Resenha – Jojo Rabbit (2020)

Yasmin Garcia – Acadêmica do 3° semestre de Relações Internacionais

Lançado em 6 de fevereiro de 2020, Jojo Rabbit se passa na Alemanha nazista do final da Segunda Guerra Mundial, contando a história de Johannes (Jojo), um menino de 10 anos fanático e devoto pelo nazismo de Hitler – quem, inclusive, é seu melhor amigo imaginário durante a trama -, que se vê em um impasse quando descobre uma garota judia, Elsa, que sua mãe esconde em uma passagem no quarto da irmã falecida de Jojo, Inge. Após algumas tentativas de tentar expulsá-la de lá, o menino começa a desenvolver certa empatia pela jovem, aprendendo e desmistificando fatos inventados pelos alemães sobre o povo judeu.

Sobre as Relações Internacionais, o filme é todo relacionado à Segunda Guerra Mundial, especificamente o seu fim, pois, mostra, levemente, algumas marcas históricas dela. Em 1943, Adolf ocupou a Itália, por causa dos romanos. Em 1944, o exército vermelho afastou cada vez mais os invasores, assim, um país depois do outro caiu nas mãos da União soviética. Apesar de suas derrotas contínuas depois da reviravolta em Stalingrado, Hitler se demonstrava otimista e esperançoso em dar a vota por cima, o que é muito bem retratado no filme: Johannes, fanático e devoto, acreditava inabalavelmente na vitória alemã sobre os adversários; já sua mãe, parte da resistência, já tinha certeza da derrota nazista.

Por fim, em 8 de maio de 1945, após 6 anos de guerra, os nazistas se renderam e para não ser capturado, Hitler se suicidou em 30 de abril.  Por isso, a Alemanha, após todos os conflitos estava destruída e milhões de pessoas morreram em consequência a esse acontecimento histórico e isso também é exposto no longa. Apesar de pequena, a cidade onde se passa é alvo de bombardeios e o caos se instala nos últimos minutos da comédia-dramática; ademais, fato extremamente ironizante é que os soldados que ajudam e salvam a pátria fazem parte do grupo dos Aliados (Inglaterra, Estados Unidos, e etc.), expondo a derrota alemã para com os países “heróis”.

Analisar o filme supracitado é tarefa interessante e instigante, haja vista que ele consegue, de modo glorioso, misturar o drama e a comédia – além de abordar temáticas culturais essenciais de entendimento. Por isso, em primeiro plano, faz-se necessária a sondagem do personagem principal da drama: Jojo, pois, ele é o perfeito modelo de uma criança influenciada fortemente pelos padrões nazistas do século XX, porque ele era tão admirador, que até seu melhor amigo imaginário é Adolf Hitler, de um jeito bem mais infantilizado e satírico. Mas, percebe-se que o jovem se vê confuso quando constata que todas as histórias contadas sobre o povo judeu não passam de mentiras etnocêntricas e racistas, inventadas pelo “hitlerismo”.

 Dessa forma, na trama, pode-se ver uma explícita conjuntura de etnocentrismo misturado ao racismo, pois, os alemães, vendo a si próprios como a raça mais forte e melhor desenvolvida, achavam-se no direito de exterminar os judeus – descivilizados e submissos -, a fim de “limpar” a sociedade desse mal; no longa-metragem, por exemplo, cenas de pessoas judias enforcadas em praça pública são recorrentes – servindo como uma ameaça e forma de mostrar a inferioridade semítica (muito reforçada pelos nazistas na trama).

Mas também, vale ressaltar a importância de Elsa para o desenvolvimento de Johannes, pois, ela é consciente de todas as injúrias feitas ao seu povo e até mesmo debocha disso ao conversar com o garotinho. Assim, após algum tempo de convivência com a garota, o mini-nazista passa a ter conflitos internos significativos, representados por brigas que ocorrem contra “Hitler”, tudo isso motivado pela jovem judia: ao ver a formação do garoto, ela tenta – e obtém sucesso – mostrá-lo e ensiná-lo mais sobre a cultura e história judaica, extinguindo vários preconceitos da cabeça do garoto – a aparência monstruosa, a lavagem cerebral, entre outros temas, são desmentidos e aos poucos, Jojo substitui o etnocentrismo pela empatia e compaixão.

Portanto, infere-se o peso histórico, social e cultural desse filme, visto que, ele mesmo trata de assuntos tão fulcrais para a compreensão de muitos fatores integrantes da cultura e antropologia.

REFERÊNCIAS

Disponível em <https://www.dw.com/pt-br/1945-capitula%C3%A7%C3%A3o-da-alemanha-na-2%C2%AA-guerra/a-514943>

Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=n5jPm8BE5Dw>

Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=pyADzTk1ViM>

Mamilos Culturais #01: Jojo Rabbit, resistência e quebra de preconceito. [Locução de]: Ju Wallauer e Cris Bartis. São Paulo: 11 de setembro de 2020. Disponível em: <https://open.spotify.com/show/39IqvZCSC52QAehb4b4aaR?si=lIG0vJ01SPCJ68n6uYgRFQ.> Acesso em 21 de setembro de 2020


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