749px-Oscar_Pereira_da_Silva_-_Retrato_de_Joaquim_José_da_Silva_Xavier_-_Tiradentes,_Acervo_do_Museu_Paulista_da_USP

Maria Carolina Regateiro – Acadêmica do 7º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

No Dia 21 de abril é comemorado o Dia de Tiradentes. A data serve para relembrar a morte de Joaquim José da Silva Xavier, herói da Inconfidência Mineira.

Michel Foucault é um teórico francês da vertente crítica das Relações Internacionais. Considerando um dos pensadores contemporâneos mais polêmicos, devido a experiências pessoais se aproximou muito dos estudos psicologia, psiquiatria e do poder. Foucault (1972) acreditava que o poder não era algo pertencente a uma instituição, tampouco poderia ser simplesmente cedido através de contratos, mas algo flutuante.

De acordo com o dicionário de filosofia, a palavra poder significa “a capacidade de este conseguir algo, quer seja por direito, por controle ou por influência. O poder é a capacidade de se mobilizar forças econômicas, sociais ou políticas para obter certo resultado (…)” (BLACKBURN, 1997. p.301). Já de uma visão mais política, poder adquire mais ainda o significado de autoridade, podendo ser conceituado como “É poder social a capacidade que um pai tem para dar ordens a seus filhos ou a capacidade de um governo de dar ordens aos cidadãos” (BOBBIO, 2000. p.933).”

Para Foucault (1974) o poder deve ser pensado como uma relação de forças, pois não há poder sem saber, e não há poder sem resistência. O binômio do saber-poder aponta que sem o conhecimento o sujeito está à mercê da ordem do discurso. “Resistir é, neste aspecto, o oposto de reagir. Quando reagimos damos a resposta àquilo que o poder quer de nós; mas quando resistimos criamos possibilidades de existência a partir de composições de forças inéditas. Resistir é, neste aspecto, sinônimo de criar.” (MACIEL JÚNIOR, 2014).

Um dos grandes símbolos da resistência brasileira é Joaquim José da Silva Xavier, comumente chamado de Tiradentes. Sendo um dos líderes da Inconfidência Mineira, o militar que ficou conhecido por também ser dentista amador – por isso o apelido Tiradentes –, se tornou mártir por ter sido o único rebelde a receber pena demorte pela revolta.

A Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, foi uma conspiração ocorrida na então capitania de Minas Gerais contra a derrama feita pela Coroa Portuguesa. Vila Rica, centro da atividade mineradora no Brasil, por volta de 1760, viu sua produção diminuir constantemente. No entanto, o Império português continuava a cobrar taxas de impostos excessivas, forçando os mineradores a ofereceram o quinto (20%) de suas produções à Coroa. Quando a regressão da produção aconteceu, a derrama foi implementada, e obrigava os trabalhadores a cobrir o valor dos impostos restantes com seus próprios bens.

Tiradentes ficou conhecido como um dos mais radicais da Inconfidência, e chegou até a arquitetar a morte de Visconde de Barbacena, Governador nomeado pela Coroa para a Capitania de Minas Gerais. Porém, o plano foi frustrado após a confissão de um dos inconfidentes ao Visconde. Desta forma, confessando seus crimes contra o Império português, Tiradentes foi usado como exemplo pela Coroa para mostrar sua força.

No dia 21 de abril de 1792, Joaquim foi enforcado, decapitado e esquartejado, tendo sua cabeça exposta na praça pública de Vila Rica, e seus membros espalhados pelas estradas a caminho do Rio de Janeiro. Tiradentes então, passou a ser um ícone da liberdade e da resistência brasileira, recebendo o título de herói. Em 1965, durante o Regime Militar do marechal Castelo Branco, a Lei nº 4.897 definiu o dia de sua morte como feriado nacional, e considerou Tiradentes, oficialmente, como Patrono da Nação Brasileira.

Para Foucault, fato de resistir é sempre mutável, e se adapta à medida que as formas de poder se atualizam. Para ele, apesar de ser possível resistir contra pensamentos e comportamentos, é impossível se livrar completamente das relações de poder. Desta maneira, mostra-se a importância de conhecer as relações e entender a necessidade de resistir, em todo e qualquer período de ameaças contra a vida humana.

REFERÊNCIAS

BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.

BOBBIO, Norberto. Dicionário de política. Brasília: Universidade de Brasília/São Paulo:
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2000.

FERNANDES, Cláudio. Tiradentes. História do Mundo. Disponível em: https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/tiradentes.htm

FOUCAULT, Michel. (1966) Les mots et les choses. Paris, Gallimard.

______ . Histoire de la folie à l’âge classique. Paris: Gallimard, 1972 ______ .

Surveiller et Punir. Paris: Gallimard, 1974.

MACIEL JÚNIOR, Auterives. Resistência e prática de si em Foucault. Trivium vol.6 no.1 Rio de Janeiro jan./jun. 2014. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-48912014000100002