Texto Amazonia

Maria Bethânia Gomes Galvão – Acadêmica do 1º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

O analista de Relações Internacionais da região amazônica deve ater-se ao seu locus de crescimento acadêmico, a partir da compreensão das maneiras de contribuir para a construção intelectual dos internacionalistas nortistas, e para o desenvolvimento regional na inserção da Amazônia no mundo globalizado para além das questões ambientais, em face da recente criação do curso nas academias locais.

Desde notícias sobre outros países na TV até a importação de produtos para abastecer os mercados de uma cidade, as relações internacionais se fazem presentes, podem até passar despercebidas devido às proporções que o fenômeno da globalização tomou no cenário atual, contudo, tarefas diárias não seriam facilitadas sem a presença de profissionais desta área, os quais desempenham papel fundamental na inserção de um país ou região no mundo globalizado.

Nesse sentido, ser analista de Relações Internacionais é, sobretudo, contribuir para representação dos diversos atores que constituem o sistema internacional e inseri-los na agenda de discussões e análises, como também contribuir para o direcionamento de políticas públicas. Por essa razão, a área de Relações Internacionais deve ser respeitada com seu valor científico e autônomo por ser uma ferramenta pela qual regiões do mundo vão integrar o sistema internacional.

Sob o parâmetro da globalização do século XXI, a Amazônia passou a ser atribuída no cenário internacional como importante para o equilíbrio ecológico mundial, a produção científica voltada para o mapeamento de espécies únicas, os projetos de preservação com grande potencial para se desenvolver, como o Fundo Amazônico, a ascensão dos movimentos de resistência de povos da floresta com pauta identitária e a presença de ONGs internacionais, como a WWF e o Greenpeace. Por esse ângulo, há um verdadeiro embate entre o projeto de desenvolvimento sustentável pelo qual tende o mundo e o projeto de exploração econômica regional defendido pela elite econômica brasileira.

  Outro fator que o internacionalista precisa considerar é de que a Amazônia é um espaço compartilhado pelo Brasil com países vizinhos, os quais possuem o ecossistema da grande floresta, formando a Pan-Amazônia, portanto, estes países junto com o Brasil devem formar integrações com o intuito de discutir os aspetos que possuem em comum, de que maneira lidar com os desafios na região e solidificar políticas eficientes que visem a proteção e a sustentabilidade, de modo a considerar os múltiplos atores.

Constata-se que o maior oponente da região amazônica são os agentes externos à região movidos pelo interesse econômico do capital internacional que a reduzem a um território extrativista exportador, em virtude de não promoverem o desenvolvimento regional esperado. Destarte, é fundamental que o internacionalista nortista se engaje em projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) com o propósito de promover cooperações tecnológicas por intermédio de um know-how técnico e do desenvolvimento humano em direção à mudança realidade da região de exportadora de matéria prima e de consumidora de produtos agregados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CASTRO, Orlando. Amazônia Espaço & Tempo. Editora Vitória: 2013, Belém, Pará.

PECEQUILO, Cristina. Introdução às Relações Internacionais. 9.º ed. Editora Vozes: 2004, Petrópolis.

GEHRE, Thiago. ARRAES, Virgílio. Introdução ao Estudo das Relações Internacionais. Editora Saraiva: 2013, São Paulo.