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Fabrizzio Quadros – Acadêmico do 7º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Não haver uma potência que possa brigar por uma possível hegemonia faz, segundo a teoria da estabilidade hegemônica de Gilpin (1988), com que haja crises e instabilidades na região. Como líder natural xiita, o Irã não foge de suas obrigações de defender aliados e buscar um maior poder força, mas peca ao depender da Rússia desde os tempos de URSS para chegar a esses objetivos. Poderia existir uma potência sunita, com um passado grandioso, aliado a um grande poder econômico-militar que pudesse ser temida e respeitada

A Turquia vem colocando em prática um suposto projeto de ser essa hegemonia possível, como um dos principais atores na questão da guerra civil da síria, inserido no processo de Astana, nas zonas “seguras” no Norte do país e no controle de refugiados. Recep Erdogan, presidente turco, recentemente já declarou que não faz tanta questão de fazer parte da Europa (Hürriyet Daily News). Esse afastamento do ocidente tem a ver com a retomada da influência turca em países do antigo império. O chamado neo-otomanismo se fortalece quando há um equilíbrio entre o islã (cultura) e o kemalismo, esse foi a ocidentalização da Turquia após a queda do império, que buscava por melhores índices econômicos e científicos, o objetivo é fazer a Turquia voltar a ser o grande símbolo sunita da região, tendo em vista o forte poder econômico, político e militar.

Desde o início da guerra civil na síria um país em particular vem sendo o principal ponto de apoio da OTAN e seus aliados. A Turquia vem trilhando ano após ano uma política de vizinhança agressiva com o objetivo de colocar o país numa zona de segurança para que a desenfreada onda de imigração em direção à anatólia tenha fim, são quase quatro milhões de pessoas segundo a ACNUR.

Erdogan joga contra tudo e todos que estiverem entre seus interesses na região, principalmente quando se trata de acontecimentos que podem aumentar ainda mais o fluxo de refugiados. Os confrontos em Efrain e Idlib escancaram a mudança de postura do país no jogo internacional, aquele foi marcado por confrontos contra os curdos, aliados dos americanos, já este, contra os sírios de Assad, aliados dos Russos.

Escrever sobre uma possível atitude russa acerca do último caso citado seria um palpite, já Assad parece finalmente perceber que a antiga potência sunita está voltando ao tabuleiro, segundo ele, a Turquia está dando suporte a grupos rebeldes (curdos de maioria sunita).

Seguindo a paisagem que nos está sendo apresentada por Erdogan, é nítida a sensação que os turcos, mesmo dizendo a poucos dias que procuram as vias diplomáticas, irão defender o norte da Síria como se fosse o próprio território com ou sem mais conflitos.

Referências:

GILPIN, Robert. The theory of hegemonic war. The Journal of Interdisciplinary History, Vol. 18, No. 4, p. 591-613. Spring, 1988.

ANKARA. Turkish delegation to visit Russia for Idlib talks. Disponível em: < https://www.hurriyetdailynews.com/turkish-delegation-to-visit-russia-for-idlib-talks-152069 > Acesso em 21/02/2020.

ANKARA. Turkey doesn’t need EU anymore, but won’t quit talks: President Erdoğan. Disponível em < https://www.hurriyetdailynews.com/turkey-doesnt-need-european-union-president-erdogan-says-120199 > Acesso em 21/02/2020.

KURTOGLU, Sibel. Turkey to push back Assad forces from observation posts. Disponível em < https://www.aa.com.tr/en/middle-east/turkey-to-push-back-assad-forces-from-observation-posts/173529 > Acesso em 19/02/2020.

MINARECI, Semih. Search for Identity: Turkey’s Identity Crisis. Disponível em < https://ssrn.com/abstract=1297378 > Acesso em 19/02/2020.