos de informação divulgam as notícias sobre a desigualdade, e a forma que o governo procura desesperadamente mascarar a situação do povo brasileiro, demonstra a necessidade de mudanças, não somente nas atitudes políticas do país, mas em toda a estrutura social que vem se renovando ao longo dos séculos. A precariedade nas ações da sociedade brasileira, e a forma que a desigualdade é difundida desde a infância, resulta na regressão social vivida por grande maioria da população, contribuindo para a falsa noção de desenvolvimento que os políticos sonham em alcançar. (GOV.BR, 2021).

Por fim, as discussões acerca do aumento da desigualdade social vem se tornando cada vez mais imprescindíveis no sistema atual. É fato que mudanças estruturais na sociedade brasileira se fazem necessárias em diversos aspectos, seja de forma econômica ou em questões de política social, para que assim seja criado, não só um Brasil, mas um mundo de real ordem e progresso.

REFERÊNCIAS

COM INVESTIMENTO DE MAIS DE R$ 940 MILHÕES, GOVERNO FEDERAL FOMENTA MELHORIAS DOS SERVIÇOS DE SANEAMENTO BÁSICOPELO BRASIL. Gov.br. Publicado dia 12/08/2021. Disponível em: < https://www.gov.br/pt-br/noticias/transito-e-transportes/2021/08/com-investimentos-de-mais-de-r-940-milhoes-governo-federal-fomenta-melhorias-dos-servicos-de-saneamento-basico-pelo-brasil > Acesso em 01/09/2021

FALTA DE SANEAMENTO DIFICULTA COMBATE À PANDEMIA, DIZEM ESPECIALISTAS. O Documento. Publicado dia 01/09/2021. Disponível em: < https://odocumento.com.br/falta-de-saneamento-dificulta-combate-a-pandemia-dizem-especialistas/ > Acesso em 01/09/2021

INSTITUO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA, 2021. Disponível em: < https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?searchword=DESIGUALDADE&ordering=category&searchphrase=all&Itemid=32&option=com_search > Acesso em: 29 de Agosto de 2021

MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do partido comunista. Londres. 1848. < https://www.expressaopopular.com.br/loja/wp-content/uploads/2020/02/manifesto-comunista-EP.pdf > Acesso em 29 de Agosto de 2021.

SPOSATI, A. A fluidez da inclusão/exclusão social. São Paulo. 2006 < http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252006000400002 > . Acesso em: 29 de Agosto de 2021.

SPOSATI, A. Pobreza e desigualdade no século do disperdício. 32nd International Conference of Social Welfare. São Paulo. 2006. < http://icsw.org/images/docs/Events/2006_Brazil/17_07_PDF/aldaiza_sposati.pdf > Acesso em: 29 de Agosto de 2021.

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