Slow Fashion: o mundo da moda e os Direitos Humanos

Stefany Campolungo – Acadêmica do 2º semestre de Relações Internacionais.

Até hoje, o mundo da moda é considerado um dos meios mais belos de se fazer arte. Seus tecidos diferenciados, cores exuberantes e estampas inovadoras fazem com que cada vez mais pessoas procurem saber sobre esse ramo artístico. Contudo, assim como tudo no mundo passa por mudanças, com a moda não foi diferente. Com o avanço da política neoliberal e a atuação de transnacionais, durante a década de 1970, empresas preferiam mudar suas fábricas para diversos lugares da Ásia, onde a mão de obra era baixíssima. As poucas políticas humanas e ambientais da época fizeram com que o movimento fast fashion tomasse conta de diversos países por conta da confecção rápida e barata.
Thomas Marshall, analisando a evolução da cidadania, associou-a então ao progresso dos direitos humanos, falando que esse é um fenômeno em desenvolvimento progressivo e que existem diferenças coletivas que são metaindividuais, que envolvem desigualdades econômicas, sociais, culturais, ambientais, políticas e civis de grupos sociais ou de várias nações. A perda de tais direitos cria situações desfavoráveis para o desenvolvimento humano.
Os escândalos humanitários envolvendo trabalho escravo nas fábricas têxtis e a agressão ao meio ambiente fez com que um movimento contrário aparecesse: o slow fashion. O movimento abraça a causa sustentável, sendo transparente com o consumidor, sem omitir a origem de suas roupas. Outro conceito da “moda lenta” é a quebra do consumismo em relação às famosas “temporadas da moda”, ou seja, fornecer produtos de vida longa que ainda estão na tendência; a presença da reutilização das peças como outros tipos de acessório e decoração também é característica desse movimento, que, mesmo tendo desgaste, ainda podem ser usadas de alguma forma.
O movimento se torna maior a cada dia, mostrando o lado obscuro e nada bonito da moda rápida. Para Schulte e Lopes (2008), os desafios da moda ecológica vão desde a matéria prima usada até o descarte de tal roupa. Apesar de existirem países com legislações para a diminuição de danos no meio ambiente, questões humanitárias ainda ficam de fora muita das vezes. Mesmo com a moda lenta abraçando tais causas humanitárias, ainda se tem muito a mostrar sobre a violação dos direitos humanos das pessoas que trabalham diariamente em fábricas da moda rápida em troca de pouco dinheiro para se sustentarem.
A moda sustentável tem um longo caminho a percorrer para ser presente em nossa sociedade; em um mundo onde todos estão com pressa, a sociedade acaba normalizando ações desumanas de empresas transnacionais, por conta não só da marca, mas também por seu preço, influência e modelo, esquecendo que as mãos que costuraram aquela peça, são mãos escravas do consumismo desenfreado e do capitalismo inacabável.

REFERÊNCIAS:

LEGNAIOLI. Stella. O que é slow fashion e por que adotar essa moda?. Disponível em: < https://internacionaldaamazonia.com/2021/06/11/direito-dos-animais-uma-questao-de-amor/&gt;

MARSHALL. Thomas. Cidadania, Classe Social e Status. 1983. Disponível em: < https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/999642/mod_resource/content/1/MARSHALL%2C%20T.%20H.%20Cidadania-Classe-Social-e-Status.pdf&gt;

VIEGAS. Juliana. Moda e Relações Internacionais: um estudo de caso do projeto “iniciativa para uma moda ética”. 2017. Disponível em: < https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/235/11347/1/21392055.pdf&gt;

SCHULTER, N. LOPES, L. Sustentabilidade Ambiental: um desafio para a moda. 2008. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/modapalavra/article/view/7601/5107

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