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Érica Nascimento – Acadêmica do 5° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Diante de várias guerras convencionais, tornou-se praticamente impossível não se preparar para elas, tanto que, durante a guerra fria, começou uma corrida armamentista entre as grandes potências da época, EUA e a antiga União Soviética – URSS, para que pudessem se preparar para o imprevisível. Afinal, o sistema internacional assim o é, defende John Mearsheimer (2001), realista ofensivo das relações internacionais, famoso por afirmar que uma nação é poderosa se tiver grande investimento em material bélico somado à sua capacidade latente (lidar com as incertezas sobres as intenções dos oponentes), logo, para ele, as grandes potências maximizam o poder, e, seu principal objetivo, além de manter sua soberania e hegemonia, é sobreviver.

Mas, e se uma guerra não for feita só de conflitos diretos? Nye (2014), teórico neoliberal, defende a ideia de que um Estado é poderoso pela sua capacidade de influenciar outro Estado. Não cabe analisar apenas o poder-força de uma nação, mas, a sua capacidade em cooperar, influenciar e comunicar. Estes, por sua vez, são fatores presentes em instituições (ONU, OMC, OTAN, etc.) as quais surgem como arranjos cooperativos que ajudam na compreensão dos interesses e motivações dos Estados, mas que também possuem influência própria sobre as ações estatais (NOGUEIRA; MESSARI, 2005) e, o grau de institucionalização afeta fortemente o comportamento dos Estados, por conseguinte, quanto mais interesses comuns existirem, maior será o grau de institucionalização e, consequentemente, maior será o nível de cooperação, estabelecendo-se, então, uma relação de ganha-ganha (2014) 

Diante do cenário mundial atual, o vírus Covid-19 tem sido o principal agente a estremecer as bases do Sistema Internacional. O primeiro caso da doença (BARRETO, 2020) foi identificado em Wuhan, na China, e, rapidamente, se espalhou pelo mundo, fazendo com que a Organização Mundial de Saúde (OMS) definisse o surto como pandemia. A nação que apresenta a maior quantidade de casos confirmados até o momento são os Estados Unidos.

Desde a administração Reagan, nos anos 80, a potência vem se firmando em seu processo de expansão de gastos com materiais bélicos, buscando garantir sua supremacia militar (SANTOS,2006) e, de acordo com o site Global Fire Power: o Estado Americano, em 2020, ainda ocupa o primeiro lugar como poder militar indiscutível no mundo. Entre os países mais ricos, a nação é conhecida por não possuir um sistema de saúde tão acessível a maioria dos americanos.

Segundo a autora Camila Luz (site Politize), em 1854 houve um projeto de lei que pretendia assegurar saúde pública a todos os cidadãos, no entanto, foi rejeitado pelo presidente Franklin Pierce, o qual argumentou que o bem-estar social não deveria ser assunto do Estado. Diante das lacunas existentes no sistema de saúde americano, é possível notar o quanto a pandemia tem sido ameaçadora à superpotência. Tão grave que o presidente Donald Trump mudou seu posicionamento em relação ao assunto e, com certa resistência, resolveu usar a Lei de Produção de Defesa, a qual recruta empresas, como a General Motors, Apple e Hanes, para produzir equipamentos necessários ao combate contra o vírus, como a produção de ventiladores e máscaras, retratou o jornal The New York Times.

Dito isto, torna-se evidente que o realismo ofensivo de Mearsheimer (2001), possui pouca importância se não há uma guerra convencional ou disputa pelo poder. Do que adiantam os grandes investimentos em armamentos, quando o inimigo é invisível? Neste sentido, o multilateralismo do Sistema Internacional (NYE, 2014) demonstra que há uma difusão de poder, isto é, uma interação entre diversos atores e instituições que podem ou não trazer benefícios, a depender dos interesses envolvidos.

Dessa forma, Nye (2014) sugere que o poder é anarquicamente distribuído em um xadrez tridimensional, dividido entre assuntos da sociedade civil global, poder econômico entre os Estados e poder militar. E, para lidar com essa distribuição, é necessário que haja a cooperação entre os agentes para  atingir uma relação de ganhos mútuos, o que pode ser observado quando os atores do setor privado, como a General Motors, por exemplo, foram acionados pelo governo americano para produzir mais ventiladores pulmonares e assim ajudar no combate contra o coronavírus, o inimigo invisível.

Referências Bibliográficas

BARRETO, Clara. Coronavírus: tudo o que você precisa saber sobre a nova pandemia. Disponível em: <https://pebmed.com.br/coronavirus-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-nova-pandemia/>. Acesso em 29 de março de 2020.

LUZ, Camila. Como funciona o sistema de saúde dos Estados Unidos? Disponível em: <https://www.politize.com.br/sistema-de-saude-dos-estados-unidos/>. Acesso em 29 de março de 2020.

MEARSHEIMER, J. John. The Tragedy of Great Power Politics. 1ª ed. New York/ London: W. W. Norton & Company, 2001.

NOGUEIRA, P. J.; MESSARI, N. Teoria das Relações Internacionais – correntes e debates. Editora: Campus. 2005.

NYE, Joseph. Global Power Shifts: hard power, soft power and hard power. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=JsE_1sY0lfU&t=805s>. Acesso em 29 de março de 2020.

SANTOS, Marcelo. A supremacia dos EUA no pós-Guerra Fria. Perspectivas. São Paulo, 2006. Disponível em: <file:///C:/Users/Dell/Downloads/32-80-1-PB.pdf>. Acesso em 29 de março de 2020.

United States Military Strength (2020). Disponível em: <https://www.globalfirepower.com/country-military-strength-detail.asp?country_id=united-states-of-america> . Acesso em 29 de março de 2020.