A INVASÃO DO IRAQUE COMO FORMA DE PREVENÇÃO ESTRATÉGICA

Eduardo Oliveira – acadêmico do 7° semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

Os atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova Iorque, assim como a Guerra Fria, ou até a Primavera Árabe, são pontos de referência analítica para qualquer internacionalista, pois estes fatos possibilitaram novas dinâmicas, instituindo novos modus operandi nas tratativas internacionais de maneira geral.

Iniciada no dia 20 de março de 2003, tendo como ponto culminante os atentados no Word Trade Center, tropas anglo-estadunidenses invadem o Iraque, liderado até então pelo ditador Saddam Hussein, com o objetivo de assegurar a paz mundial, interceptando a utilização do arsenal de armas químicas e de destruição em massa em inimigos políticos de Saddam.

Mesmo não tendo comprovação fática da existência deste arsenal, os Estados Unidos da América, agindo de maneira racional e pensando no bem comum, se fez dotar da utilização do conceito estratégico da Guerra Preventiva, a qual é caracterizada pela capacidade de desencorajar o adversário a aprofundar a formulação e execução de ações que negativamente impactam os seus interesses ou que relativamente reduzam o seu poderio em curto, médio ou longo prazo (ARRAES, 2013, p.102).

Fora o divulgado pela grande mídia, Saddam Hussein foi responsável por inúmeros atentados, como o lançamento de agentes químicos sobre civis em Halabja, com aproximadamente 5 mil curdos mortos e mais de 10 mil feridos. Outro exemplo é a execução, em 1983, de aproximadamente 8 mil membros da “tribo” Barzani. Além dos citados, uma extensa lista de exemplos que, além de legitimar uma intervenção emergencial contra o regime de Saddam, culminaram a sua execução após condenação pelo Tribunal Penal Iraquiano.

O princípio da Guerra Preventiva se justifica pela imprevisibilidade das ações do adversário, fato que é tratado em MEARSHEIMER (2001), tornando imperativa a adoção de medidas profiláticas frente ao perigo iminente.

Anterior a invasão ao país, os Estados Unidos, junto aos demais estados-membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, se reuniram a fim de legitimar a excursão, não obtendo a aprovação.

É um tanto quanto ilógico pensar nesta “não aprovação” em um cenário não marcado pelos interesses particulares dos outros 4 membros do Conselho de Segurança. A ONU é uma instituição fundada sob a égide dos direitos humanos e proteção democrática. Por isso, o não apoio exemplifica a sua ineficácia em eventos emergenciais. Na verdade, através de suas instituições que apregoam o universalismo, a organização é tão cheia de interesses escusos quanto àqueles que ela julga.

O regime de Saddam Hussein era tão destrutivo ao povo do Oriente Médio quanto era para o ocidente. Dessa forma, precisam ser questionadas as medidas puramente conjunturais e ineficazes que difundem promessas vazias de retornos positivos a longo prazo, pois, nem mesmo as organizações de cunho pacífico estão isentas de interesses internos, até porque ninguém tem a capacidade de fugir da característica narcótica do poder.

REFERÊNCIAS:

ARRAES, Virgílio; GEHRE, Thiago. Introdução ao Estudo das Relações Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2013.

Invasão Americana no Iraque. História do Mundo, 2013 [?]. Disponível em: https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/invasao-americana-no-iraque.htm   Acesso em: 18, jan. 2020.

Iraque – Após invasão, tropas americanas permanecem no Iraque. Uol educação, 2017 [?]. Disponível em: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/iraque-apos-invasao-tropas-americanas-permanecem-no-iraque.htm. Acesso em: 15, jan. 2020.

Veja outros crimes imputados ao regime de Saddam Hussein. Globo.com, 2006. Disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,AA1338493-5602,00-VEJA+OUTROS+CRIMES+IMPUTADOS+AO+REGIME+DE+SADDAM+HUSSEIN.html Acesso em: 14, janeiro. 2020.

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