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Isis Mayra – acadêmica do 7° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

A partir da década de 1970, o debate teórico da Ecopolítica Internacional se constrói, no contexto das Relações Internacionais, impulsionando a problemática ambiental para as conferências ambientais internacionais e fortalecendo a temática e atuação que já estavam presentes fora do âmbito Estatal, em Organizações Não Governamentais Internacionais (ONGIs), como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF). 

A Teoria “Verde” das Relações Internacionais (Ecopolítica Crítica Internacional) surge a partir dos anos de 1990 e começa a se consolidar, apontando críticas e insuficiências dos enfoques liberais e realistas na área ambiental, que ainda possuíam barreiras estruturais positivistas, focando na manutenção do status quo na exploração da natureza para o capital, como fator de conflitos e ainda sob domínio do Estado como ator proeminente nessas questões (PATERSON, 2005).

No livro Theories of International Relations (2005), Matthew Paterson analisa que diversos autores da Ecopolítica Internacional enfatizam a urgência de mudanças sociais e de instituições inovadoras cosmopolitas, voltadas para a proteção do meio ambiente, com foco nos problemas socioambientais gerados pelos atores antigos e pelo modelo econômico vigente, para pensar na construção de alternativas para as problemáticas socioambientais. 

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF), foi pensado como uma organização para adquirir recursos para a proteção da vida selvagem (WWF, 2015?). Criado em 1961, atualmente é uma das maiores ONGIs ambientais, atuando de forma holística em mais de 80 países, apoiando projetos e produzindo e atuando em todos os países da Pan-Amazônia, além de promover cooperação e diálogo entres atores regionais. 

Dentre as prioridades do WWF encontra-se a Amazônia que, de acordo com o Relatório de Avaliação Científica O Futuro Climático da Amazônia (NOBRE, 2014) – produzido com o suporte da WWF -, possui a maior biodiversidade do planeta, fonte de diversos medicamentos, alimentos, produtos cosméticos, além de comportar o mais volumoso e mais extenso rio de água doce, com uma imensa bacia hidrográfica, essencial para a subsistência dos povos locais, assim como para toda a região Sul-Americana, que recebe as chuvas vindas da Amazônia.

Dessa forma o WWF se tornou um grande aliado dos governos nacionais e de atores locais visando alcançar diversas demandas da região e isso expandiu relações, projetos e ações por todos os países, criando escritórios nacionais, vinculados a organização internacional, porém com certa autonomia, mas ao mesmo tempo trabalhando em conjunto com diversos atores importantes para a promoção de uma educação ecológica e preservação da biodiversidade (WWF, 2014?).

Por conseguinte, é importante verificar a trajetória do WWF, como organização internacional, seu papel para a democratização dos debates ambientais e para desenvolvimento da Ecopolítica Internacional, trazendo os novos atores para as negociações, criticando e provocando a descentralização das agendas ambientais, enfatizando que a proteção da natureza ultrapassa fronteiras estatais, pois se trata de um tema global e que precisamos abranger novos atores que são diretamente afetadas com as mudanças que provocamos no meio ambiente (CASTRO, 2016). 

Em vista disso, torna-se cada vez mais urgente produzir conhecimentos para pensar em alternativas para as problemáticas ambientais, tendo em vista que o esgotamento dos recursos está cada vez mais próximo e é necessário garantir um futuro de qualidade para as gerações posteriores, preservando a região com a maior floresta tropical do mundo e que possui a maior bacia hidrográfica existente, é um ponto crucial para promover esse futuro.

REFERÊNCIAS:

CASTRO, Brenda C. de. Co-Constitution of International Cooperation for Development: the trajectory of the WWF in the Amazon. In: World Congress of Political Science, 24, Julho de 2016, Poznan.

NOBRE, A. D. O Futuro Climático da Amazônia. Relatório de Avaliação Científica. São José dos Campos: CCST-INPE/INPA, 2014. Disponível em: http://www.ccst.inpe.br/o-futuro-climatico-da-amazonia-relatorio-de-avaliacao-cientifica-antonio-donato-nobre/.

PATERSON, Matthew. Green Politics. IN: BURCHILL, Scott et al. Theories of International Relations. New York: Palgrave Macmillan, 2005.

WWF Brasil. Nossa História. 2015? Disponível em: http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/historia_wwf_brasil/.

WWF Global. Dentro da Amazônia. 2014? Disponível em:

https://wwf.panda.org/knowledge_hub/where_we_work/amazon/about_the_amazon/.