Nações Unidas 2.0: o desafio de António Guterres

Pablo Gomes – Acadêmico do 6º semestre de Relações Internacionais

No primeiro dia do ano de 2017, António Guterres foi eleito pela primeira vez como Secretário Geral da Organização das Nações Unidas. O português é graduado em licenciatura em Engenharia pelo Instituto Superior Técnico em Lisboa e é fluente em quatro idiomas: português, espanhol, inglês e francês. Antes do alto posto na ONU, ele alcançou um currículo invejável: passou mais de vinte anos no serviço público de Portugal, chegando a ser primeiro-ministro do país durante os anos de 1995 a 2002. Em 2005, ocupava o título de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, onde foi líder de uma das principais organizações humanitárias da história, devido à crise de deslocamento que ocorria na época.
Carregando esse enorme currículo, ele teve um papel importantíssimo nos últimos cinco anos de mandato: lidar com Donald Trump, o recém-eleito presidente dos Estados Unidos, que criticava veementemente a ONU e seu papel no Sistema Internacional, acusando favorecimento da organização a outros Estados e demonstrando uma conturbada relação. Porém, tudo isso foi encarado por Guterres, e atualmente, com as eleições de Joe Biden, essa relação está no caminho da melhora. Com sua reeleição contando com o suporte do Conselho de Segurança, há de se esperar a colheita de grandes frutos para as relações multilaterais do mundo todo.
A cooperação é imprescindível para o avanço da humanidade nos novos rumos que devem ser tomados. Segundo a ONU, Guterres fala em “Nações Unidas 2.0”, pois a pandemia mostrou as fragilidades que o atual sistema possui e a necessidade de uma ação coletiva.
Segundo Immanuel Wallerstein (1974), autor da Teoria Sistema-Mundo, os Estados se diferenciam de acordo com a lógica de acúmulo de capital: os centros de poder econômico, as periferias e as semiperiferias. Assim, os países centrais, que são por sua grande maioria os Estados que outrora colonizaram e exploraram os países periféricos, concentram a maior quantidade de atributos tecnológicos e industriais, deixando para os periféricos a produção de produtos básicos. Wallerstein ainda aponta que essas regiões periféricas correm risco de perpetuar ou acentuar seu subdesenvolvimento, mantendo assim o status quo. E mesmo os países que buscam se industrializar, nunca conseguirão alcançar os centros de poder.
Desta forma, observando as crescentes mudanças do mundo e a atualidade dos conflitos existentes que levaram ao crescimento do nacionalismo, urge a necessidade de António Guterres ser um pilar para levar ao centro das discussões os problemas que assolam principalmente os países mais pobres, que foram acentuados com a crise sanitária da COVID-19. A desigualdade, a guerra, a instabilidade política, os problemas em decorrência da migração, são todos pontos chaves que determinarão o futuro das relações políticas entre os países periféricos e os centrais.
Por fim, observa-se que a tarefa de Guterres é crucial para o mundo superar a pandemia do Coronavírus e de uma forma mais humana, reunir esforços de todos os países, principalmente dos mais saudáveis economicamente. Além da crise sanitária, muitos países subdesenvolvidos passam por crises humanitárias, assolados por guerras, pobreza, fome, etc. São muitos percalços que dificultam o desenvolvimento de países mais pobres, e no atual momento as “Nações Unidas 2.0” e a liderança de António Guterres devem se fazer presentes, para um mundo muito mais justo e muito mais tolerante com o próximo.

REFERÊNCIAS

ONU News. Secretário-Geral António Guterres. https://news.un.org/pt/focus/antonio-guterres

ONU News. Reeleito secretário-geral por aclamação, Guterres fala em Nações Unidas 2.0. https://news.un.org/pt/story/2021/06/1754132

WALLERSTEIN, Immanuel M. The modern world system. New York: Academic press, 1974.

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