june almeida

Ana Adrianny Nogueira – Acadêmica do 7° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

June Almeida nasceu em 1930 e cresceu em um bairro pobre no nordeste de Glasgow, na Escócia. Aos 16 anos, abandonou a escola por não ter condições de ingressar posteriormente em uma faculdade, assim, começou a trabalhar como técnica de laboratório na Enfermaria Real de Glasgow, tornando-se especialista em microscopia eletrônica. 

Com o desenvolvimento e sucesso em sua análise com o microscópio, mudou-se para Londres para seguir carreira, onde conheceu seu futuro marido, o artista venezuelano, Enrique Almeida. Juntos construíram uma família, chegando a migrar para o Canadá por questões profissionais, mas acabaram retornando anos depois para Inglaterra.

Em 1964 foi contratada pelo Dr. David Tyrrell, responsável por supervisionar as análises na Unidade de Pesquisa de Constipações Comuns, na escola de medicina do Hospital St. Thomas para estudar um caso específico de uma amostra denominada de B814, coletada a partir da lavagem nasal de um humano. June percebeu a presença de um vírus similar ao influenza, mas que se manifestava de forma diferente, pertencendo a um novo grupo de vírus.

A descoberta foi publicada no jornal British Medical, em 1965, e a partir da imagem viral, as imagens foram examinadas, ficaram inspirados pela estrutura do vírus, que era semelhante a uma auréola, dessa forma, Tyrrell e Almeida decidiram usar a palavra corona, que em latim significa coroa.  Nascendo assim, os coronavírus.

Almeida terminou sua carreira no Laboratório de Investigação Wellcome (em Londres), onde trabalhou no desenvolvimento de ensaios de diagnósticos e vacinas. Depois de deixar o instituto, Almeida se especializou em ioga, tornando-se professora nas horas vagas, mas no final da década de 80 voltou para o campo da virologia, ajudando a registrar imagens do vírus HIV.

June Almeida morreu em 2007, vítima de um ataque cardíaco, aos 77 anos. Após 13 anos de sua morte, houve finalmente o reconhecimento merecido como pioneira, afinal seu trabalho não trouxe apenas o descobrimento do coronavírus, mas também um auxílio para compreensão do desenvolvimento de vários tipos de vírus (Rubéola e Hepatite B), além de evidenciar como a ciência pode trabalhar para amenizar a pandemia que estamos enfrentando nesse momento.

Referências: 

BBC. A cientista que descobriu o primeiro coronavírus humano – após ter abandonado escola aos 16 anos. Disponível em: < https://www.bbc.com/portuguese/geral-52303032 >. Acesso em: 04 de maio de 2020. 

SERAFIM, Teresa Sofia. June Almeida, a história da primeira pessoa a ver um coronavírus em humanos. Disponível em:  < https://www.publico.pt/2020/04/17/ciencia/noticia/historia-primeira-pessoa-coronavirus-humanos-1912722 >. Acesso: 04 de maio de 2020.

NATGEO. June Almeida Descobriu os Coronavírus Há Décadas – Mas Não Recebeu o Devido Reconhecimento. Disponível em: < https://www.natgeo.pt/historia/2020/04/june-almeida-descobriu-os-coronavirus-ha-decadas-mas-nao-recebeu-o-devido >. Acesso: 04 de maio de 2020.