Perspectivas para a relação Brasil-China

Acadêmicos do 6° semestre de Relações Internacionais da UNAMA:

Jorge Malheiros

Karla Larissa Schoemberger

Vitória Machado Guarany

Nathália Yuki Kawai

Com a troca de governo de Lula para Bolsonaro, em 2018, percebe-se que as relações com o Estado chinês entraram em um declínio e vem acontecendo uma piora desde então. A partir disso, o debate sobre como vai seguir a relação Brasil-China nos próximos anos do governo Bolsonaro, e a próxima gestão, está sendo colocada em pauta com frequência por alguns especialistas, diplomatas e estudiosos, e dependendo de como vai seguir essa relação, poderia afetar diretamente os BRICS.

O cenário internacional precedeu o início da relação entre Brasil e China, que foi a ordem bipolar marcante do pós-Segunda Guerra, somado a isso, outros aspectos importantes foi a criação de instituições multilaterais de governança mundial e a aplicação da tecnologia nuclear para fins bélicos (HOLANDA, 2016). Enquanto a China encarava o novo cenário como sendo inevitável o enfrentamento do capitalismo estadunidense, também focava na intensificação de reformas econômicas, para dessa forma consolidar a República Popular da China. Nesse período o Brasil passava por mudanças de cunho social e econômico, o processo de substituição de importação deu origem a classe industrial e a base operária, porém frisa que a política externa brasileira estava a serviço do desenvolvimento e por isso buscaria novas oportunidades de negócios com a RPC.

A relação Brasil-China se mostrou favorável para ambos países que se tornaram fortes parceiros comerciais, mesmo que haja uma clara diferença entre o que é exportado, enquanto a China exporta produtos mais tecnológicos o Brasil se mantém preso à exportação primária. Assim, empresas multinacionais chinesas têm buscado, muitas vezes com apoio do governo chinês, diversas maneiras para aumentar seu comércio e investimentos internacionais gerando uma situação altamente favorável para negócios chineses no Brasil (BECARD; PLATIAU; OLIVEIRA, 2015).

O contexto das relações entre os Estados brasileiro e chinês atualmente caracteriza-se pela China em ascensão, tentando ganhar voz no cenário internacional e poder nas mesas de negociações, enquanto o Brasil, um país ainda subdesenvolvido, pratica um alinhamento bilateral com os Estados Unidos.No atual governo essa falta de estratégia somou-se a um afastamento em relação ao nosso maior parceiro comercial, junto a uma série de críticas e atitudes conflitantes, esse alinhamento bilateral com os EUA revelou-se prejudicial para o Brasil já que a aliança ideológica não resultou em aumento no comércio bilateral, mas gerou déficit na balança comercial. Está parceria, além de não agregar bons resultados ao Estado brasileiro se tornou uma barreira nas relações do Brasil-China assim o país passou a tomar partido.

Apesar de muitos especialistas que estudam a política externa brasileira afirmarem que o Brasil vai sair perdendo se manter esse desgaste nas relações com a China, há especialistas que discordam disso, como o professor Dingding Chen de relações internacionais da Jinan University, em Guangzhou, e diretor do Intellisia Institute, afirma que o Brasil pode sair perdendo a curto prazo mas a longo prazo a China pode ser mais prejudicada em ter relações ruins com o Brasil. Isso porque a meta deles é além de ser uma potência global também é ser influente em todos os cantos do mundo, de acordo com o professor, o cenário de tensões políticas que está acontecendo atualmente entre a China e alguns de seus parceiros comerciais é realidade nova para o país e ele vai ter que “ajustar suas políticas domésticas e sua diplomacia para permitir um reequilíbrio da economia mundial e desfazer a resistência que existe contra o país em diferentes segmentos no Ocidente”. (CHADE, 2020).

À luz desses fatores podemos dizer que os dois lados estão corretos, e para amenizar em parte essas perdas uma estratégia que o Estado chinês está usando é a intensificação suas relações com o continente africano o tornando seu segundo maior parceira comercial perdendo apenas para o Brasil até o momento (PACHECO; RITA, 2018). Essa aproximação pode resultar em uma substituição de parceiros brasileiros para africanos visto que os dois países são especialistas em commodities. O que não se aplicaria ao Brasil, caso decida não mudar o tom do seu governo para mais brando e consequentemente continuar mantendo esse desgaste na relação com seu maior parceiro comercial, se manter de costas para suas cooperações Sul-Sul, e continuar em uma relação unilateral com os EUA ou mudar para uma relação ruim, dependendo de como o governo de Biden vai tratar a relação com o Brasil, ele tende a declinar mais e mais dentro do cenário internacional.

Nunca foi de interesse da China que o Brasil conseguisse adentrar no CSNU pois isso significava para ele uma perda de influência regional, como observou o professor Marco Aurélio Garcia, que era assessor especial da presidência da república. Desde 2006, a China mostrava, na sua política externa, seu interesse de manter o status quo em relação ao CSNU (JUNIOR, 2010). Entretanto, esse quadro poderia ser diferente no cenário atual se o Brasil continuasse a construir estrategicamente sua imagem dentro do cenário internacional ganhando influência com suas cooperações Sul-Sul e se tornando um parceiro estratégico para a China, porém devido a situação atual a China e a Rússia, mesmo como membros do BRICS, vão continuar sem dar apoio a reforma do conselho de segurança da ONU.

REFERÊNCIAS

BECARD, Danielly Ramos; PLATIAU, Ana Flávia Barros; OLIVEIRA, Carina Costa de. O Brasil, a China e a VI Cúpula do BRICS. Contexto int. vol.37 no.1 Rio de Janeiro Jan./Apr. 2015.

CHADE, Jamil. China perde mais que Brasil com relação ruim entre países, diz professor. UOL. 2020. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/08/10/relacao-brasil-china.htm?cmpid=copiaecola>. Acesso em: 29/11/2020.

GUIMARÃES, Arthur; CARVALHO, Thales. O atual contexto da política do Brasil para a China. Diário do Comércio. 6 jun. 2020. Disponível em: https://diariodocomercio.com.br/opiniao/o-atual-contexto-da-politica-do-brasil-para-a-china. Acesso em: 01/12/2020.

HOLANDA, Francisco Mauro Brasil de (2016). “40 anos das relações Brasil-China: de onde viemos, onde estamos, para onde vamos”. IN: LIMA, Sérgio Eduardo Moreira. (organizador). Brasil e China : 40 anos de relações diplomáticas : análises e documentos/  Brasília : FUNAG. Pp.: 35-56.

JUNIOR, Oswaldo Biato. A Parceria Estratégica Sino-Brasileira: Origens, Evolução e Perspectivas (1993-2006). / Oswaldo Biato Junior. – Brasília: FUNAG, 2010.

PACHECO, Bárbara Luana Pereira; RITA, Leonardo Coelho Assunção Santa. Presença da China na África: Novo desenvolvimento ou novo colonialismo? Conjuntura Internacional. 2018. Disponível em: <https://pucminasconjuntura.wordpress.com/2018/10/19/presenca-da-china-na-africa-novo-desenvolvimento-ou-novo-colonialismo/>. Acesso em: 01/12/2020.

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