A atuação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha no Mundo

Jhennyfer de Souza – Acadêmica do 8º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Uma das organizações não governamentais mais importantes no mundo é, sem dúvida, a Cruz Vermelha. Falar dela é falar de ajuda humanitária, de cooperação e de direitos humanos. Com efeito, fundamental para entender sua atuação no mundo contemporâneo é perceber que o ser humano deve ser considerado um cidadão do mundo.

Para Linklater (2007) o cosmopolitismo é considerado a chave para a busca contínua por direitos e obrigações universais básicos, que podem unir todos os povos em uma ordem mundial mais justa. É com o pensamento da sociedade cosmopolita que o autor traz a ideia de um universalismo moral, e acredita que com a ajuda e conscientização da sociedade civil global, o Estado alcançará a paz, é por meio da consciência e da dignidade humana que todos alcançarão esta meta.

O cosmopolitismo em Linklater, seria uma responsabilidade moral e social, de todos com todos. A preocupação com o outro, a promoção de direitos iguais, a compaixão, a humanidade e a solidariedade, são sentimentos compartilhados entre todas as sociedades.  

As organizações internacionais e organizações não governamentais, são um dos principais meios em que podemos ver a prática dessa teoria. Mesmo diante de todas as situações que a sociedade enfrenta, existem pessoas que compartilham de um humanitarismo que move montanas para tentar salvaguardar a vida do próximo, com responsabilidade social e consciência moral.

A maioria das pessoas que se voluntariam em organizações humanitárias, compartilham dos sentimentos citados, é muito importante que todas as nações tenham conhecimento desses fatores que as levam a cooperar, a paz sempre começa com pequenas ações, cada indivíduo fortalece esse objetivo, toda vez que se submete a proteger a vida do outro, sem nenhuma distinção.

Um dos maiores nomes, entre as instituições não governamentais humanitárias, é o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, idealizado e criado pelo suíço Henry Dunant, que diante dos horrores da Batalha de Solferino, decidiu ajudar os feridos que estavam por ali, pois os médicos não estavam conseguindo socorrer todos.

A Cruz Vermelha trabalha em conflitos internacionais, nas consequências que eles causam às sociedades, mas também trabalha com pequenas causas dentro de cada país, pois as suas ações são inteiramente baseadas na prestação de assistência aos mais feridos e vulneráveis em qualquer situação. Ela está presente em mais de 100 países, cada um tem uma sede responsável pelas suas filiais em cada cidade. A instituição está à frente de diversos problemas no mundo, levando primeiros socorros, prestando assistência em pequenas situações e realizando projetos dentro das comunidades.

Na atual crise dos refugiados, os voluntários da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho unem forças para ajudar cerca de 17 milhões de pessoas que são afetadas pela Crise na Síria. São crianças, jovens, adultos e idosos que contam diariamente com doações de água, alimentos e remédios, além do ato de milhares de pessoas que se voluntariam para amenizar esse sofrimento que é constante (INTERNATIONAL COMMITTE OF THE RED CROSS, 2020).

No Brasil, a instituição ajuda em pequenas causas como: acesso à educação em comunidades pobres, por meio de ações com crianças e adolescente; o combate à violência armada em zonas de risco (principalmente no Rio de Janeiro); projetos de vacinação e campanhas de doação de sangue (INTERNATIONAL COMMITTE OF THE RED CROSS, 2017)

A Cruz Vermelha conta com mais de 80 milhões de voluntários espalhados em todos os continentes, são eles que prestam assistência na África que enfrenta problemas de acesso à água potável e promovem campanhas na prevenção e cuidados com a AIDS; são esses voluntários que trabalham assiduamente contra os abusos de guerra dentro da Colômbia e que oferecem apoio às pessoas que tem algum tipo de deficiência.

É impossível imaginar um mundo sem as Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, o grande humanista Henry Dunant não errou quando decidiu fundar esta instituição, que é tão importante e necessária. Em um sistema egocêntrico, onde o poder fala mais alto, quem acredita na possibilidade de um mundo mais fraterno e igual, faz jus a sua humanidade.

REFERÊNCIAS

ARRAES, Virgilio; GEHRE, Thiago. Introdução ao Estudo das Relações Internacionais. São Paulo: Editora Saraiva, 2013.

FALLEIRO, Roberta. A atuação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha nos conflitos armados não internacionais. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2013.

LINKLATER, Andrew. Critical Theory and World Politics: Citizenship, Sovereignty and Humanity. Londres: Routledge, 2007.

SEGUCHI, Erika. The Histoty of The International Red Cross. 2002

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