Legião Estrangeira: Mercenários legalizados

Luiz Augusto Queiroz Santos – Acadêmico do 2° Semestre de Relações Internacionais

Tendo origem na França do século XIX, a legião estrangeira teve sua primeira legião formada em 1831, após o Rei Carlos X ser deposto, onde teve as suas tropas transformadas na legião estrangeira francesa, comandada pelo rei Luís Felipe I. A legião era inicialmente composta por duas legiões sendo elas as Guardas Suíças, que tiveram origem a partir do tratado de paz perpétua e o Regimento Hohenlohe, uma unidade de soldados estrangeiros e logo após surgiu outras legiões compostas por suíços e alemães.

A primeira missão da Legião Estrangeira foi contra o Adl El-Kader, que lutava a favor da Argélia na sua independência. Esse confronto ficou conhecido como batalha de Sidi-Chabal e ocorreu em 1832. O grupo fazia missões de acordo com a necessidade e participavam de várias guerras que se expandiam muito além do território francês.

Antes da primeira Guerra Mundial, a legião estrangeira realizou múltiplas missões, isto é dito no livro “The History of the French Foreign Legion” (COLL, 2014), onde fizeram missões na República Centro-Africana, no Sudão do Sul e na Nova Guiné. Neste período, eles haviam se tornado um grupo militar muito influente, conhecidos e temidos não só no velho continente como no mundo inteiro. Também é dito na obra sobre o período entre guerras, onde é mencionado que durante a Primeira Guerra houve um drástico aumento de voluntários, tanto americanos idealistas, quanto de refugiados que encontraram nesse grupo uma forma de viver e de lutar.

Durante a crise de 1929, também houve um drástico aumento de voluntários para a legião, porém muitos não conseguiram entrar devido ao corte de despesas que estava sendo feito pelos líderes, que reduziram os seus números de 33 mil para 20 mil. Durante a Segunda Guerra, principalmente no período da invasão do Terceiro Reich à França, a legião foi encarregada de defender o país. Durante o dia D, auxiliaram na reconquista dos territórios franceses e após a guerra, iniciaram novamente o recrutamento para missões que seriam na Indochina.

A Legião Francesa desde sua criação é conhecida como um grupo de mercenários e esta fama se estende até os dias de hoje. É dito na pesquisa feita por Douglas Porch, professor e presidente do Departamento de Assuntos de Segurança Nacional (BRITTANICA, 2009) que para entrar na Legião nos dias de hoje é necessário ter entre 17 e 40 anos, podendo ser de qualquer nacionalidade, e a legião protege a identidade dos seus, porém cada recruta é interrogado para saber suas intenções de entrar no grupo. Os parâmetros de recrutamento variam muito de acordo as influências políticas do momento.

Os treinamentos e as missões são extremamente arriscados e após 3 anos servindo é possível conseguir uma cidadania francesa. Um soldado legionário pode tornar-se cabo com 2 anos e um cabo legionário pode se tornar o mais baixo cargo dos sargentos com 3 anos com a sua patente anterior e os cargos mais altos da hierarquia são reservados para legionários realistados.

Mesmo não sendo um dos maiores grupos militares da atualidade, a legião estrangeira francesa ainda possui sua relevância e ainda participa de conflitos pelo mundo, principalmente no Continente Africano e Oriente Médio.

REFERÊNCIAS:

PORCH, Douglas. French Foreign Legion., 2009. Califórnia, Brittanica.

COLL, Staff. Legio Patria Nostra: The History of the French Foreign Legion Since 1962. 2014, Createspace Independent Publishing Platform

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