en-china-el-virus-ya___pNJ3otB0_1256x620__1

Verena Moura – Acadêmica do 7° Semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Passados cinco meses desde a explosão do Covid-19, o rastro deixado pelo vírus é gigantesco, é possível perceber um mundo cada vez mais distante daquilo que já foi um dia. A pandemia do novo coronavírus está sendo a maior que a humanidade já passou nos últimos cem anos e nos mostra a importância de alguns conceitos e ações a serem levados em consideração diante de crises globais, dentre estes vale ressaltar a importância do multilateralismo e da cooperação internacional entre os países, a fim de amenizar os impactos da crise.

Segundo a definição clássica de Keohane, o multilateralismo seria “the practice of co-ordinating national policies in groups of three or more states” (Keohane, 1990, p. 731) ou “a prática de coordenar políticas nacionais em grupos de três ou mais estados”. O teórico afirmou posteriormente, juntamente de Joseph Nye, que o mundo se tornou um lugar mais pluralista, com novos atores e novas dinâmicas. Já para Cox (1992), o multilateralismo não tem um significado fixo todo tempo; ele é construído e transformado de acordo com o processo histórico. O autor vai além e associa o termo a governança global, tendo em vista que esta compreende a participação de atores de toda natureza.

Dentro destes novos atores podemos citar, por exemplo, as Organizações Internacionais. Diante do problema de saúde global que a pandemia nos trouxe, a Organização Mundial da Saúde (OMS) ficou em evidência e vem desempenhando um papel essencial, coordenando esforços multilaterais de diplomacia da saúde no combate ao vírus.

O novo coronavírus pegou de surpresa um mundo que estava habituado a outros modos de vida, outras prioridades em suas agendas de governança e outros “inimigos”. O inimigo comum de quase todo o globo passa a ser algo que não pode ser visto ou combatido com armas e guerras. A crise do coronavírus nos leva a enxergar a importância de áreas que por muitos países antes eram negligenciadas, como a saúde, a educação, a pesquisa.

Desde o começo da crise, falava-se em um maior despreparo da América Latina no combate ao vírus. Cinco meses após o início da pandemia, a região possui mais de 50% dos casos de contágios no mundo, a América do Sul, passou a ser considerada o novo epicentro do vírus. 

O Brasil é o país que mais preocupa na região, já somando mais de 300 mil casos e mais de 20 mil mortes, sem contar os casos que não foram notificados. O país fica apenas atrás dos Estados Unidos e da Rússia em números de casos. Este é apenas o retrato de um governo que opta por agir sozinho e ir contra todas as recomendações que estão sendo seguidas no mundo inteiro.

Diante do novo cenário mundial fica evidente a importância de ações globais coordenadas em conjunto contra um vírus que vai além de todas as fronteiras, todavia, uma onda “antiglobalista” tem dificultado a cooperação internacional. O que se pode perceber nestes últimos cinco meses da pandemia é que não se pode combater o vírus sozinho, problemas globais demandam respostas globais. 

A crise ocasionada pelo novo coronavírus vai deixar marcas em diversas esferas políticas, sociais ou econômicas, que em um cenário pós-pandemia irá demandar muitos esforços para recuperar. Análises são feitas a partir de olhares nacionais e internacionais, mas mais do que nunca, é necessário olhar para este cenário com um olhar mais humano. Somente com a cooperação de todos, será possível cessar este problema que assola toda a humanidade.

 

REFERÊNCIAS

 

COX, Robert W. Multilateralism and world order. Review of International Studies, vol. 18, nº 2, 1992.

KEOHANE, Robert O. Multilateralism: An Agenda for Research. International Journal, vol.45, nº. 4, 1990, pp. 731-764

LAFUENTE, Javier. Fragilidade dos Governos dificulta luta contra o coronavírus na América Latina. Disponível em: < https://brasil.elpais.com/internacional/2020-03-24/fragilidade-dos-governos-dificulta-a-luta-da-america-latina-contra-o-coronavirus.html >. Acesso em: 24 de maio de 2020.

MOLINA, Federico Rivas; OLIVEIRA, Joana; GARCÍA, Jacobo. Crise do coronavírus se acelera no Brasil e faz América Latina concentrar metade dos casos no mundo. Disponível em: < https://brasil.elpais.com/sociedade/2020-05-24/crise-do-coronavirus-se-acelera-no-brasil-e-faz-america-latina-concentrar-metade-dos-casos-no-mundo.html >. Acesso em: 24 de maio de 2020.