Acadêmicos do 6º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Brenda Sousa

Luiz Sampaio

Mattheus Oliveira

Naiara Costa

A relação diplomática entre o Brasil e a China existe desde do século XIX, porém somente a partir do final do século XX, graças a priorização da relação sul-sul, os países desenvolveram laços comerciais sólidos ao ponto de o gigante asiático tornar-se o maior parceiro comercial da potência sul-americana em 2009. Em consonância a isso, os governos de  Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer mantiveram a cooperação Sino-Brasileira, uma vez que se percebia a importância chinesa e a necessidade de o governo brasileiro manter status-quo destas relações. Entretanto, desde a ascensão Jair Bolsonaro ao poder em 2019, juntamente com instabilidade política gerada pelo Impeachment de Dilma, os tratos com esse país passaram a ser cada vez mais instáveis.

Durante seu governo, Jair Bolsonaro manteve uma relação com a China muito contraditória. Enquanto durante sua campanha presidencial em 2018 Bolsonaro deu declarações polêmicas e chegou a afrontar seu parceiro do BRICS ao visitar Taiwan; em 2019 a relação com o país asiático foi relativamente amigável, ao passo em que o presidente brasileiro buscou manter uma relação mais próxima China, fazendo visitas ao país e interagindo harmonicamente com o líder chinês, ressaltando a importância da cooperação entre as duas nações, pautando-se na multilateralidade.

Porém, em 2020, as relações Sino-Brasileira se deterioraram imensamente devido ao advento da pandemia e ao alinhamento automático adotado por Bolsonaro para com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além disso, houve um agravamento da situação em virtude das declarações do Eduardo Bolsonaro – filho do presidente do Brasil – de cunho xenofóbico quanto a China.

No artigo “Geopolítica e diplomacia em tempos de Covid-19: Brasil e China no limiar de um contencioso” de Pablo Ibañez (2020) é encontrado uma análise sobre o momento geopolítico estarrecedoramente desafiador no qual se desenrola a guerra comercial – até mesmo diplomática-cultural -, sem precedentes, entre às duas grandes nações hegemônicas – Estados Unidos e China-; e são apontadas as consequências decorrentes do alinhamento automático do Brasil com os EUA, e como isto gerou a maior crise diplomática entre o Brasil e a China dos últimos tempos. Somando tal fato com os desastres diplomáticos entre estes 2 Estados, percebe-se o quanto esse cenário é extremamente prejudicial ao Brasil, já que não somente a China é seu maior parceiro comercial, mas também o país é um poderoso ator no cenário global, sendo a maior economia mundial – com uma grande atuação no campo diplomático.

Portanto, é de suma importância que se estude a fundo a situação em que as relações Sino-Brasileiras encontram-se, pois somente assim podemos trabalhar em função da imprescindível necessidade de se reverter os danos e fortalecer os laços entre o Brasil e a China, visto que aquele, pelo menos no momento, não pode sobreviver no palco internacional sem esta.

REFERÊNCIA

ALMEIDA, Jorge. Tapas e beijos: as relações Brasil-China no governo Bolsonaro. Le Monde Diplomatique Brasil, [S. l.], 17 set. 2020. Disponível em: <https://diplomatique.org.br/tapas-e-beijos-as-relacoes-brasil-china-no-governo-bols onaro/.> Acesso em: 30 nov. 2020.

BRASIL e China firmam acordos em áreas como política, comércio e saúde: Bolsonaro se reuniu hoje com presidente Xi Jiping em Brasília. Agência Brasil, [S. l.], 2 mar. 2020. Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2019-11/brasil-e-china firmam-acordos-em-areas-como-politica-comercio-e-saude.> Acesso em: 29 nov. 2020.

IBAÑEZ, Pablo. Geopolítica e diplomacia em tempos de Covid-19: Brasil e China no limiar de um contencioso. Espaço e Economia. Revista brasileira de geografia econômica, n. 18, 2020. Disponivel em: <https://journals.openedition.org/espacoeconomia/13257&gt; Acesso em: 30 nov. 2020

Eduardo Bolsonaro diz que culpa de pandemia do coronavírus é da China. Uol,   18        de        mar.          de        2020.   Disponível      em: <https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/03/18/sem-provas-eduardo- bolsonaro-diz-que-culpa-da-pandemia-e-da-china.htm> Acesso em: 29 nov. 2020.

VADELL, Javier; RAMOS, Leonardo. The 5 role of declining Brazil and ascending China in the BRICS initiative. In: The International Political Economy of the BRICS. Routledge, 2019. p. 75-94. Disponível em: <https://books.google.com/books?hl=pt-BR&lr=&id=BuOLDwAAQBAJ&oi=fnd&pg=P A75&ots=fAaa8BcjJz&sig=Ib3g1KncOKDrxcCGFUlqXDU93Cs>.

BRUM, Eliane. Brasil, construtor de ruínas: Um olhar sobre o Brasil, de Lula a Bolsonaro. Arquipélago Editorial, 2019. Disponível em: https://books.google.com.br/books?hl=ptBR&lr=&id=fpO0DwAAQBAJ&oi=fnd&pg=PT2&dq=BRUM,+Eliane.+Brasil,+construtor+de+ru%C3%ADnas:+Um+olhar+sobe+o+Brasil,+de+Lula+a+Bolsonaro.+Arquip%C3%A9lago+Editorial,&ots=MuZjIQCmp&sig=sKSgOujDlcZm2kQRG6W1T1wM3GU#v=onepage&q=BRUM%2C%20Eliae.%20Brasil%2C%20construtor%20de%20ru%C3%ADnas%3A%20Um%20olhar%0sobre%20o%20Brasil%2C%20de%20Lula%20a%20Bolsonaro.%20Arquip%C3%A9lago%20Editorial%2C&f=false&gt; Acesso em: 30 nov 2020.