A política externa da Rússia pela ótica de Mearsheimer

Ana Adrianny Nogueira – Acadêmica do 8° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

A restauração da Rússia, como uma grande potência, fundamenta-se  em uma projeção regional e mundial, com uma intensa movimentação de poder e de influência na política internacional. O considerável aumento de sua produção bélica, a recente reaproximação com a China, a intervenção política e militar na Ucrânia e na Síria e os escândalos de envolvimento em eleições estadunidenses são processos emblemáticos que configuram uma nova reorganização do sistema internacional do século XXI.

A chegada de Putin à presidência da Rússia, nos anos 2000, em um período de extrema instabilidade para o país, trouxe um novo dinamismo para o governo, para a política e para a economia. As mudanças implementadas pelo novo dinamismo possuíam um caráter expansionista e centralizador. Essas mudanças, trouxeram uma interligação entre o  internacional e o doméstico (Interméstico), assumindo assim, estes princípios como sustentação na definição e implementação de suas políticas. 

O presidente propaga uma política baseada na ideia de que o Estado russo deve ser forte e centralizado para defender a unidade territorial, os recursos e a sociedade russa em frente às ameaças que o capitalismo propaga. Além de resgatar  a ideia de soberania e a ideologia nacional, há um enaltecimento do nacionalismo como estratégia política de manutenção do poder.

O neo realismo, defendido por John J. Mearsheimer (2001), considera que o que guia a perspectiva Estatal é a busca incessante pelo poder no contexto anárquico do sistema. Dessa forma, os Estados não visam a manutenção do poder mediante à premissa de balança de poder internacional,  pois, almejam a hegemonia do sistema. (MEARSHEIMER, 2001)

O autor desenvolve uma teoria denominada de realismo ofensivo, no qual, argumenta que o Estado é o ator principal das relações internacionais, tendo como função primordial, a garantia da sobrevivência. O comportamento do Estado é originário da anarquia presente nas relações internacionais,  e  esse comportamento, demanda uma ação competitiva, do Estado, pela busca de poder, pois, “é difícil para um Estado aumentar suas próprias chances de sobrevivência sem ameaçar a sobrevivência de outro Estado’’. (MEARSHEIMER, 2001, p.36)

Posto isso, nós podemos considerar que o Estado russo tenta de todas as maneiras maximizar seu poder em busca de uma soberania Estatal, visando o alcance de um status hegemônico no sistema. O aumento significativo de sua produção bélica, a recente reaproximação com a China, a intervenção política e militar na Ucrânia e na Síria e os escândalos de envolvimento em eleições estadunidenses, podem ser considerados mecanismos estratégicos para tal fim.

A política externa se tornou mais assertiva e rígida, visando o reconhecimento de potência para seu país e uma participação mais igualitária no que tange os assuntos políticos internacionais, mostrando competência para se reconstruir no cenário nacional e internacional.

Referências:

PECEQUILO, C. S.; LUQUE, A. A. Estados Unidos e Rússia. Meridiano 47 – Journal of Global Studies, v. 13, n. 134, 11. 

MEARSHEIMER, J. J. The tragedy of Great Power politics. New York: Norton, 2001. xvi, 555 p. 

ZHEBIT, Alexander. A Rússia na ordem mundial: com o Ocidente, com o Oriente ou um pólo autônomo em um mundo multipolar?. Rev. bras. polít. int.,  Brasília ,  v. 46, n. 1, p. 153-181, June  2003.

FREIRE, Maria Raquel. Política externa russa no «interméstico»: Uma abordagem construtivista. Relações Internacionais,  Lisboa ,  n. 55, p. 35-49, set.  2017.

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