Olímpiadas e Covid: entre esporte, saúde e dinheiro

Lara Cerqueira – Acadêmica do 6º semestre de Relações Internacionais

O grande motivo de uma mudança coletiva em todo o território do globo foi a pandemia de Covid-19, que ainda marca muitos Estados com o risco epidemiológico de suas variações. Como se sabe, uma parcela pequena da população global já está assegurada de uma maneira não tão certeira assim, pois o vírus ainda está fora de controle em lugares específicos.

O governo japonês deu andamento às Olimpíadas de Tóquio mesmo com o estado emergencial declarado no país, na principal região onde os Jogos e cerimônias olímpicas acontecerão. Com a grande desaprovação da população japonesa com o evento, algumas medidas foram tomadas para evitar a propagação do vírus. O corpo olímpico conta com mais de 11 mil pessoas, vindas de mais de 200 países, o que com certeza classifica este evento como de altíssimo risco. Desta forma, os atletas serão proibidos de utilizar transportes públicos e de visitar lugares públicos, já que o auge da variante delta acontece neste momento em Tóquio, com a taxa de infecção trazendo aproximadamente 1.200 novos casos em um dia.

O médico japonês Kenyu Sumie diz que, neste momento, é impossível realizar a Olimpíada de forma segura, assim como empresários de grandes redes japonesas consideram sua realização como uma “missão suicida”, além do gigantesco índice de desaprovação, somando 78% da população.

Neste sentido, o embalso teórico dado pelas Relações Internacionais pode explicar a decisão do governo japonês de dar continuidade ao evento a partir da correlação realista e construtivista. Como se sabe, o ponto focal da Teoria Realista se baseia no Estado com seu poder e necessidade de segurança. E o construtivismo faz um estudo da materialização do campo ideológico a partir das relações sociais.

As Olimpíadas como evento mundial tem grande exposição de poderio para os Estados, principalmente para o país anfitrião do evento, pois como adquire maior destaque mundial, é uma chance de apresentar melhor sua cultura ou beneficiar sua imagem caso alguma falha tenha ocorrido anteriormente. Além das oportunidades para a economia, já que muitos empregos são gerados durante todo o processo do evento.

Com isso, pode-se colocar o uso da Teoria Realista quando a imagem e os benefícios para o Japão são os pontos e objetivos focais da realização do evento. Somado a isso, a teoria construtivista aparece como instrumento para a concretização dos objetivos anteriores, pois o marketing trabalha o campo ideológico e logo em seguida se materializa em fatos. Um bom exemplo para isto são as medalhas, já que as conquistadas servem como moedas de troca para mostrar a força de cada Estado por meio de seus atletas e o prestígio internacional é concomitante aos resultados das disputas dos jogos olímpicos.

REFERÊNCIAS

Tóquio registra 1.149 novos casos de covid-19, maior numero em seis meses. CNN Brasil: 2021. Disponível em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2021/07/14/toquio-registra-1149-novos-casos-de-covid-19-maior-numero-em-seis-meses Acesso em: 17 de julho de 2021.

MENDES, Emanuel Pedro. As teorias principais das Relações Internacionais: Uma avaliação do progresso da disciplina. Relações Internacionais: Março/2019.

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