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Iago Braga – acadêmico do 3º semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

A questão da Palestina voltou aos noticiários desta semana quando as redes sociais ficaram em polvorosas pelo motivo do nome da região desaparecer do serviço de visualização de mapas da Google. No entanto, isso é uma polêmica antiga, datada de 2016, quando o mesmo aconteceu e a corporação explicou que, na verdade, nunca havia adicionado o nome do pretendente Estado à plataforma, pois ela seria inspirada nos mapas oficiais das Nações Unidas (STACK, 2016).

Para compreender as nuances do ocorrido, recorre-se à linha teórica do pós-colonialismo. Os autores pós-coloniais têm como intento a denúncia das relações de poder entre colonizador e colonizado, demonstrando o seu caráter desigual e exploratório (OLIVEIRA, 2017, p. 169).

Edward Said, intelectual palestino, refletiu sobre as relações entre o colonizado oriental e a centralidade do sistema. Para ele, o Ocidente criou uma imagem depreciativa e estigmatizada do Oriente, o qual representaria uma antítese ao Ocidente, sendo retratado comumente como um selvagem, um depravado, um bárbaro ou, simplesmente, um diferente. Essa narrativa, com o passar do tempo, ganhou fortes raízes que sustentaram a manutenção do status do colonizador europeu (Ibid.).

É com essa visão que se volta os olhares à situação dos palestinos. O Estado de Israel foi criado em 1947, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, e as Nações Unidas projetaram delimitações para a convivência entre os palestinos e judeus. No entanto, os israelenses sempre buscavam expandir as suas fronteiras, com justificativas de ameaças existenciais por exemplo que se aproveitavam daquele pensamento inventado sobre o Oriente, e a população árabe, sem meios para resistir, não conseguiram segurar o avanço dos colonialistas sobre o seu território (MELATO, 2020).

Atualmente, a situação é dramática, agravada ainda mais pelo novo coronavírus. As ameaças de anexação são constantes e estão ainda mais vivas com o chamado “Acordo do Século” de Trump e Netanyahu. São tentativas rechaçadas pela comunidade internacional, no entanto nada se faz para impedi-las, mesmo com declarações abertas do Governo israelense de que palestinos não receberiam cidadania caso a incorporação aconteça (KAMIR, 2020).

Percebe-se, então, a horrível situação vivida pelos povos palestinos, retratados como bárbaros no Ocidente enquanto eles mesmo são tratados de forma desumana, como inimigos da civilização israelense. Já vimos que a Palestina não foi deletada do mapa, mas a sua população sim o está sendo e com o aval de todos os atores internacionais que não se posicionam de forma enérgica contra os planos do Governo de Israel.

REFERÊNCIAS:

KARMI, O. World abandons Palestinians on eve of annexation. The Electronic Intifada, 05 de junho de 2020. Disponível em https://electronicintifada.net/content/world-abandons-palestinians-eve-annexation/30381.

MELATO, J. Sionismo e capitalismo: as empresas vinculadas aos assentamentos ilegais na Palestina. Revista Opera, 14 de fevereiro de 2020. Disponível em https://revistaopera.com.br/2020/02/14/sionismo-e-capitalismo-as-empresas-vinculadas-aos-assentamentos-ilegais-na-palestina/.

OLIVEIRA, P. H. S. de. O pós-colonialismo nas relações internacionais: uma proposta para repensar teoria, estrutura e racionalidade no Sistema Internacional. Revista Liberato, v. 18, n. 30, p. 133-258 (2017).

STACK, L. No, Google says, it did not delete “Palestine” from its Maps. The News York Times, 11 de agosto de 2016. Disponível em https://www.nytimes.com/2016/08/12/world/middleeast/google-palestine.html.