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Isabele Reis – Acadêmica do 7º semestre de Relações Internacionais, e Matheus Homci – Acadêmico do 5º semestre de Relações Internacionais

Durante toda a história, os fatores econômicos têm desempenhado um papel importante nas relações internacionais. Na política externa, os objetivos, os recursos e os instrumentos econômicos foram sempre elementos significativos nas disputas entre grupos políticos. Robert Gilpin (1987), teórico neorrealista, destaca a crescente interdependência das economias nacionais, em virtude do aumento dos fluxos de comércio, do intercâmbio financeiro e tecnológico. Além disso, afirma que o Estado, apesar da centralidade da globalização como característica definitiva da economia internacional, segue sendo o ator principal no sistema internacional. As análises de Gilpin são interessantes, uma vez que, reúnem a ação das forças de mercado, as tendências políticas e as regulamentações nacionais e internacionais, medindo a influência de diferentes elementos e correntes, contribuindo para um debate sobre política internacional.

Gilpin adiciona a perspectiva econômica para a compreensão do mundo, a economia é o local que se relaciona poder e riqueza, uma vez que riqueza gera poder e poder gera riqueza. Deste modo, a economia não deve ser entendida apenas como troca de dinheiro e mercadoria, Gilpin chega a conclusão de que para se ter hegemonia política, é necessário ter hegemonia econômica, ou seja, a hegemonia é a soma do poder força mais a influência no sistema economicamente. Ele disserta sobre a necessidade de uma hegemonia, afirmando que uma economia internacional liberal estável só seria possível se sustentada por uma potência hegemônica que garanta a utilização dos bens públicos internacionais, tudo aquilo que os Estados podem ter acesso e utilizar sem que isso impeça a utilização desse bem por outros.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma instituição internacional fundada no ano de 1944 em Bretton Woods e assinada em Dezembro de 1945, que surgiu com o objetivo de criar um quadro de cooperação econômica, com a finalidade de evitar o ciclo de desvalorização competitiva que contribuiu para a grande depressão que ocorreu na década de 30. 

Os acontecimentos das três décadas antecedentes à criação do FMI trouxeram um déficit surpreendente para diversos Estados do mundo, e mais especificamente para os Estados Europeus, os quais tiveram seu território devastado, milhares de vidas perdidas e empréstimos a serem pagos aos Estados Unidos e Inglaterra.

O Fundo Monetário Internacional é responsável por produzir uma série de orientações a serem seguidas pelos países membros e promove auxílio e cursos de aprimoramentos em áreas de finanças, administração e economia de governos. Em uma crise econômica e social, age tentando trazer estabilidade ao Sistema Internacional, oferecendo ajuda financeira e técnica.

A atuação do FMI se fez em momentos cruciais no cenário global, auxiliando em questões econômicas delicadas que impactavam uma quantidade significativa de nações, tais como: A Crise Mexicana (1994), causada pela desvalorização do peso em relação ao dólar levando os investidores a retirar os fundos no país, participando de um programa de cerca de 50 bilhões de dólares para estabilizar a economia do México. Além do auxílio ,o FMI também forneceu assistência financeira para Rússia, Brasil e aos mercados emergentes no mesmo ano.

Os auxílios promovidos pelo FMI também aconteceram em 1996 chegando para trinta e seis países, e em 2001, quando juntamente com o Banco Mundial anunciou o alívio da dívida e divulgaram que vinte e dois países se qualificaram nos termos da mesma. Além dos acontecimentos anteriormente citados, o FMI também teve participação efetiva em momentos marcantes na história mundial, como na Primavera Árabe (2011-2014) com empréstimo para recuperar e estabilizar a economia da região; e em resposta ao Ebola (2014-2015) sendo uma das primeiras instituições financeiras internacionais a agir, entregando cerca de 130 milhões de dólares a três países mais afetados pelo vírus.

No cenário atual em que Coronavírus como pandemia tem gerado déficits humanitários e econômicos, o FMI tem atuado para combater um lapso na economia mundial, inteiramente afetada pela situação do vírus no mundo, levando diversos Estados a déficits econômicos exorbitantes. Apesar de ter sido criada para lidar com questões econômicas, o FMI mantém-se alinhado à OMS (Organização Mundial da Saúde) incentivando o isolamento social desde o primeiro momento, visto que não é possível a economia global voltar a funcionar sem esse recesso temporário.

Desta forma, o FMI tem trabalhado com auxílios emergenciais a países que encontram-se em quadros econômicos complexos devido ao vírus, além de aconselhar certas medidas às nações para que se chegue ao fim da pandemia com o menor índice de dano possível. Diante disso ,a teoria de Gilpin continua cada vez mais ativa no Sistema Internacional, visto que se faz necessário a existência de uma Organização em âmbito Internacional capaz de auxiliar os Estados, estes ainda caracterizados com centralidade definida no cenário internacional, e regido por uma interdependência gerada pelos fluxos comerciais e cambiais que são constantemente estabelecidos nas relações internacionais.

REFERÊNCIAS:

International Monetary Fund – What we do. Disponível em: https://www.imf.org/en/Capacity-Development/what-we-do

International Monetary Fund – Who we are. Disponível em: https://www.imf.org/external/np/ins/english/capacity_about.htm

NOGUEIRA, João Pontes & MESSARI, Nizar. Teoria das Relações Internacionais: correntes e debates. RJ: Elsevier, 2005.