livros

Maria Clara Madôrra – acadêmica do 3° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Com a velocidade dos dias atuais e o bombardeio de diferentes informações a cada novo momento, é de suma importância refletir sobre as tradições e os aspectos históricos e culturais que nos trouxeram até aqui, proporcionando a constante integração do mundo e, mais considerável, a disseminação de conquistas e lutas que compreendem as mudanças societárias.

De Shakespeare e Cervantes, Machado de Assis, Drummond e Clarice, à Dalcídio Jurandir e Maria Lúcia Medeiros, da clássica épica à amazônica, a literatura cria e encanta cenários que são o pano de fundo das nossas vidas desde que aprendemos o “beabá”. O processo de endoculturação de um ser humano está recheado de saberes que são passados e repassados graças a materialização da história e das estórias nos livros.

Assumindo o viés neoliberal, “os governos agora precisam dividir o palco com os atores que podem usar as informações para aprimorar seu soft power […]” (NYE, 2006), como constatado pelo teórico Joseph Nye, ratificando a necessidade do estabelecimento de um espaço de discussão acerca do desenvolvimento humano, da criatividade humana, do incentivo ao debate e da valorização do eixo que tange os temas globais como a educação e a produção cultural, que promovam o estímulo destas e estabeleçam políticas multilaterais que ultrapassem as barreiras estatais e cooperem em prol do crescimento conjunto, como nas Organizações Internacionais.

Faz-se assim fundamental a memória, em especial, de datas como 23 de abril, instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, agência ligada à ONU, que cunha este para celebrar o Dia do Livro e do Direito Autoral, marcando a presença destes organismos no âmbito da formação do indivíduo e de suas referências, do empoderamento e da estima deste instrumento de difusão de conhecimento que se refaz atual a cada novo ciclo e suporte tecnológico, reconhecendo e exaltando a notoriedade do escritor.

Pontua Koichiro Matsuura, Diretor-Geral da UNESCO no ano de 2009:

Desde 1996, o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, celebrado em 23 de abril, tem sido uma oportunidade única para refletirmos juntos sobre novas questões relacionadas aos livros, vistos concomitantemente como indústria, arte e ferramenta fundamental para a garantia da educação para todos. (Ibid.)

O ex-executivo deixa claro o dinamismo das instituições internacionais como arena decisória e propagadora de condutas, definindo importantes marcos e possibilitando o alcance da sociedade civil ao viabilizar conteúdos que a aproximam e fomentam sua conscientização e atuação cidadãs, resultados essenciais para o progresso sociocultural na esfera pública, além de permitir que sempre recordemos e celebremos esse meio de comunicação primordial e básico para a liberdade de expressão e preservação linguística que é o livro.

REFERÊNCIAS:

NYE, Joseph S. Compreender os Conflitos Internacionais: uma introdução à teoria e à história. Lisboa: Gradiva, 1993.

NAÇÕES UNIDAS. Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais – 23 de abril de 2009. 23, abril, 2009. Disponível em https://nacoesunidas.org/dia-mundial-do-livro-e-dos-direitos-autorais-23-de-abril-de-2009/.