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Nathália Yuki Méssa KawaiAcadêmica do 5º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Apesar de, nos últimos tempos, o foco estar mais voltado para a China, o Japão é considerado a 3ª maior economia do mundo. As Olimpíadas de Tokyo que estavam previstas para acontecer no verão asiático de 2020 davam muitas expectativas para o país, que se prepara há anos para o evento, considerado como a Olimpíada mais rentável da história, reunindo cerca de 60 patrocinadores e com investimento governamental estimado no valor de US$ 18 bilhões, além de que o Banco do Japão previa que o retorno do evento chegaria a US$ 300 bilhões até o ano de 2030.

No entanto, desde o surgimento da pandemia de COVID-19 pelo mundo, o cenário mudou drasticamente. Diferente da China ou Itália, o Japão demorou relativamente para sentir os efeitos da pandemia. Autoridades, como a Prefeitura de Tóquio, persistiram em continuar com as Olimpíadas de 2020 e demoraram a tomar uma decisão de postergação do evento, em consonância às instituições internacionais relacionadas, em especial ao Comitê Olímpico Internacional (COI). Além disso, apenas na semana passada (07/04), o governo declarou estado de emergência e ordenou que bares, restaurantes e estabelecimentos que não fossem essenciais, fechassem.

Porter (1989) ressalta o valor da inovação e da mudança, além da importância da produtividade de um país. Segundo o autor, a produtividade é um fator determinante do nível de renda per capita de um país. A prosperidade econômica das nações e de suas empresas dependem justamente de como os recursos nacionais como o trabalho e capital são empregados. Além disso, ele também cita a vantagem competitiva, que se dá pela produtividade, inovação e especialização.

O governo japonês fez a avaliação de sua economia no final de março e concluíram que o período de recesso da economia japonesa seria certo, assim como está sendo com vários outros países atingidos pela pandemia. O país concluiu que as suas condições de março foram críticas, com o consumo desacelerado e várias fábricas fechando as portas. Pela primeira vez desde 2013, o país abandonou a condição de “em recuperação”. Vale lembrar que o Japão passou por dois períodos de recessão nos recentes anos, um na crise de 2008 e o outro no grande terremoto de 2011. Segundo o diretor da análise macroeconômica do Escritório do Gabinete, o dano causado por essa pandemia é tão ruim quanto os dois eventos juntos. Uma pesquisa feita pelo gabinete de estudos Fitch Solutions, revelou que seu PIB recuaria em 1,1%, ao invés do 0,2% como havia sido previsto. Com tudo isso, o governo aprovou um pacote de estímulo do dobro do que foi em 2008. Para a crise da pandemia, o valor é de US$ 990 bilhões, equivalente a 20% da produção do Japão, e ¥ 39,5 trilhões de gastos fiscais diretos, sendo este cerca de 7% da economia japonesa.

Como um possível cenário pós-pandemia, pode-se esperar um Japão sofrendo muito mais com a recuperação da economia do que já estava com os dois eventos juntos. A taxa de desemprego, que antes chegava perto de zero devido a escassez de mão-de-obra que o país vinha sofrendo e, portanto, havia mais emprego do que pessoas, também deve aumentar. Além disso, um possível cenário, segundo Porter (1989), é de que eles podem perder a vantagem competitiva no mercado considerando que cada dia mais a demanda das fábricas japonesas vai diminuindo, assim como está acontecendo nos outros países pelo mundo todo. A saída para essa grande recessão, então, seria através da inovação, assim como sugere o autor. 

O Japão é conhecido por suas tecnologias avançadas e recentemente ganhou ainda mais notoriedade quando lançou a “Sociedade 5.0”, que visa a utilização de tecnologia de ponta – como a inteligência artificial – para melhorar a qualidade de vida da população. Como Porter (1989) argumenta, a prosperidade da nação e das empresas dependem de como os recursos nacionais são aplicados, e o Japão, sendo o país famoso pelo bom uso desses recursos, certamente retomará o ritmo de sua economia.

 

REFERÊNCIAS

COUTINHO, Eduardo; PEIXOTO, Fernando; FILHO, Paulo; AMARAL, Hudson. De Smith a Porter: Um Ensaio sobre as Teorias de Comércio Exterior. Revista de Gestão USP, São Paulo, v. 12, n. 4, p. 101-113, Outubro/Dezembro de 2005.

KIHARA, Leika. Japão diz que Vírus Tornou Condição da Economia “Severa” com Pior Previsão em 7 Anos. Economia Uol, Tokyo. Disponível em: < https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2020/03/26/japao-diz-que-virus-tornou-condicao-da-economia-severa-com-pior-previsao-em-7-anos.htm >. Acesso em: 10 de abril de 2020.

LEUSSINK, Daniel. Adiamento da Olimpíada Causa mais um Golpe na Economia Japonesa. Agência Brasil, Tokyo. Disponível em: < https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2020-03/adiamento-da-olimpiada-causa-mais-um-golpe-na-economia-japonesa >. Acesso em: 10 de abril de 2020.

UOL. Japão Declara Emergência por Coronavírus e Aprova Estímulo de quase US$ 1 trilhão. Disponível em: < https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2020/04/07/japao-declara-emergencia-por-coronavirus-e-aprova-estimulo-de-quase-us1-tri.htm >. Acesso em: 10 de abril de 2020.

CILO, Nelson. Olimpíada de Tóquio já é a mais rentável da história; entenda.  Estado de Minas, Economia. Disponível em: < https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2019/07/16/internas_economia,1069897/olimpiada-de-toquio-ja-e-a-mais-rentavel-da-historia-entenda.shtml >. Acesso em: 10 de abril de 2020.

AFP. Japão sofre impacto econômico com adiamento dos Jogos de Tóquio – 2020. Estado de Minas, Internacional. Disponível em: < https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/03/24/interna_internacional,1131975/japao-sofre-impacto-economico-com-adiamento-dos-jogos-de-toquio-2020.shtml >. Acesso em: 10 de abril de 2020.