Rebecca Brito – Acadêmica do 2° semestre de Relações Internacionais

Muito se ouve em portais de notícias sobre o PIB brasileiro e seus relativos aumentos, bem como suas supostas implicações no progresso do país, mas afinal, o que é o PIB?

Também conhecido como Produto Interno Bruto, tal variável concerne a tudo que foi produzido no país em um determinado tempo (GONÇALVES; GUIMARÃES, 2010). Deste modo, trata-se da soma dos bens e serviços da nação em um cálculo complexo que envolve desde a balança comercial á pesquisas orçamentárias de consumo, e gastos de diversos setores até outras dimensões que compõem a análise dos dados para os estudos macroeconômicos.

Ademais, segundo o IBGE, com a análise do desempenho do PIB é possível entender seu desenvolvimento e, além de averiguar a sua divisão através do número de habitantes (per capita), também é capaz de comparar o tamanho da riqueza de diversos países que fazem uso de tal variável. Entretanto, vale ressaltar que o PIB, como agente que mede a atividade econômica, entre outras competências, não representa a prosperidade real do país, tendo em vista que a riqueza estipulada pode ser concentrada nas mãos de poucos.

Nessa conjuntura, o PIB, apesar de indicar crescimento econômico em sua variação percentual em relação a outro ano, não reflete qualidade de vida, educação, saúde e lazer, assim como distribuição de renda e a produção de emprego no território nacional. Sob esse viés, associar o crescimento da economia pelo produto interno bruto junto ao bem-estar da população não é adequado, pois o padrão de vida não é devidamente refletido pelo PIB.

Dessa forma, a fala do Ministro da Economia, Paulo Guedes, na audiência pública na Câmara do Deputados, ocorrida no dia 7 de julho, onde estipula altas taxas de crescimento do PIB brasileiro e afirma que o “país está surpreendendo o mundo” (CNN, 2021), deve ser reavaliada.

Se observarmos tudo que já foi dito no presente artigo, nota-se, claramente, que o PIB não acompanha o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país que “é uma medida resumida do progresso a longo prazo em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: renda, educação e saúde” conforme o PNUD Brasil (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), portanto a estimativa do ministro pouco incide no factual progresso da nação.

Se, a “surpresa” do Brasil ao mundo a qual o ministro refere-se, é a volta do país ao mapa da fome (FAO, 2019), aos 14,8 milhões de desempregados (IBGE,2021) e ao aumento da inflação em 8,3% em um ano (G1,2021), então, pouco é relevante o crescimento econômico, haja vista que esta riqueza não é refletida no que, de fato, é necessário a população. Logo, não devemos nos deixar enganar pelo PIB e sua variáveis pois, a somatória da produção, distribuição e consumo de bens e serviços, em níveis altos de crescimento econômico, não é um parâmetro eficaz de representação do desenvolvimento do país e bem-estar da população.  

Neste contexto, entender o PIB como de fato é e não o engrandecer isoladamente, assim como compreender que o crescimento deste não significa desenvolvimento, é de suma importância para melhor análise de seus indicativos. Deste modo, salienta-se a necessidade de ampliar estudos e pesquisas sobre tal tema que merece mais atenção e aprofundamento em um viés até mesmo internacionalista na investigação desta variável macroeconômica no sistema internacional.

REFERÊNCIAS:

GONÇALVES, Carlos Eduardo. GUIMÃRAES, Bernardo. 1 edição. “Introdução à economia”. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. PIB. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2020. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/pib.php. Acesso em: 8 de julho de 2021

VITORIO, Tamires. PIB do Brasil vai crescer de 5% a 5,5% neste ano, diz Guedes. CNN, São Paulo, 7 de julho de 2021. Disponível em:https://www.cnnbrasil.com.br/business/2021/07/07/pib-do-brasil-vai-crescer-de-5-a-5-5-neste-ano-diz-guedes. Acesso em: 8 de julho de 2021

Desemprego. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2021. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php. Acesso em: 8 de julho de 2021

. ALVARENGA, Darlan. SILVEIRA, Daniel. IPCA: inflação fica em 0,53% em junho e atinge 8,35% em 12 meses. G1, 8 de julho de 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/07/08/inflacao-fica-em-053percent-em-junho.ghtml. Acesso em: 8 de julho de 2021

PNUD- Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Índice de desenvolvimento humano. Disponível em: https://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/idh0.html. Acesso em: 8 de julho de 2021.