RESENHA: V DE VINGANÇA (2005)

Maria Bethânia Gomes Galvão – acadêmica do 2º semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

O filme V de Vingança, disponível na Netflix, possui como cenário a Inglaterra dominada por um regime totalitário, os direitos da população, as formas de expressão e crítica são controlados e censurados, a mídia representa as propagandas do Estado do governo de Sutler. Nesse cenário, surge V como um anti-herói, isto é, um personagem que se propõe a mudar sua realidade e ajudar a sua sociedade, mas que não possui características de um herói tradicional: ser digno, justo e correto, pois ele propõe a violência como forma de protesto e defesa.

Por conseguinte, o filme faz uma série de críticas aos governos autoritários, a começar com o absolutismo, representado pela data “5 de novembro” e pela máscara de V que faz referência à face de Guy Fawkes, um revoltoso inglês que teve participação na revolta chamada “Conspiração da Pólvora”. Também são abordados os métodos de tortura contra a população e a perseguição de opositores. Nesse sentido de “opositores” se encaixam os homossexuais, o filme retrata assuntos ligados a homossexualidade, questionando a opressão que estão submetidos os homossexuais, faz-se um adendo às produtoras do filme, as irmãs Wachowski, que são engajadas no movimento LGBT.

Sobre o enredo do filme, a inserção de um vírus na sociedade inglesa promove lucro à indústria farmacêutica estatal, em razão de essa oferecer a única cura para o vírus, o que configura uma crítica ao “Tatcherismo”, ideologia neoliberal estabelecida pelo governo inglês em meados dos anos 80, da qual as privatizações são organizadas pelo Estado que sucateia as empresas estatais e as vende a um preço irrisório, assim como a referência a sociedade de consumo e a derrocada do Estado de Bem-Estar Social.

Dessa maneira, a questão do medo configura a manipulação que governo se utiliza para que a opinião pública seja favorável a ascensão de líderes autoritários que prometem salva-los das crises, nesse caso a doença e outras potenciais ameaças.

A personagem Evey, interpretada pela atriz Natalie Portman, mulher que V salva após a tentativa de um grupo de persegui-la, é uma representação da liberdade, da esperança, a partir do resgaste de ideais que são contra o abuso de poder do Estado, pois V repassa para Evey todo o conhecimento que ele obteve para que ela passe a protagonizar o plano de derrubada do governo Sutler. Assim, V não é apenas o personagem principal, mas sim a representação de ideais libertários, sua máscara se transforma em um símbolo que influencia seus simpatizantes de qualquer parte do mundo a lutarem a favor da justiça e da liberdade.

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