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Eduardo Oliveira – Acadêmico do 5º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

Analisar um fato internacional a partir da atemporalidade de ideias é a capacidade que qualquer internacionalista almeja possuir. Deste modo, fatos contemporâneos são passíveis de análise mediante ferramentas teóricas que antecedem, até mesmo por séculos, seus acontecimentos. O Realismo Estrutural de Kenneth Waltz faz parte de uma vertente das Relações Internacionais que apregoa as dinâmicas de Poder dentro de uma lógica estrutural. Para Waltz (1959) a característica anárquica do Sistema Internacional (Sistema Self-help) faz com que os estados sejam cada vez mais concorrenciais, tomando para si qualquer atalho a fim de atingir seus objetivos.

Em Waltz (1979), vislumbramos dois possíveis movimentos táticos, os quais são passíveis de escolha pelos estados de acordo com suas políticas de estratégia. O primeiro ocorre quando há um balanceamento nos mecanismos de poder entre dois estados com um ‘Poder-força’ (Poder bélico, material) proporcional, criando assim uma Aliança para a Segurança, evitando, portanto, que o poder se torne hegemônico.

O segundo caso trata de um alinhamento entre dois países com poderes desproporcionais, assimétricos. Nesse caso, o Estado-nação A, com baixo Poder-força se alia ao Estado B com alto Poder-força na esperança de que isso beneficie seus próprios interesses nacionais. Este movimento é definido como ‘Bandwagon’.

Por décadas a política estadunidense foi marcada pela profunda divisão social-partidária entre Republicanos e Democratas, divisão essa vislumbrada principalmente durante as campanhas eleitorais. O partido Republicano do atual presidente Donald Trump, é caracterizado por possuir um perfil mais inclinado ao conservadorismo político e ao liberalismo econômico no sentido clássico. Já os democratas, ao contrário, estão voltados ao progressismo político, inclinados a políticas de ações afirmativas, de assistencialismo social.

A maioria dos estados americanos possuem um histórico de votos bem definido, entretanto, em alguns a votação é tão acirrada que qualquer dos dois partidos podem vencer. Estes são chamados de “Swing States”. estados como, Flórida, New Hampshire, Illinois, Texas, Arizona, Iowa, Wisconsin, Michigan, além de Carolina do Norte, Pensilvânia, podem definir a eleição presidencial de 2020 sem que seja possível prever através de consultas a probabilidade de eleição de determinado candidato.

É importante perceber que qualquer estado pode ser tornar um Swing States ao longo do tempo. Grandes eventos como ataques terroristas ou grandes crises financeiras, por exemplo, podem mudar as prioridades dos eleitores. Nesses estados, mais dinheiro é gasto em campanhas eleitorais, sendo a história do país prova de que vale a pena.

Segundo o videográfico sobre os Swing States disponibilizado pelo jornal O Globo, em 1960 Richard Nixon (Partido Republicano) perdeu para John F. Kennedy (Partido Democrata) após rejeição em Illinois e Texas, assim como em 2000, quando Flórida e New Hampshire colocaram na Casa Branca George W. Bush (Republicano) e não Al Gore (Democrata).

Para fins analíticos o caso estadunidense, foi descrito anteriormente que qualquer estado tem a possibilidade de se tornar um Swing State à vista de mudanças de opinião dos eleitores, as quais decorrem de eventos importantes, sejam eles nacionais ou internacionais. Mesmo que as eleições estadunidenses não tratem de qualquer ato bélico, ou como descreve Waltz, de qualquer Poder-força, a mudança de crenças partidárias para o atendimento de benefícios próprios ou de um grupo restrito da sociedade está cada vez mais patente dentro dos Swing States estadunidenses.

A imprevisibilidade dentro desses estados decorre da ambivalência política, muito marcada pela polarização de posturas mais isolacionistas e de abertura econômica apregoadas por Republicanos e Democratas respectivamente. E talvez, para fins de rápida compreensão, um Bandwagon social surge entre partidos políticos, os quais possuem maior poder prático, e eleitores esperançosos que seus anseios sejam atendidos por àqueles em que depositaram sua confiança.

Na terça-feira, dia 03 de novembro de 2020, acontecerá 59ª eleição quadrienal dos EUA. Através desta análise pode-se vislumbrar por outra perspectiva a força dos chamados “estados Indecisos” e de como, no final das contas, o jogo de cartas marcadas dentro do processo eleitoral americano está totalmente passível de bruscas mudanças.

REFERÊNCIAS:

FERNANDES, Cláudio. “História dos partidos republicano e democrata dos EUA“; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historia-da-america/historia-dos-partidos-republicano-democrata-dos-eua.htm. Acesso em 18 de fevereiro de 2020.

 CALDWELL, Malachy. Os Estados Swing para 2020 são Arizona, Flórida e Carolina do Norte, dizem casas de apostas. ODDS DIGEST, 2019. Disponível em: https://oddsdigest.com/political/the-swing-states-for-2020-are-arizona-florida-and-north-carolina-say-bookmakers/ Acesso em: 19 de fevereiro de 2020.

O GLOBO. Como os Swing States podem determinar a vitória nas eleições americanas; O Globo Mundo, 2020. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/como-os-swing-states-podem-determinar-vitoria-nas-eleicoes-americanas-1-20422987. Acesso em: 19 de fevereiro de 2020.

WALTZ, Kenneth. Man, the State and War. Columbia University, 2001.

WALTZ, Kenneth. Theory of International Politics. University of California, 1979.  

WOLLNER, Adam. Os novos estados do balanço: Mapa do campo de batalha presidencial muda para 2020. MCcatchy News, 2018. Disponível em:https://www.mcclatchydc.com/news/politics-government/election/campaigns/article222917745.html. Acesso em 19 de fevereiro de 2020.

KOPRALEVA, Iva. Relações UE – EUA: balanceamento ou oscilação? IAPSS, 2019. Disponível em: https://www.iapss.org/2013/09/22/eu-us-relations-balancing-or-bandwagoning/. Acesso em: 20 de fevereiro de 2020.