Guerra do Golfo - Brasil Escola

Matheus Castanho Virgulino – acadêmico do 3° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Quando se fala sobre intervenções das potências ocidentais no Oriente Médio é comum remontar-se à guerra do Iraque, o ainda beligerante conflito no Afeganistão ou na guerra civil na Síria, porém pouco é falado sobre a guerra que foi o prelúdio de muitas das situações bélicas que ainda castigam a região e os interesses políticos e econômicos na mesma: a Guerra do Golfo.
Saddam Hussein assumiu o poder no Iraque em 1979, após uma série de ditadores militares, seguindo o processo de descolonização britânica e o fim da monarquia local. Saddam tinha o objetivo de transformar o Iraque na potência hegemônica do Oriente Médio, tal como o Império Babilônico havia sido outrora na região. Para tal fim, ele aumentou gastos militares e entrou em uma guerra contra o Irã, o que resultou em uma vitória pírrica.
Enfrentando dificuldades econômicas como uma consequência de longo prazo da guerra contra o Irã, Saddam tomou bilhões de dólares em empréstimos com a Arábia Saudita e o Kuwait. O governo Iraquiano teve dificuldades em pagar o valor alto de suas dívidas e, para exacerbar ainda mais a situação, o Kuwait estava extraindo mais petróleo do que permitido como membro da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), danificando as indústrias petrolíferas do Iraque. Após o emir Jaber III, do Kuwait, negar o pedido de perdão das dívidas, e acusando companhias kuwaitianas de extrair petróleo em território iraquiano, Saddam invadiu o país em 2 de agosto de 1990. O Iraque também citava reivindicações históricas sobre o território, já que o Kuwait foi criado sobre o mandato Britânico na área.
Para sua invasão, Saddam mobilizou 100 mil de seus melhores soldados para mobilização imediata, com o resto do exército iraquiano preparando-se em seguida, que apesar de relativamente atrasado era a 4° maior força militar do mundo em 1990. O Kuwait que só tinha 16 mil soldados e com a maioria destes na reserva, foi subjugado em uma questão de 12 dias pelo exército iraquiano. O elemento surpresa deu a Saddam completo domínio sobre o país, que foi declarado como a 19° província do Iraque.
Saddam imaginou que a sua nova posição de “homem forte” do Oriente Médio faria com que não houvessem retaliações severas contra a sua tomada do Kuwait, porém a indignação internacional fora enorme e, no mesmo dia da invasão, o Conselho de Segurança das Nações Unidas denunciaram a violação da soberania do Kuwait, impondo sanções financeiras sobre o país. No dia 7 de agosto de 1990, o presidente dos EUA George W. Bush deu a ordem para o começo da operação “Escudo do Deserto” junto com uma coalizão que contava com países como Reino Unido, França, Austrália, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos. Esta primeira operação teve como objetivo proteger a Arábia Saudita de um potencial ataque iraquiano.
Enquanto a coalizão de países reunia cerca de 1 milhão de tropas na fronteira Saudita, Saddam mobilizou todo o seu eficiente militar por um período de 6 meses para proteger o Kuwait. Isolado diplomaticamente, Saddam decretou jihad contra as potências ocidentais, porém apenas recebeu apoio limitado em forma de equipamentos de certos grupos extremistas e ditadores como Hosni Mubarak, do Egito. A moral do exército iraquiano estava baixa, com muitos tendo que atravessar a pé a infame “rodovia da morte” que ligava Iraque e Kuwait.
Com a autorização do uso da força pelo Conselho de Segurança em 29 de novembro de 1990, a segunda fase de operações, a famosa “Tempestade do Deserto” teve início, com uma série de bombardeios em diversas bases militares chaves das forças armadas iraquianas. Saddam havia imaginado que o conflito se daria, em maior parte, por meio de combates de infantaria terrestre, entretanto a coalizão deu a vanguarda do ataque para divisões móveis de tanques. A vantagem de movimento fez com que as tropas da operação facilmente dividissem o exército iraquiano, que em pouco tempo começou a se render em massa, levando o Governo do Iraque a anunciar que iria acatar com as resoluções da ONU em 27 de fevereiro de 1991, mesmo dia em que o Kuwait foi completamente liberado.
O presidente Bush imaginava que a remoção de Saddam acarretaria em grande instabilidade e conflito civil no Iraque. Como consequência disso, o regime de Hussein foi permitido a permanecer no poder, tendo que abandonar todas as suas reivindicações territoriais sobre o Kuwait, desmilitarizar a sua fronteira ao norte e destruir todas as suas armas de destruição em massa.
Em conclusão, é importante analisar a guerra do Golfo por uma diversa gama de motivos. É o capítulo inicial do cenário político contemporâneo do Oriente Médio e um antecedente da nova guerra ao Terrorismo Internacional, assim como o primeiro grande conflito no mundo globalizado pós-Guerra Fria.
Quer saber mais sobre a Guerra do Golfo? Clique aqui: https://youtu.be/5BSoxvFoJgM

Referências :
AARTS, Paul ; REENER, Michael .Oil and the Gulf War.Middle East Report, No. 171, The Day After ,1991, pp. 25-29+47.