“Lembre de mim”: Finados como expressão cultural no mundo.

Eduarda Gonçalves – Acadêmica do 2° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Na cultura cristã, desde o século II, há indícios que alguns cristãos oravam pelas almas dos que já haviam partido. No século V, a Igreja Católica passou a dedicar um dia do ano para rezar por todos os falecidos; já no século XIII, com a tradição tendo sido perdurada ao longo dos séculos passados, ficou estabelecido que o dia 2 de Novembro seria o Dia dos Fiéis Defuntos, também conhecido como Dia dos Finados ou Dia dos Mortos, sendo um dia após o Dia de Todos os Santos.
Atualmente, diversos países ao redor do mundo ainda celebram esse dia deixado pela herança cristã, mas, cada país tem o seu jeito, ou seja, cada país segue a sua cultura e as suas crenças. Este dia é uma forma de homenagear e relembrar todos os entes queridos falecidos, mantendo não somente a chama cultural acesa, mas também, a chama da memória dos mortos.
Quando esta data é citada, a imagem que vem à mente é sobre o México, devido às comemorações, que são mundialmente conhecidas, sendo de três dias duração, em que as festanças coloridas celebram a memória e a vida dos falecidos de modo animado, altares com fotos, comidas, bebidas e itens pessoais dos mortos, horando e revivendo o legado dos que já partiram; essa comemoração tem o embasamento não somente cristão, mas também, é asteca. Dessa forma, este dia mostra a influência que os fatores nacionais proporcionam na dinamicidade de tradições como esta, situada no mundo todo.
O Haiti é outro exemplo claro do quanto as características culturais de cada povo conseguem moldar uma tradição. No país em que a religião vodu é majoritária, as comemorações católicas são realizadas pela manhã, com tradições muito parecidas com as brasileiras, tais como: ir à missa pela manhã, visitar o cemitério com flores para ornamentar a lápide; já os rituais do vodu são regados de ofertas de comidas e bebidas aos mortos, os tambores e as cantigas entoadas rasgam o silêncio da madrugada para acordar Baron Samedi, deus dos Mortos segundo a religião vodu.
Ao ter o Dia dos Finados em ambos países sob análise, é notório que, apesar de tratar-se do mesmo feriado com as mesmas intenções – homenagear e relembrar os indivíduos que partiram – há modos de expressões culturais divergentes devido aos fatores internos do país como religião, os povos nativos, história do país e entre diversos motivos.
Há diversas outras nações que poderiam ser citadas por possuírem alguma característica única na forma de celebração do feriado, o que apenas reforça mais a ideia da fortíssima pluralidade cultural que o feriado, não somente do Finados, como diversos outros, de cunho internacional, sofreram ao ter contato com outro país.
Essa “sincretização” cultural, que ocorreu do século II até os dias atuais, é importante não somente para que um povo consiga se sentir representado naquela data, mas também, para que a manifestação da expressão cultural nacional ocorra, tornando aquele evento especial e único.

REFERÊNCIAS
BRITTES LEMOS, M.T.T. Práticas religiosas e representações simbólicas – Festas e ritualidades: O Dia dos Mortos no México. Fortaleza, 2009. UNIMONTE.

Sabia que o dia dos finados é celebrado em diferentes países? Disponível em < https://www.unimonte.br/blog/sabia-que-o-dia-de-finados-e-celebrado-em-diferentes-paises/ > Acesso em: 30 de Outubro de 2020

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