The Green Bonds, a economia verde e seu efeito unilateral

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Rayane Endora – acadêmica do 3° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

“Você começa a ter um mercado de carbono quando todos esses incentivos estão disponíveis.” (STERN apud MARIA, 2020)

Implementar esses mecanismos – os créditos de carbono – em todos os níveis da sociedade: esta é a atual linha de pensamento do mercado financeiro inglês, cada vez mais recepcionado ao modelo sustentável e nas políticas públicas no novo modelo de industrialização. Mark Carney, governador do banco inglês, é outro exemplo desta linha de pensamento nomeada Green Bonds. A concepção adotada por Carney sugere a realocação de capitais para investimentos sustentáveis transnacionais e privados, garantindo ao mercado financeiro equilíbrio da sustentabilidade e, assim, responder ativamente às necessidades ecológicas diante ao panorama ambiental global ou reestruturando o modelo capitalista anterior (BORGES, 2019).

Um parâmetro para busca de equilíbrio entre economia e sustentabilidade é essencial ao equilíbrio do sistema. A economista e teórica de Relações Internacionais, Susan Strange, especifica isso no conceito do equilíbrio piramidal, composto por quatro pilares presentes no sistema: segurança, conhecimento, produção e finanças. Em sua análise, Strange (1988) considera as vertentes de segurança de um Estado junto à economia, intrinsecamente conectados no contexto social mundial.

Um prognóstico do quadro ambiental internacional, resultado de problemas acometidos em esfera global anterior (efeito estufa, queimadas e desperdício de água, lixo tóxico etc.), também  gera desordem social-ambiental coletiva, ou seja, a estrutura de segurança ambiental compõe as vertentes coletivas da sociedade política pública. 

Por meios de multiplicidades da autoridade do Estado, seus acordos podem gerar segurança e inseguranças tanto por suas afinidades como pelas desafinidades. As preocupações políticas direcionadas às alianças e contra-alianças de estruturas de segurança, desvalorizando possibilidades de acordos e responsabilidade coletiva e paz entre os países. Assim, o desenvolvimento econômico para Strange (1988), se dará pela ampliação de novos espaços no mercado seja pelo aumento de produção monetária ou novos fatores atuantes centrais da economia política internacional.

É o que vemos no incentivo financeiro de 20 milhões de dólares arrecadados pelo G7 em prol da preservação da a Amazônia em 2019 (DW). Entretanto, tal ajuda foi recusada pelo governo atual do Brasil. Visto que a imparcialidade no posicionamento do governo brasileiro em tais casos gera recusa aos novos investidores para o mercado local e desinteresse do assunto de extrema importância internacional em sua diplomacia. Especialmente porque o atual sistema internacional, com sua barganha por maior flexibilidade de atuação no setor financeiro, está sendo “ empurrado’’ a incentivar a economia ecológica junto às transnacionais linearmente acordada neste contexto.

O desenvolvimento econômico e a sustentabilidade não são novos fatores a serem considerados. Desde a década de 60, os efeitos gerados pelo sistema começaram a surgir junto ao colapso refletido pelo modelo de produção e as consequências no meio ambiente (BORGES, 2019). Porém, as concepções atuais, como finanças verdes, embasa-se em novas políticas financeiras, em estruturas financeiras conscientes no seu papel desenvolvedor nos investimentos do mercado e aos projetos vantajosos benéficos ao meio ambiental e ao setor econômico. Em suma, a desculpa anterior herdada pelo capitalismo e o malefício ao desenvolvimento econômico sustentável deve ser despotencializada. Ironicamente, o que parece ser o problema atual é: a urgência da reorganização do direito ambiental internacional para a preservação vital da humanidade.

REFERÊNCIAS

ANDRADE ALENCAR, F. B.; FERREIRA NUNES, L. S. Susan Strange: poder estrutural e hierarquia monetária, uma breve discussão. Revista Geopolítica. V. 9, n. 1, p. 125-142 (2018).

BORGES, Ana. Finanças Sustentáveis: a iniciativa privada assume a responsabilidade. Relações com Investidores, setembro, 2019. Disponível em: https://www.revistari.com.br/234/1505. Acesso em: 13/03/2020.

  1. G7 Libera 20 milhões de dólares para a Amazônia. 26, agosto, 2019. Disponível em: https://p.dw.com/p/3OW0p. Acesso em: 13/03/2020.

MARIA, Ana. Relatório propõe medidas para reduzir até 96% das emissões em 2030. Agência Envolverde, 07, julho, 2015. Disponível em: https://envolverde.cartacapital.com.br/relatorio-propoe-medidas-para-reduzir-ate-96-das-emissoes-em-2030/. Acesso em 13/03/2020.

STRANGE, Susan. States and Markets. London/New York: Editora Continuum, 1988

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