Yasmin Garcia – Acadêmica do 3º Semestre de Relações Internacionais

Baseado em fatos reais, Capitão Phillips (2013), foi dirigido por Paul Greengrass – nomeado ao Oscar por United 93 (2006) -, e estrelado por Tom Hanks, teve sua bilheteria superior a US$ 164 milhões em seu ano de estreia. O longa retratou a história verídica de Richard Phillips e o ataque em seu navio por piratas somalis.
O MV Maersk Alabama estava no Golfo de Áden, ao norte da costa da Somália, em direção a Moçamba, quando foi invadido, em 2009. O risco naquela região já era conhecida, por isso, o capitão estadunidense reforçou a segurança do navio, que transportava mercadorias. Não obstante, Abduwali Muse e sua gangue conseguiram subir na embarcação e manter os funcionários como reféns. Os mesmos exigem dinheiro, e aprisionam Phillips e sua equipe ali, impedindo-os de fugir.
No final, a Marinha – que já havia sido acionada no dia anterior ao ataque, pela percepção de ameaça por parte do capitão – consegue convencer Muse a libertar a tripulação, e então ele é dominado e mantido sob custódia, acusado de pirataria.
Apesar de ser uma produção cinematográfica, eventos supracitados acontecem diariamente nas regiões chamadas Águas Internacionais.
Estas são denominadas de tal maneira pois não estão sob a soberania de Estado algum. Conforme o artigo 76º da Convenção de Montego Bay (1982), cada país possui por direito 200 milhas náuticas, nas quais eles podem interferir. Qualquer área fora dessa distância não pode ser explorada legalmente, e os navios podem navegar livremente por elas.
No entanto, justamente por ser um local sem leis fixas, o alto-mar tem vários empecilhos; pode-se citar a segurança como um dos principais. A presença de piratas nestas áreas são recorrentes, o que prejudica os indivíduos em si e o comércio internacional. É exatamente isso o que aconteceu no filme: os tripulantes do navio norte-americano arriscaram sua segurança ao passar justamente por uma área “sem dono”.
Embora apresente um patriotismo exacerbado, a obra de Greengrass merece ser enaltecida. São mostrados os dois lados da moeda: Richard Phillips – o capitão do navio – e Abduwail Muse – o chefe dos “piratas”. Consegue-se ver e entender os dois pontos de vista; não tendo, portanto, um vilão definido e explícito.
Para quem gosta de drama e suspense, é uma ótima indicação para assistir e aprender um pouco sobre como as Águas Internacionais são regidas, assunto que tem cada vez mais visibilidade hodiernamente.