As decisões do governo brasileiro em face à pandemia do COVID-19

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Jhennyfer Rayssa de Souza Gonçalves – Acadêmica do 5º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA

A pandemia do COVID-19 trouxe impactos globais inimagináveis. A economia mundial entrou em crise, os Estados tiveram que adotar medidas extremas para preservar a saúde de seus cidadãos e evitar um colapso da economia. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro vem tratando com baixa gravidade o atual cenário, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde, tais como as medidas de isolamento, incentivando aglomerações como as manifestações pró governo e defendendo a normalidade da economia e do comércio.

Nos primeiros meses do isolamento social, os países vizinhos mostraram a sua preocupação com o território brasileiro, por ser populoso e por estar adotando ações contrárias em relação as medidas de prevenção, as fronteiras foram fechadas para a proteção deles. O presidente da Argentina Alberto Fernandez, por exemplo, alegou que preferia ver os cidadãos afastados do trabalho por conta da quarentena do que vê-los afastados por conta da contaminação ou do falecimento dos mesmos. Atualmente o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países com mais infecções do novo coronavírus.

O Brasil possui prestígio por sua diplomacia e por seu histórico de cooperação com os demais países e entidades. Mas, recentemente, o país vem se afastando das relações multilaterais. De acordo com o teórico neoliberal Joseph Nye, a situação de pandemia que vivemos hoje deve ser tratada de forma conjunta entre os países, pois se trata de um tema global. O problema que o mundo enfrenta faz com que o poder se disperse de forma caótica no sistema internacional, não havendo polaridade e nem uma hegemonia que possa resolver a situação. Segundo o autor, a forma mais eficiente de encontrar uma solução seria a cooperação entre as nações.

Diante disso, a União Europeia e a Organização das Nações Unidas promoveram uma reunião com fins de financiar produções de vacinas que sejam eficientes contra o vírus. Mais de 40 países e algumas entidades econômicas, como o Banco Mundial, participaram e fizeram doações para as pesquisas, mas o Brasil não foi um destes. A posição do governo foi duramente questionada, pois dada a situação em que o país se encontra, essa cooperação com os demais atores seria de grande importância para a sua imagem e para a população. Como resposta, o Ministério da Saúde brasileiro alegou que o faria parte de outras pesquisas, que até então não foram discutidas ou divulgadas.

Cada medida que está sendo tomada pelo Governo reflete de forma negativa para a população mundial e para os demais governos. Líderes de mais de 50 países foram convidados pela Organização das Nações Unidas a formarem uma nova aliança para se reconstruírem economicamente no cenário pós pandemia. Nesta quinta-feira (28), eles se reuniram para discutir inicialmente as propostas que serão apresentadas em julho deste ano e que irão relacionar: economia, desenvolvimento de países, suspensão de dívidas, clima e medidas sustentáveis. Todos os chefes de estado deveriam comparecer na reunião, no entanto, o presidente Jair Bolsonaro não se fez presente.

Com o caos implantado no território nacional e a preocupação de uma parte da população com a contaminação da doença, o Presidente da República aproveitou para continuar as suas medidas desastrosas e irregulares pelo país. Prova disso é o aumento do desmatamento no Brasil, a desregulamentação no Ministério do Meio Ambiente brasileiro e o afastamento dos fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está flexibilizando medidas a favor da garimpagem e do desmatamento em terras indígenas, que são alvos de fortes críticas por parte dos ambientalistas.

Desde o início do seu mandato, o Presidente da República prioriza a relação com os Estados Unidos, tentando firmar uma relação automática que não lhe favorece economicamente e tão pouco politicamente. Esse posicionamento político e diplomático, afasta o país dos seus principais aliados até então, como a China e de acordos multilaterais que seriam de grande ajuda para a reconstrução dele. As medidas que o Governo vem adotando devem ser revisadas e discutidas para que venham favorecer o país e não o colocar em futuro desagradável.

REFERÊNCIAS:

ALESSI, Gil. Em meio à pandemia, Bolsonaro acelera medidas para beneficiar desmatador, armamentista e evangélicos. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2020-05-11/em-meio-a-pandemia-bolsonaro-acelera-medidas-para-beneficiar-desmatador-armamentista-e-evangelicos.html>. Acesso em 28 de maio de 2020.

CARMO, Márcia. ‘É a principal ameaça’: a situação de pandemia no Brasil gera temor em vizinhos na América do Sul. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52594649>. Acesso em 28 de maio de 2020.

CHADE, Jamil. Mundo se reúne para reconstruir seu futuro. E Brasil não aparece. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/05/28/brasil-fica-fora-de-coalizao-mundial-para-planejar-reconstrucao-da-economia.htm>. Acesso em 28 de maio de 2020.

CHADE, Jamil. Brasil fica de fora de ação mundial para acelerar e apoiar OMS. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/05/04/brasil-fica-de-fora-de-acao-mundial-para-acelerar-vacina-e-apoiar-oms.htm>. Acesso em 28 de maio de 2020.

KEOHANE, Robert; NYE, Joseph. Power and Interdependece.  Editora Pearson, 4º edição, 2012.

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