Relendo Rosenau: governança global e people count! na atualidade

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Jovana Ramos – Acadêmica do 3º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

O sistema internacional originário da nova ordem mundial está em constante mudança e movimento, especialmente em tempos de pandemia do coronavírus, com a globalização enquanto principal motor, como cita o teórico James Rosenau em seu livro “Governança sem Governo: Ordem e Transformação na Política Mundial” (2000): 

As perspectivas da ordem e da governança mundiais tornaram-se um tema transcendente. À medida que aumenta a amplitude dessa transformação, com a intensidade de seu ritmo, mais urgentes se fazem as questões relacionadas com a natureza da ordem e da governança. (p.11)

Em seu livro, Rosenau (2000) expõe dois conceitos que se diferem: governança e governo, sendo o último regido por uma autoridade formal, enquanto a governança se trata de algo mais vasto, pois abrange os Estados, ONGs (Organizações Não Governamentais) e a sociedade civil na busca pelo cumprimento de objetivos comuns. Além disso, em sua obra “People Count!: Networked Individuals in Global Politics” (2008), Rosenau evidencia  as pessoas e explica que elas vão se tornando cada vez mais importantes no cenário internacional em decorrência da acelerada mudança econômica, social e política.

O autor, em seu artigo “Governing the ungovernable: The challenge of a global disaggregation of authority” (2007), utiliza o termo Skill Revolution, o qual define a capacidade da sociedade de reconhecer seu próprio valor e isso resulta em indivíduos se unindo para garantir os seus objetivos. Com o advento da tecnologia, em especial o uso da internet, a ação coletiva tornou-se mais crescente, de tal forma que Skill Revolution começou a envolver pessoas de todo globo, convergindo em torno dos mesmos valores e interesses.

No momento da escrita do texto, a pandemia do coronavírus apresenta mais de 10.302.800 casos em todo o mundo e segue com mais de 505.500 mortes, segundo o levantamento da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Segundo esses dados, os Estados Unidos ainda permanecem em primeiro lugar com o maior número de casos, em seguida vem o Brasil e em terceiro lugar a Rússia. As taxas de crescimento do vírus estão aumentando na África, os casos se multiplicam na América Latina e Ásia e a Europa vive novos surtos (MERCIER, 2020).

É evidente a despreocupação dos governantes perante a sociedade, questões como a saúde são deixadas em segundo plano por muitos Estados e muitos líderes rejeitam o isolamento social e os riscos que essa doença traz à sociedade. No entanto, as organizações da sociedade civil,  juntamente a sociedade civil global como um todo, estão se manifestando contra a não tomada dessas medidas. Por exemplo, One World: Together at Home, festival organizado por artistas juntamente com a Organização Mundial da Saúde (OMS) no início da pandemia, arrecadou 127 milhões de dólares para ajuda contra o coronavírus (BEAUMONT-THOMAS, 2020). Assim, fica claro o apoio das organizações não-governamentais perante a questão global da pandemia, comerciais e campanhas são notáveis nesse período, principalmente o desenvolvimento de aplicativos para celulares que ajudam no combate e identificação dos sintomas.

Ao analisar o sistema internacional que está em constante mudança à luz do pensamento de James Rosenau, é evidente que as organizações internacionais juntamente com a sociedade civil global estão se tornando cada vez mais presentes diante da pandemia, é notável que há uma governança sem governo, como mostra o teórico, uma vez que há outros mecanismos – organizações não-governamentais e pessoas – além dos Estados, que se unem contra o vírus. 

Os indivíduos estão se unindo cada vez mais para seus objetivos, a Skill Revolution nunca foi tão presente no sistema internacional como está sendo agora, ela começou a envolver as pessoas do globo, exemplo é a propagação de notícias para todo o planeta sobre o coronavírus e a manifestação positivas de artistas nas redes sociais. Por fim, mostrou que a sociedade civil realmente importa e, que sem ela, muitos problemas como a pandemia não seriam resolvidos efetivamente, somente com a atuação do Estado.

REFERÊNCIAS

BEAUMONT-THOMAS, Ben. One World: Together at Home concert raises $127m for coronavirus relief. The Guardian, 20 de abril de 2020. Disponível em: < https://www.theguardian.com/music/2020/apr/20/one-world-together-at-home-concert-lady-gaga-raises-127m-coronavirus-relief. >. Acesso em: 30 de junho de 2020.

MERCIER, Daniela. Pandemia atinge 10,3 milhões de casos e mais de 505.000 mortes no mundo. El País, 30 de junho de 2020. Disponível em: < https://elpais.com/Comentario/1593516781-60eaf7510dc6984e7820a6532dd41f24?gla=pt-br. >. Acesso em: 30 de junho de 2020.

PACHECO, Silvia Aplicativo Coronavírus SUS agora envia mensagens de alertas aos usuários. Ministério da Saúde, 31 de março de 2020. Disponível em: < https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46628-aplicativo-coronavirus-sus-agora-envia-mensagens-de-alertas-aos-usuarios >. Acesso em: 30 de junho de 2020.

ROSENAU, James. Governing the ungovernable: The challenge of a global disaggregation of authority. 2007.

_______________. People Count! Networked Individuals in Global Politics. Boulder, CO: Paradigm Publishers. 2008.

ROSENAU, James; CZEMPIEL, Ernst-Otto. Governança sem governo: ordem e transformação na política mundial. Brasília: Editora UNB, 2000.

 

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