Acadêmicos (as) do 6° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Eduardo Soares Neves de Oliveira

Giovanna de Lima Pereira

Henrique Seiji Kuroda

Paula de Souza Castro

Iane Andrade Pessoa

As diretrizes da Política Externa dos dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC) seguiram parâmetros tradicionais: o pacifismo, o respeito ao direito internacional, a defesa dos princípios de autodeterminação e não-intervenção, e o pragmatismo como instrumento necessário e eficaz à defesa dos interesses do país (VIGEVANI, OLIVEIRA, CINTRA; 2003). Assim, a sua política externa foi marcada pelo lema “autonomia pela integração”. Durante seu governo, o objetivo era projetar o Brasil internacionalmente, sem deixar de lado as relações diplomáticas regionais, ou seja, diversificar os parceiros do Brasil, mas também fortalecer sua relação com os países da América Latina, sendo o MERCOSUL fundamental durante sua administração.
A busca por fortalecimento de relações diplomáticas com países Latino Americanos impulsionou o Brasil a buscar ainda mais parcerias com países do Sul Global como a Índia e a China, além de buscar equilibrar o diálogo com os Estados Unidos. Assim, FHC adota em sua política externa teor pragmático na medida em que diversifica parcerias comerciais estratégicas buscando, na Ásia, oportunidades de negociação engendradas na lógica da reciprocidade. Este governo é marcado pela retomada do multilateralismo fora dos moldes estadunidenses e altos índices de integração regional através da construção da convergência política.
A busca de parceiros como a China, visava garantir a estruturação das novas agendas nacionais, como infraestrutura e a de políticas sociais, além de elevar o nível de competitividade do país a nível internacional. O nível da parceria sino-brasileira cresceu muito ao longo dos oito anos de mandato de FHC, tendo seu ápice no ano de 2002, quando a China atinge a posição de 2º maior partner comercial do Brasil (VIGEVANI, 2003). Avanços como as concessões bilaterais durante o processo de entrada da China na OMC, aproximaram ainda mais os dois países. Além disso é visível o aumento exponencial do número de exportações para a China, sem contar no envio à órbita do primeiro satélite sino-brasileiro e as diversas feiras de negócios de empresas brasileiras no país.

Neste governo, o aprofundamento das relações com a Ásia, especialmente com a China, foi de fundamental importância para a perpetuação de relações comerciais recíprocas ao modo win win. Apesar de todas as ações feitas, este aprofundamento de relações se chocou com o período histórico no final desta respectiva década citada. No início de 1999, a Crise Asiática coincidiu com a já presente Crise Brasileira que deterioraram as relações econômicas entre o Brasil a China e também com os Tigres Asiáticos que não impactaram nas relações políticas necessariamente, mas que podemos ver que potencialmente prejudicou os interesses econômicos que o presidente FHC teve com as relações entre esses países.
Apesar disso, o alinhamento político entre o Brasil e a China foi crucial para as ambições de FHC que acreditou que a integração seria chave para a autonomia brasileira no cenário internacional. Os frutos do alinhamento vieram em forma de benefícios para a economia nacional por meio de joint-ventures entre empresas brasileiras e chinesas além da permissão de exportação de bens de consumo como carne aviária e bovina para a China. Assim, percebemos como a parceria foi se intensificando ao longo dos anos e que foi passível de reforço pelos governos posteriores que não seriam possíveis sem a virada de chave feita nos anos 90 que começou a princípio com a abertura econômica feita por Collor mas que de fato foi feita com FHC em alinhamento com a esfera política e com um presente pragmatismo profundamente alinhado com o novo cenário pós Guerra Fria.
Atualmente, ao analisarmos as políticas do atual presidente Jair Bolsonaro, nota-se que estas são elaboradas e implementadas a partir de uma ideologia com viés mais conservador e isolacionista, pautados em valores nacionalistas e anticomunistas. Podemos observar que houve uma quebra das tradições diplomática, cosmopolita e pacifista do país. Com Bolsonaro, diversas mudanças ocorreram na PEB, e em sua maioria, refletiu os impactos negativos na relação do país com a China e sua imagem internacional, além de deixar para o esquecimento todo o bom histórico da Política Externa, em específico, a do governo de FHC.

Nos dias atuais, o presidente brasileiro priorizou um alinhamento automático com os Estados Unidos, maior concorrente comercial da China, escolhendo os estadunidenses em detrimento de uma sólida relação econômica e diplomática com a China. Todavia, Jair Bolsonaro não apenas se posiciona a favor dos EUA, como também adota o mesmo discurso de Trump em Relação a China, ao Coronavírus e ao meio ambiente.
Desta forma, pode concluir-se que o governo FHC fora marcado por uma ideologia pragmática, que visava o desenvolvimento brasileiro e a diversificação de seus parceiros, dando prioridade às relações com países desenvolvidos e às organizações internacionais, como uma ferramenta de manter sua imagem de prestígio e de obter maior inserção no cenário global. Enquanto, o governo de Jair Bolsonaro preza por rupturas na tradição diplomática e afastamento de aliados estratégicos, como a China, resultando em complicações para o Estado brasileiro.

REFERÊNCIAS:

GONÇALVES, Rodrigo Santaella. Teoria e Prática em Fernando Henrique Cardoso: da nacionalização do marxismo ao pragmatismo político (1958-1994). São Paulo: Universidade de São Paulo, 2018.

DE OLIVEIRA, Henrique Altemani. Brasil-China: trinta anos de uma parceria estratégica. Brasília: Revista Brasileira de Política Internacional, ISSN 0034-7329 On-line version ISSN 1983-3121, 2004.

VIGEVANI, Tullo; DE OLIVEIRA, Marcelo F.; CINTRA, Rodrigo. Política externa no período FHC: a busca de autonomia pela integração. São Paulo: ISSN 0103-2070 On-line version ISSN 18

DE PAIVA, Dênis Mateus. Relações de Investimentos e Comércio entre o Brasil e China no Contexto da Rápida Expansão Chinesa e da Trajetória Recente da Economia Brasileira. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2014.

CERVO, Amado Luiz; BUENO, Clodoaldo. História da Política Exterior do Brasil. Brasília: Instituto Brasileiro de Relações Internacionais/Editora da Universidade de Brasília, 2002, 525 p. ISBN 85-230-0661-3.

MOREIRA LIMA, Sérgio Eduardo. Brasil e China: 40 anos de Relações Diplomáticas. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão/Ministério das Relações Exteriores, 2016.