A Guerra do Afeganistão: Conflito Sem Fim

Guerra do Afeganistão

Matheus Castanho Virgulino-Acadêmico do semestre de Relações Internacionais da UNAMA

“O cemitério dos Impérios” é um nome frequentemente dado a região montanhosa na Ásia central que atualmente engloba o Estado do Afeganistão, o nome se dá ao fato da enorme dificuldade de grandes potências em manter seu controle na região através da história, sejam eles os Persas, Gregos, Mongóis ou Britânicos.

O Afeganistão é um Estado em turbulência desde o ano de 1979 quando a União Soviética invadiu o país para apoiar um regime comunista local, que gerou forte reação das tribos muçulmanas da região que formaram milícias chamadas “Mujahadin” para resistir aos invasores. Como resultado da decorrente guerra fria, tais grupos armados tiveram forte apoio financeiro e militar por parte dos EUA que buscava frear a influência comunista na Ásia central. No entanto boa parte dessas milícias eram praticantes de um Islamismo militante que rejeitava tanto o comunismo quanto o capitalismo, em favor de uma organização religiosa tradicional com base na Sharia.

O mais poderoso destes grupos que se consolidou como principal grupo político no Afeganistão seguida a retirada Soviética em 1989 foi o Talibã, cujo líder Mohammed Omar infamemente se cobriu com o manto do profeta Maomé e proclamou-se Califa de todo o Islã e representante de Alá na terra. O Talibã se pôs como uma das organizações terroristas mais abrangentes, tendo voluntários de todo o mundo muçulmano, o que permitiu que tivesse maior força numérica sobre seus rivais, assim como recebia também financiamento de grupos em diversos países, em especial no Paquistão. 

O Talibã chegou a ter controle de dois terços do território afegão e manteve a influência no governo apesar de estar em constante conflito com grupos rivais. Sobre seu governo o país se tornou um centro para o tráfico de drogas e escravos, assim como do terrorismo internacional, sendo um território de atuação da futuramente relevante Al-Qaeda.

Seguido os ataques terroristas em 11 de setembro de 2001, o líder da organização terrorista Al-Qaeda, Osama Bin Laden, o antigo Mujahadin, reivindicou a responsabilidade pelo ataque, e se refugiou com seus aliados do Talibã no Afeganistão. Após um ultimato do presidente George W. Bush para que o grupo terrorista entregasse Bin Laden foi recusado, os EUA e a OTAN iniciaram o estágio inicial da invasão com a operação “Liberdade Persistente”, que consistiu em assegurar o apoio de guerrilhas contrárias aos jihadistas (A chamada “Aliança Nortista”) com uma série de bombardeios contra as defesas aéreas Talibãs para subsequente envio de tropas terrestres. O governo Afegão oficialmente cortou todos os seus laços com o Talibã 4 dias após os ataques das torres gêmeas.

A fase inicial do conflito obteve grande sucesso para a coalizão ocidental. A superioridade aérea americana possibilitando o rápido envio de tropas para cada região do país, e a aliança com milícias locais permitindo a captura de importantes cidades como Kandahar, a principal base do Talibã. Um novo governo democrático foi instaurado no Afeganistão, acabando com o regime Talibã. Poucas lideranças da Al-Qaeda e do Talibã foram localizadas, e boa parte do país ainda estava contestado. As forças terroristas se refugiaram na grande rede de montanhas que atravessam o país, as fortificando através de uma complexa rede de túneis internos, tal fato os deram certa vantagem sobre as forças de ocupação, e emboscadas e outras táticas de guerrilha se tornaram a estratégia padrão.

A controversa ocupação americana continua até hoje, mesmo com a morte de Osama Bin Laden em 2011 gerando um enfraquecimento da Al Qaeda, o conflito é o mais duradouro e custoso da história dos Estados Unidos, tendo um custo acumulado de $ 1,7 trilhões de dólares e com um alto número de mortes militares e civis, tendo 25,000 apenas no ano de 2018, e visto por muitos como apenas um prolongamento do discurso da guerra ao terror para manter a hegemonia norte-americana. Apesar disto tudo, o recente acordo entre os EUA e o Talibã para a parcial desmilitarização da região pode significar um recomeço da tranquilidade na região, apesar da incerteza acerca do cenário posterior a presença de tropas estrangeiras e o encerramento da ajuda financeira.

Quer saber mais sobre a Guerra do Afeganistão ? Clique aqui :

https://youtu.be/p1rBuvxPKoE

Referências :

COLLINS, Joseph. Understanding War in Afghanistan [PDF]. NDU Press, Washington D.C, 2011.

 

 

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