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Ana Júlia Barbosa – acadêmica do 3° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Na atual conjuntura globalizada do sistema internacional, é possível analisar sob novas perspectivas  acontecimentos anteriores. Todavia, ainda sim, tal situação nos leva a observar o resultado de apostas antigas e, com clareza, perceber suas falhas e a partir delas criar um novo entendimento. Essa fala será uma boa forma de começar essa análise acerca da necessidade das principais teorias de Relações Internacionais. Seriam estas: neoliberalismo, neorrealismo e a teoria que foi acrescentada, a neomarxista. Então, para um maior esclarecimento, esse texto será dividido entre a exposição das teorias e, por fim, na análise conclusiva.

Iniciando pelo neorrealismo, esta tem sido considerada por muito tempo como a mais utilizada para explicar o desenvolvimento das relações sistêmicas. O neorrealismo é a teoria que buscará explicar que as relações entre Estados se dão pelas relações de poder entre eles. Através de conceitos como balança de poder e realismo estrutural, Kenneth Waltz, grande autor realista, buscou explicar que, diferente do que acreditam os idealistas, os Estados – sendo soberanos e principais atores dentro da arena internacional – irão cooperar apenas para manter seu poder afim de garantir sua sobrevivência. Muito utilizada à luz de conflitos, essa teoria ainda é empregada para justificar as falhas em um mundo atual guiado pelo neoliberalismo (BITTENCOURT, 2013).

Já os antagônicos dos realistas, os neoliberais, acreditam que o conflito é evitável, colocando as instituições, a cooperação e o livre comércio como os principais meios de se evitar que os Estados colidam, principalmente de forma bélica, sendo essa teoria muito utilizada no regime atual pelo seu caráter econômico e muito justificado pela globalização. Dois de seus principais autores seriam Robert Keohane e Joseph Nye com a teoria da interdependência complexa. Eles propõem que, com a crescente ligação econômica entre os países, os ganhos seriam também crescentes, não sendo vantajosa criação de um conflito por infligir perdas econômicas e de recursos pela interligação complexa entre os Estados. A teoria neoliberal será importante também por incluir a importância dos outros atores na influência das relações internacionais, pondo-se mais aberta à importância de atores da sociedade civil e, principalmente, mercadológicos (JATOBÁ, LESSA & OLIVEIRA, 2013).

E, por último, é necessário discutir acerca da  teoria neomarxista. Criador de uma análise do funcionamento social, Marx terá como ponto de referência essas relações e não o funcionamento internacional. Porém, com o ideal de que o funcionamento das instituições sociais deriva da organização dos povos e da formação histórica dos meios de produção, ele será muito usado pelos estudiosos críticos das R.I, que acreditam que essa ideia pode ser ampliada para o Sistema Internacional. Tais teóricos explicam que a funcionalidade do Estado dentro do sistema responderá de acordo com sua formação e sua relação dentro dos padrões de dominação e desigualdade, partindo inicialmente pela desconstrução do ator estatal e colocando a sociedade como principal influenciador (VIGEVANI et al, 2013).

Sendo assim, as principais críticas neomarxistas às teorias principais, são as falhas e assimetrias dentro das relações interestatais não reconhecidas pelos neoliberais e na invisibilidade da sociedade civil global e dificuldade de reconhecer a influência histórica na formação da sociedade internacional por parte dos neorrealistas (Ibid.). A teoria marxista será usada atualmente de forma crescente para explicar as assimetrias e os padrões de dependência e dominação.

Em suma, é de grande necessidade o estudo e debate aprofundado de todas as três teorias. Pois, com a grande dinâmica dos acontecimentos atuais, é complicado usufruir apenas de uma perspectiva para entendê-los, cabendo a um bom internacionalista a responsabilidade de explicar o mundo de forma completa, não compatibilizando com explicações rasas.

REFERÊNCIAS:

BITTENCOURT, P. V. Z. . Kenneth N. Waltz: uma análise da perspectiva de sua teoria das Relações Internacionais através das obras ‘Theory of International Politics’ e ‘Man, The State, and War’. In: I Semana de Pós-Graduação em Ciência Política: Interfaces da Ciência Política, 2013, São Carlos. Anais – Volume 7, 2013.

VIGEVANI, Tullo et al. A contribuição marxista para o estudo das Relações Internacionais. Lua Nova, São Paulo, 2011.

JATOBÁ, Daniel; LESSA, Antônio Carlos A; OLIVEIRA, Henrique de. Teoria Das Relações Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2013.