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Jaiane Madza Almeida – Acadêmica do 3° semestre de Relações Internacionais da UNAMA     

No campo das Relações Internacionais, a corrente teórica do Construtivismo tem como premissa básica que o mundo é “socialmente construído” (Nogueira e Messari, p.162). Ou seja, que vivemos em um mundo em que construímos, no qual somos os principais protagonistas.

Uma vertente bastante discutida no Construtivismo é que os comportamentos dos Estados são moldados pelas crenças, identidades e normas sociais das elites. Mesmo aceitando a ideia de um mundo real, os construtivistas acreditam que as identidades, os comportamentos e os interesses dos agentes políticos vêm de uma construção social, através de significados, interpretações e pressupostos coletivos sobre o mundo. (ADLER,1999).

Emanuel Adler, teórico construtivista diz que tudo aquilo que é inerente ao mundo social dos indivíduos é elaborado por eles mesmos. Diante disso, a discriminação racial, segundo a perspectiva de Adler está diretamente ligada a forma como a sociedade foi construída, com base em conceitos metodológicos e epistemológicos.

Por conseguinte, um dos maiores marcos da luta e resistência negra, ocorreu na África do Sul, na cidade de Joanesburgo, no dia 21 de março de 1960. Mais de 20 mil pessoas marcharam em protesto contra a Lei do Passe de 1945, que obrigava os negros a portarem uma caderneta na qual estava determinada onde eles poderiam ir, sua cor, a etnia e a profissão, como forma de controle do Estado. As tropas militares acionadas pelo governo abriram fogo contra a população, deixando 69 mortos e 186 feridos.

Anos mais tarde, em 1966, a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou a data como o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, em memória às vítimas do massacre.

Além dessa manifestação, muitas outras aconteceram e na década de 90, o Partido Nacional começou a perder força e em 1994, Nelson Mandela foi eleito presidente da África do Sul, dando fim a segregação legal (Apartheid) vivido naquela época.

A discriminação racial é caracterizada como a distinção no tratamento de determinado grupo, com base e características físicas ou ainda por aspectos culturais, religiosos e étnicos. Portanto, ela está diretamente ligada a construção histórica de um país. Partindo da perspectiva construtivista é possível  entender que o dia Internacional para o combate à discriminação racial foi criado para desconstruir o racismo presente na sociedade internacional e evitar que ela continue a se propagar nas relações internas e internacionais.

A ONU declarou o período entre 2015 a 2024 como a Década Internacional de Afrodescendentes, mostrando que a comunidade internacional reconhece que os povos afrodescendentes representam um grupo distinto cujos direitos humanos precisam ser promovidos e protegidos.

 

Referências:

ADLER, Emanuel. O Construtivismo no Estudo das Relações Internacionais. IN: Lua Nova. Revista de Cultura e Política. Número 47. São Paulo, CEDEC, 1999.

NOGUEIRA, João Pontes; MESSARI, Nizar. Teoria das Relações Internacionais: correntes e debates. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

NOGUEIRA, Carolina Dantas. Os atores sociais e a teoria das Relações Internacionais. Disponível em: < http://www.abri.org.br/anais/3_Encontro_Nacional_ABRI/Teoria_das_Relacoes_Internacionais/TRIS%208_Carolina%20Dantas%20Nogueira%20Os%20atores%20sociais….pdf   > Acesso em 20/03/2020.

BARBOSA, Gabriela. O Construtivismo e Suas Versões no Estudo das Relações Internacionais. Disponível em: < http://cdsa.aacademica.org/000-036/340.pdf > Acesso em 20/03/2020.

ONU Brasil. Onu e a luta contra a discriminação racial. Disponível em: < https://nacoesunidas.org/acao/discriminacao-racial/ > Acesso em 20/03/2020.

PALMARES Fundação Cultural. O massacre de Shaperville e o Dia Internacional contra a Discriminação Racial. Disponível em: < http://www.palmares.gov.br/?p=53647 > Acesso em 19/03/2020.